Poemas de Luto
O tempo cicatriza
mas não faz esquecer.
O tempo passa
mas não faz voltar.
O tempo é um maldito
e um anjo salvador.
Quando ele te mata;
ele te salva.
Não enxergo um palmo a minha frente. Com tudo, ouço tudo ao meu redor.
O silêncio da noite é barulhento!?
Estou só. Mas ouço pegas, que não parecem minhas.
O vento sussurra em meus ouvidos.
Os pelos se eriçam.
Tenho a cessação de esta sendo seguido.
Estou cercado.
Tudo é escuridão.
Não temo falta de luz. E sim da incerteza.
O que me espera na próxima esquina?
Um tragédia; ou uma dádiva.
Que seja.
Tudo é breu.
Não posso vê nada que esteja ha frente.
Só que não ha alternativa, se não seguir!
—Sim; é inevitável.
Mesmo com essas pedras no sapato.
—Se ao menos, chama-me Carlos.
Aquele tal de Andrade.
Teria eu bons versos. A serem escritos
Mas não
Sou eu, apenas eu.
Ha caminha por esse chão, que as vezes me falta
Ou acho eu faltar
Simplesmente, por não vê-lo.
Não tem sentido.
— E porque deveria?
Não importa.
Mesmo sem destino.
Ainda prefiro seguir( a vida)
Seria eu o sertão? De solo árido batido quebradiço
Terra sofrida
E poucos pássaros por aqui hão de cantar
Mas a questão é, oque a fez se encantar
Por tamanha e devasta terra que chamo de lar
Não sei, mas o teu caminhar
Faz dos sulcos da terra água brotar
E o verde começa a espalhar
Logo aparecem os rouxinóis a cantar suas melodias pelo ar
Árvores a crescer, onde fará ninho o sabiá
Talvez tamanha mudança seja feita de amor?
Tenho certeza que sim!
E logo a terra devastada, se torna vasta e densa de vida
Que tu trouxe, e logo parto contigo
Rumo ao infinito
Duas ararinhas vermelhas a voar
Os céus a desbravar, e seguindo as estrelas a nos guiar
E lá vamos
Juntos
Eternos amantes a voar
Eternamente se amar
E ver aos poucos a vida brotar
A Visão do Inferno
Primeiros cinco minutos,
O sofrimento começa.
11 de 15 na prova.
Segunda aula,
O inferno está acabando.
Eu consigo sentir meus pés ainda,
Mas minha mente está em branco.
Terceira aula,
Meus pés agora estão formigando.
Eu sinto as células do meu corpo morrendo,
Meus átomos estão pedindo ajuda.
Eu quero morrer,
Aos poucos,
Lentamente,
Acabou.
O recreio está começando,
Meu sofrimento se esvai,
Aos poucos.
Uma lágrima de esperança aparece em minha frente,
Um sorriso esboçado em meu rosto.
Ali, eu vi o sentindo da vida,
De minha bela e maravilhosa vida.
Isso mesmo,
Eu estou vivo.
Eu venci o purgatório,
Eu derrotei Satã e seus soldados.
Sou um exército de um adolescente só.
Com fé
Olhei bem alto ao céu
Com fé fiz um pedido
E se for da vontade de Deus
Eu sei que será atendido
Pois, tudo sei que posso
Naquele que me fortalece
Ele é o Pai nosso
Que de nós não se esquece
Mas além dos meus desejos
Está a Sua Vontade
Ele vê além do que vejo
Pois, és a própria Verdade
Por isso entrego minha vida
Em suas benditas mãos
E que Sua Palavra
Conduza sempre meu coração
Alan Alves Borges
Livro No Olhar Mergulhei
Crepúsculo
O horizonte se tingiu de vermelho
O sol se pôs, despedindo o dia.
Reflete na água um lindo espelho
Nasce a lua, harmonia.
No crepúsculo o vento sopra
Antes quente, agora frio.
Beleza que chega e aflora
Espetáculo infinito.
Monólogo do astronauta:
Existe comunhão entre os astros? Tudo o que vive se articula dentro do seu próprio âmbito social. E as estrelas? Dialogam entre si? Que mistérios ocultam em seus núcleos ardentes? Que afetos dissimulam em suas órbitas solitárias? Somos parte, apenas seus fragmentos extraviados. Por que não dominamos a linguagem das estrelas?
Tempo que corre e tempo que se curva. Quando o homem perdeu a conexão com as estrelas? Em que instante, nos apartamos de quem éramos e olvidamos quem fomos eons e eons atrás? Agora vivendo escravos de domos quadrados. Onde estamos e onde abandonamos quem somos? Voltaremos para casa um dia?
Desdenhamos tanto, que infelizmente renunciamos. Tempo que corre e tempo que se curva, até esquecermos o idioma das estrelas. Agora só restam os murmúrios submersos, as lágrimas que se precipitam no fundo do peito e a vergonha do arrependimento.
Onde vivem os poetas?
Os poetas são como os astros; só podemos contemplá-los, nunca tocá-los. É possível registrar um fragmento do conjunto de elementos que compõem as suas poesias, mas jamais seremos capazes de penetrar no labirinto das suas emoções.
ES(COLHO) BEM O QUE CÁ, REGO
Escolhas erradas doem mais depois.
Escolhas certas doem mais na hora.
A questão não é escolher qual dor você quer amanhã ou qual vai sangrar outrora.
A questão é sempre qual pancada vai
levar a consequências piores e qual roxidão é só sobre aquilo.
Mestre que é mestre também abaixa a cabeça para o pupilo.
No final, tudo é sobre o dê pois e, para decidir, sempre penso se daqui a cinco anos vai importar tanto assim.
A melhor escolha não é a que dá mais certeza, mas é sempre a que dá algum fim.
Que Saudade!
Saudade dos que já foram
Saudade dos que nem chegaram
Pois sei que irão partir
Saudade de brincar
Saudade de sorrir
Saudade das coisas que aqui estão
Saudade dos amores que virão
Saudade de todos que amei com paixão
Que saudade!
Saudade da minha avó, do meu pai, da minha mãe
Saudade dos meus tios, saudades do meu avô
Saudades de todos que o tempo levou
A vida é assim, chegada e partida
Mas só existe saudade,
Se a vida foi bem vivida
Do livro Turbilhão de Emoções
Na beira do mistério, onde a morte espreita,
Descobri a simplicidade que a vida me deita.
Não mais me perco no labirinto do porvir,
Aqui e agora encontro razão para sorrir.
No limiar do desconhecido, renasço mais leve,
Deixo de lado o peso do que não se deve.
Otimismo brota como erva no chão,
Valorizando a existência em sua plenitude, então.
Não adio mais a felicidade, pois ela se insinua,
No murmúrio do vento, na luz da lua.
Cada instante é uma dádiva a celebrar,
Grato pelo prolongamento, pela chance de continuar.
Assim como o sol brilha no céu azul,
Eu me ergo, simples e sereno, a viver o meu sul.
Na poesia da vida, encontro meu refrão,
Amando cada momento, sem hesitar, sem não.
E assim sigo criando nuvens...
Te trago em brasa
Desviando das névoas que surgem.
Transbordo em lágrimas
Esperando cair suas gotas pesadas
Deixando que nos inundem
Me leve em sua brisa levada
De leve a quebrada
Suaviza sua alma
Deus nos ajude! Thibor
Gostoso mesmo é ter. Conexão, química
Reciprocidade, tesão,calmaria e intensidade
Com a mesma pessoa.
É sobre isso!
O brilho do Sol pode até ser o maior já visto em todo o planeta.
Porém, quando a noite chega, noto que as estrelas tão brilhantes formam uma sinfonia quase que perfeita.
Mas um dia a lua cheia, imensa, quase que laranja, me deixou tremendo, não era nada discreta.
Como um grande viajante aventureiro, descobri nesse mundo inúmeras belezas naturais.
E que não precisava olhar tão longe para encontrar coisas tão raras, belas e surreais.
Vi extensos rios levando vida as maravilhosas vegetações e aos extraordinários animais.
Contudo, o mundo ainda viria a me surpreender.
Algo radiante que eu não poderia explicar,
Tão intenso como um grande amanhecer.
Mais belo do que eu poderia imaginar,
Eu conheci você,
A maior obra que Deus poderia criar.
O mar secará um dia
toda a sua sede.
O mar perderá todo o sal
num longo dia azul.
Sem sabor e sem ímpeto
o mar de ondas molengas
ficará desativado
de qualquer romantismo.
Plebeu e plausível
descortinará outro infinito
que não este gelatinoso
mistério-matriz.
Á força da metamorfose
o mar se desmarinhará
desmaiando aos poucos
sobre si mesmo.
Não perca:
Grande Teatro de marionetes!
Amanhã. Na orla da praia.
CANTO II
Janela d'alma, visão
Íris líquidas pingantes
Longe, longe, coração
Ah, distâncias distantes.
Na ronda teu juízo
Envolto em madeira e terno
No bosque paraíso?
Na floresta inferno?
Se com luz,
Voo alto
Asas de Ismália.
Se na cruz,
Não falto
Mortalha.
RUSH
Quando passei nas Andradas
Uma quinta-feira dessas
Caminhando com pressa
Vi os carros parados
Olhando pros lados
Ansiosos
Rosnando.
E no meio da rua
Um mulato vestindo verde
Com a carne nua
Sangrando
Morto.
E nas calçadas, nos andaimes
Doze menos um operários
Todos temporários
Trabalhavam.
E os caros com pressa.
E o mulato não saiu.
E como não saiu,
Passaram.
VALSA
No morrer da lua alva
Giram
Dois pares apaixonados
Olhando-se apaixonados
Querendo-se apaixonados
Perdendo-se entrelaçados e chorando apaixonados
E ninguém, no mundo ou nas estrelas, os salva
Giram apaixonados
Dois pares coitados
Dois pares trocados.
PAIXÃO
Semente da obsessão
Geradora de devaneios
Encantadora de imagens
Velha irmã da loucura
Manipuladora do caráter
Destruidora da razão
Indutora de vontades
Mescladora de sentidos
Por favor, apareça!
Mas que seja,
Que somente seja,
Quando for correspondida!
(Guilherme Mossini Mendel)
