Poemas de Mario Quintana Felicidade Realista
Não sou capaz de relacionar com quem não é leal a si próprio. Não haveria paz nesse encontro.
Nara Nubia Alencar Queiroz
@narinha.164
Agora, olhando deslumbrado para ti, tão linda e radiante, penso honestamente que ainda não descobri meu talento para a arte da pintura e talvez, infelizmente, nunca venha a descobrir, mas, se um dia, eu tiver, quero muito que venhas a ser a minha poesia inspiradora que fará esta aptidão facilmente florescer.
Até consigo imaginar-me dando vida a uma simples tela, pitando atenciosamente com aquarelas os teus detalhes airosos, usando toques amáveis de um pincel como se eu estivesse tocando carinhosamente o teu belo rosto, toda suavidade tua pele, instantes raros e maravilhosos que guardaríamos na mente.
Por meio dos meus sentimentos sinceramente profundos e de algumas tintas, usaria todo o tempo necessário para pintar-te detalhadamente com a atenção merecida e que, desta forma, o resultado ficasse o mais realista possível, uma justa representação da tua imagem, fonte inesgotável de inspiração, uma viva arte.
És bela e muito atenciosa,
assim, a arte na tua essência se revela e é refletida num simples quadro
com um desenho realista
de lindas cores e belos traços.
Um artista de lindos traços solares
que sempre deixa
um presentede despedida
quando se vai num fim de tarde,
uma obra de arte bastante realista.
Ela repetia sempre "Carlos", era a sensualidade dela. Talvez de todos... Se você ama, ou por outra se já deseja no amor, pronuncie baixinho o nome desejado. Veja como ele se moja em formas transmissoras do encosto que enlanguesce. Esse ou essa que você ama, se torna assim maior, mais poderoso. E se apodera de você. Homens, mulheres, fortes, fracos... Se apodera.
Sou todo incoerências. Vivo desolado, abatido, parado de energia, e admiro a vida, entanto como nunca ninguém a admirou!
A minha alma não se angustia apenas, a minha alma sangra.As dores morais transformam-se-me em verdadeiras dores físicas, em dores horríveis, que eu sinto materialmente - não no meu corpo, mas no meu espírito.
A inspiração é fugaz, violenta. Qualquer empecilho a perturba e mesmo emudece.
É curioso: sou um isolado que conhece meio mundo, um desclassificado que não tem uma dívida, uma nódoa - que todos consideram, e que entretanto em parte alguma é adimitido (...) Nos próprios meios onde me tenho embrenhado, não sei por que senti-me sempre um estranho...
Preciso marcar uma consulta para meu cachorro com minha psicóloga, antes que ele marque uma consulta para mim com o veterinário dele.
"Fräulein" era pras pequenas a definição daquela moça... antipática? Não. Nem antipática nem simpática: elemento. Mecanismo novo da casa. Mal imaginam por enquanto que será o ponteiro do relógio familiar.
Fräulein... nome esquisito! nunca vi! Que bonitas assombrações havia de gerar na imaginação das crianças! Era só deixar ele descansar um pouco na ramaria baralhada, mesmo inda com poucas folhas, das associações infantis, que nem semente que dorme os primeiros tempos e espera. Então espigaria em brotos fantásticos, floradas maravilhosas como nunca ninguém viu. Porém as crianças nada mais enxergariam entre as asas daquela mosca azul... Elza lhes fizera repetir muitas vezes, vezes por demais a palavra! Metodicamente a dissecara. "Fräulein" significava só isto e não outra coisa. E elas perderam todo gosto com a repetição. A mosca sucumbira, rota, nojenta, vil. E baça.
São sempre assim os pais: quando as esperanças se projetam sobre um filho, o resto são sombras mal reparadas. Que vivam, e Deus os abençoe! Amém.
Ouve esta música? É a expressão da minha vida: uma partitura admirável, estragada por um horrível, por um infame executante.
Cinco figuras históricas parecem ter influenciado o Sr. Jânio Quadros.
1)Jesus Cristo, 2)Shakespeare, 3)Lincoln, 4)Lênin e 5)Chaplin.
O problema é que a gente nunca sabe, quando ele imita esta ou aquela personalidade... Muitas vezes procuramos Cristo e damos de cara com Lênin.
Écloga (imitado de Alberto de Oliveira)
Tirsis, enquanto Melibeu procura
Esgarrado caprídeo, sonolento
Deita-se à sombra de pinhal e o vento
Escuta, olhando os cirros pela altura.
Chega porém das vargens Nise pura,
Que o tem preso a seus pés, e ele, sedento
De amor, mais o de sonhos lesto armento
Guarda, que esse, de capros, na planura.
Passa-lhe a ninfa ao lado. Ele então muda
O olhar para essa frol de primavera,
E diz, vendo-lhe os lábios e o regaço:
- Ai se eu pudesse, em vez da à frauta ruda,
Minha boca na tua, não tivera
Então escuro o engenho, e o corpo lasso.
Mastros quebrados, singro num mar d'Ouro
Dormindo fôgo, incerto, longemente...
Tudo se me igualou num sonho rente,
E em metade de mim hoje só móro...
São tristezas de bronze as que inda choro -
Pilastras mortas, marmores ao Poente...
Lagearam-se-me as ânsias brancamente
Por claustros falsos onde nunca óro...
Desci de mim. Dobrei o manto d'Astro,
Quebrei a taça de cristal e espanto,
Talhei em sombra o Oiro do meu rastro...
Findei... Horas-platina... Olor-brocado...
Luar-ânsia... Luz-perdão... Orquideas pranto...
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
- Ó pantanos de Mim - jardim estagnado...
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Nota: Trecho do poema "Quase" de Mário de Sá-Carneiro
Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...
Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.
O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas ânsias.
A grande ave dourada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.
Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traíu a si mesmo.
