Poemas de Luto
Arco-íris
E assim se deu no nosso caso de amor
Como uma flor que desabrocha
No meio do asfalto.
Meu quadro cinza na parede
Retrato em preto e branco
Agora um arco-íris se pintou
Agora quando você vem
Tudo se transforma
Contornos viram formas
Desenho asa e flor.
Olha, quando você chega tudo fica rosa
Não leio mais Rimbaud
Até meu verso triste vira prosa.
Acordes dissonantes soam simples
Como as melodias diatônicas do sertão
E amargo do café se adocica
Como um caramelo de paixão.
Arco-íris
E assim se deu no nosso caso de amor
Como uma flor, que desabrochou
No meio do asfalto.
Minha vida, quadro cinza na parede
Retrato em branco e preto
Agora um arco-íris se pintou.
Ao seu lado tudo se transforma
Contornos viram formas
Desenhos de asa e flor.
Quando você me abraça tudo fica rosa
Não leio mais Rimbaud
Meu verso triste virou prosa.
Acordes dissonantes soam simples
Como as melodias do sertão.
E o amargo do café se adocica
Quando você fica, sem pressa e sem razão.
A vida com você é colorida e doce
Como um caramelo de paixão.
Eu quis beber não tinha leite
Eu quis comer, não tinha pão .
O meu pais está fadado
Está voltando a inflação
Se bastasse a pandemia
Ainda tem o apagão
O fogo acesso na Amazônia
Desperta gente pra solução
Nada pra beber,
Nada pra comer camarada...
Agora é moda citar a bíblia
Pra explicar contradição
Mateus 6:10, termo finito
Fim do conflito e desta confusão.
SOBRE A PAIXÃO
É possível que uma mente
iluminada pela inteligência
venha sucumbir à paixão?
Sim, até certo ponto
pois ninguém está totalmente imune
ao encanto da beleza e da inteligência superior.
Contudo, uma mente evoluída,
experimentada em vários campos da existência humana
tem a presciência de que a paixão é nociva
ao equilibro da alma.
Sendo assim, esta mente privilegiada
saberá administrar os efeitos da paixão,
que mesmo sendo pela beleza inteligente
pode ser instrumento de dor e sofrimento
a terceiros envolvidos.
Porém, a presunção humana pode nos induzir
ao erro, ao erro de nos achar superiores
Todavia, nesse campo, só a vivência pode nos socorrer.
Portanto se já dominamos a paixão carnal
especialmente no campo romântico
temos de fato franqueza no falar
e, em contrapartida, uma mente treinada
para vencer quantas paixões vierem nos atrair.
SE O MEU AMOR FOSSE CANÇÃO
Se o meu amor fosse canção
Seria música de Tom Jobim
De natureza, bela, de luz e de sol
Seria pra mim a nona perfeita
Divina, sem início nem fim.
Se o meu amor fosse canção
Seria ópera de Wagner
Romance de Isolda e Tristão
Eclipses de Caetano
“Qualquer Coisa” vã
Travessia de Milton
Sina de Djavan.
Se o meu amor fosse canção
Seria assim, cheia de defeitos
Melodia incompleta
Rascunho de poeta
Poema sem som.
Evan do Carmo
SOMOS ARTISTAS
Somos assim, seres estranhos
No meio do povo, mundo tacanho.
Não queremos de graça
O que temos por ganho
É mágica de amar.
Se a arte incomoda,
Dizem que é pobre
Oh, gente nobre, somos só artistas
A nossa conquista é o fato ser
Pessoas comuns, como todos vocês.
Importante é viver este sonho normal
De beber nosso vinho, de comer nosso sal
Entre tantos enganos, sabemos o caminho
Para onde andar, e o que queremos,
Se vivendo ou morrendo
Temos paz pra criar,
Uma ideia de mundo quase perfeito
Onde temos o direito de viver e sonhar.
ARCO-ÍRIS
E assim se deu, o nosso caso de amor
como uma flor que desabrocha no asfalto
agora um arco-íris se pintou
e assim se deu, o nosso caso de amor
a minha vida, quadro cinza na parede
agora um arco-íris se pintou
e assim se deu, o nosso caso de amor
ao seu lado, o meu mundo se transforma
contornos viram formas, desenhos de asa e flor
e assim se deu, o nosso caso de amor
nos seus braços tudo fica rosa
meu verso triste vira prosa
não leio mais Rimbaud
e assim se deu, o nosso caso de amor
quando você fica sem pressa sem razão
o amargo do café se adocica
como um caramelo de paixão.
Eu amo a noite, quando tudo cala
E eu posso ouvir seu coração e a sua alma,
Suavemente dizerem que o barulhinho da chuva
Tem a melodia eterna da verdade.
Abraçados, como conchinhas do mar
Sabemos o segredo do amor, a paz nos domina.
É quando tudo se completa e nós somos um
Apenas um repleto, saciado de ternura e afeto.
ALGUÉM PARA AMAR
Eu sempre amei
não tive medo
mas ninguém quis
compartilhar.
Pois o amor
é um Ministério
que ninguém
sabe explicar.
Alguém para amar
é o que queremos
alguém pra cuidar
do coração.
O barco e um rio.
Nascente,
Um barco forte, impávido
Desce sem receio,
Avança em busca do horizonte
Segue firme, destemido, desbravando o rio.
O barco sabe dos perigos da viagem
Mas ignora a força do seu condutor bravio.
Rumo ao desconhecido, o barco não se cansa
Almejando a liberdade e a contemplação
Do sol radiante da esperança.
Antes da aurora esperada
Vem as intempéries da distância
O rio se torna ameaçador.
E o barco, mais surrado a cada dia
Preste a naufragar, com furos no casco
Escuta um pássaro triste cantar e avalia.
Rio e barco não se entendem mais
Um quer a foz, outro quer o cais
Um sabe que chegando ao fim retorna
O outro nada sabe de outro rio
De outra noite, de outro pôr-do-sol
Só há uma dúvida voraz, assim o barco afunda
Na ilusão e na desesperança
Na ideia obscura da fragilidade fatal, desiste
Enquanto o rio mergulha no abismo
E encontra a paz.
Evan do Carmo
Relembrar é morrer
a vida que não temos mais
um barco esquecido no mar
de saudade que ficou ao vento
no esquecimento dos temporais
relembrar é voltar ao passado
e saber que aquele cais já não existe
só o que persiste é a ilusão
em um lugar inatingível
que engana os incautos
relembrar nunca foi viver
só se vive uma vez
sentir saudades é voltar
ao que se perdeu no tempo.
DICA DO EDITOR, QUE POR ACASO TAMBÉM É POETA.
A idade me ensinou verdades duras, verdades que não são fáceis de atingir os imaturos, que, no afã de se auto afirmar como artista, sobretudo como poeta, acham que escrever muitos livros ou ganhar concursos pode fazer sua obra se tornar grande e imortal.
Penso, hoje, que todos nós temos apenas um livro para ser escrito. Não será a quantidade produzida nem o reconhecimento contemporâneo que farar alguém imortal nessa seara.
Escrever poesia, com intuito de se tornar grande, rico, famoso, importante, por ter publicado tantos livros. Ah, meus caros irmãos, não é isso que busca um poeta consciente da sua humilde contribuição nesse campo. Apenas o tempo, através da história será capaz de julgar uma obra, quanto à sua importância Temos tantos exemplos para quem se interessa em estudar o tema.
O clássico, mesmo póstumo, muitas vezes só descoberto décadas depois da morte do seu autor, pode emergir para respirar entre os importais neste campo árido que é inserir a arte na alma humana para sempre.
Temos apenas um livro para escrever, então não gastemos nosso preciso temos em falar bobagens que não acrescenta nada ao que já foi dito pelos mestres; estudar e se recolher, pode ser a grande saída para quem sofre este mal, o mal de querer ser mais importante do que é. Quem sabe assim podemos encontrar nossa própria voz, lá no fundo da alma, onde até agora não tivemos coragem de entrar.
Evan do Carmo 18\02\2021
Ah, o amor,
é assim tão previsível
todo mundo pode ver,
quando você ama
não se engana,
não se engana.
Ah, o amor,
o que muitos querem ter
não é fácil encontrar
mas quando você ama
não se engana, não engana.
Ah, o amor
não se canse de esperar
mesmo que ele não chegue
continue a procurar.
pois quando você ama
não se engana, não se engana.
Só, o amor,
Faz a vida florescer
Dá beleza ao por do sol
E sentido ao amanhecer
pois quando você ama
não se engana, não se engana
DELÍRIO NOTURNO
Dorme, dorme o meu amor,
no silencioso abrigo do meu coração.
Nesta noite de afago eterno,
queria tanto estar nos sonhos dela.
Mas quem pode imaginar
O que ela sonha?
Se com um príncipe ou com um plebeu.
Enquanto ela dorme eu penso no que seria de mim
Longe dessa imensidão do mar que nos separa.
Se pudesse toca-la e afagar seu cabelo
Se mesmo em sonho
Eu pudesse revelar todo meu amor,
e o meu desvelo.
Mas há a noite e o meu delirar noturno.
Um mar e uma eternidade entre nós.
Inspirado na obra Noturnos de Chopin
O sabiá
Um sabiá canta no meu quintal.
Toda manhã ao pé da minha janela,
Um canto melancólico, ele parece contar
Uma história triste, porém singela.
Às vezes penso, que o sabiá que canta o dia inteiro
No meu pé de laranjeira é um lobo solitário,
Que vive entre as estações
E canta pra sobreviver, não porque é necessário.
Eu o vejo pela vidraça da Janela,
Por vezes embaçada de neve ou de poeira.
O sabiá, assim como eu,
Escolheu a solidão como companheira.
O sabiá sabe, assim como eu sei
Que o que era sublime e tão bonito
Ao mudar de estação se perde tudo
Seu canto fica mudo...Tudo cai no infinito.
Bem-vindo(a) à página "Coisas que eu sei"! Aqui, você encontrará um verdadeiro refúgio para aqueles que buscam conhecimento, inspiração e reflexões sobre os mais diversos temas.
Acredito que o conhecimento é uma ferramenta poderosa, capaz de nos transformar e nos levar a um nível mais elevado de entendimento. Por isso, dedico este espaço para compartilhar ideias, curiosidades e aprendizados que podem impactar positivamente sua vida.
A poesia tem seu lugar especial nessa página. Através dela, busco despertar a sensibilidade e a beleza que existe dentro de cada um de nós. Ela é capaz de tocar corações, inspirar mudanças e conectar pessoas.
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- Edna Andrade
Sorrisos, integração e produção.
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Amo mesmo: (Simplicidade)
é o sereno do anoitecer,
o bem-te-vi no raiar do Sol,
a brisa fina pelo amanhecer.
Gosto do gosto da chuva,
o orvalho deitado nas flores,
o cheiro de terra molhada e turva.
No jardim a borboleta a revoar,
e a vida assim segue seu versejar.
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