Poemas de Luto
O que mais me assustava era já saber demais sobre a vida e, por isso, já compreender que as coisas humanas são as mais efêmeras
Embora nunca tenhamos sido nada um pro outro, eu tinha medo de soltar a sua mão mas também tinha consciência de que acabaria te esquecendo em uma madrugada fria, na esquina de algum pensamento ou desejo inesperado, e não voltaria nunca mais pra te buscar
que o fim me carregue.
*
"Instiga o intrigante verso surrupiado do pensamento. Faltas ditas, e o instinto é um atuar intuitivo e o mesmo que roubou a flor dos dedos, e, como uma fera alarmada denunciou as farpas jogadas. Pensa! Romperam os laços afetivos e na contramão só se vê abismos. Se encontram naquele diálogo, esperneiam, e saem em um descompasso obturado dos lábios que desfiguram o espaço pasmo.".
*
Ricardo Vitti
retrato mal falado.
*
"Roupagem nova e não se oculta à fala conterrânea dos fabulosos discursos matinais. Sempre foi a mesma coisa até que o eternamente o separe das mesmas gírias famintas. Passa-se fome e se condena nas mesmas feridas que o deram, e por mais o condenam. Flores no jardim e são os abismos que dispersam os bons dos maus. A vida continua, mas o pensamento final é que nos julga.".
*
Ricardo Vitti
BELEZA NO INFINITO DISTANTE
Certa vez, numa noite de brandura.
— Uma estrela de fulgir deslumbrante.
— Fitou-me como enternecido amante!
— Em contemplação à formosura
Creio jamais ter visto tão pura
Beleza no infinito distante.
— Deus, disse eu translumbrante
E com olhar comovido de ternura.
— Que estrela é esta a pulsar como artéria?
— É uma estrela de especial fulgência
Reflete no hemisfério, chamam-na Valéria!
— Ao anoitecer, ela exibe sua opulência,
Tão meiga, pura e bela quanto Egéria
Ninfa de Numa, que chorou por dolência!
Natalicio Cardoso da Silva
IMAGINANDO A MORTE
Eu, imperturbável, e sereno de mãos arrumadas.
— Os amigos vindos de distantes léguas.
— Abraços tristonhos, choros sem tréguas.
— As senhoras de negros fatos bem trajadas,
Trarão na memória, recordações vivenciadas.
— Virão, eu creio, em carruagens puxadas por éguas
Negras, visto que negro serão as regras.
— Com meu terço enrolado nas mãos geladas.
Rogarei a minh'alma, gratidão aos benfeitores:
Pelas exéquias melodias entoadas com lisura.
— Retirar-me-ei, pois dos anjos já ouço louvores.
— A vida se foi a visão tornou-se escura
O último suspiro coube a meus amores!
A Alma à Deus, e o corpo à terra dura.
Natalicio Cardoso da Silva
BOM VINHO
Para brindarmos escolha um bom vinho
Não necessariamente aquele sequioso,
Mas um que tu tenhas especial carinho
Desarrolhe o vítreo e sirva o licoroso
Nas ruidosas taças sobre branco linho.
— Em que pese o romantismo prazeroso,
Apanhei algumas flores pelo caminho
E cada qual com um perfume deleitoso.
— Em especial, colhi de surpresa esta rosa
Por sua beleza aprazível, amena e majestosa.
— Para acalentar os ideais de seus anseios
Enquanto bebermos nesta noite de outono
Se por ventura nos entregarmos a pesado sono,
Quero despertar além da doçura dos seus seios.
NATALICIO CARDOSO DA SILVA
MORRO DO BIM
Minha terra é bem assim
Tem vento envergando coqueiro
Céu azul de brigadeiro
E noites de amor sem fim
Tem o divino Morro do Bim
Cujo povo de espírito romeiro
Lá ergueu um belíssimo cruzeiro
E teve até missa em latim
Depois fizeram lá outro Jesus
Alto, imponente... de longe fascina
Mas não buliram na velha cruz
Eis Santo Antônio da Platina
Terra afável, que muito seduz
Nascer de ti foi minha doce sina
Natalicio Cardoso da Silva
TERNURA DAS FLORES
Venha! Queres ver a ternura das flores?
Se tu quiseres, verás Pétalas, Rosas,
Camélia, Verbena, Tulipas, babosas
E borboletas de matizadas cores
— Haverás de ver, por certo, Monsenhores,
Flor-de-Lis, Perpétua, Íris, gloriosas,
Gérbera, Azaleias, tomentosas,
Alfazemas, Onze-Horas, Dois Amores,
Verbena, Prímula, Nubilum, Peônia,
Cravo, Violeta, Rosa Carolina,
Crisântemo, Lisianto, Helicônia,
Orquídeas, Bromélias, Moreia, Cravina,
Corbélia, Girassol, Lírios, Begônia,
Flox, Amor Perfeito e Leopoldina.
Natalicio Cardoso da Silva
DUAS ESMERALDAS
Senhores, vedes aquela que passa peregrina?
Dela vos falarei com extremo gosto
Desnecessário se fará falar do rosto
Visto que tudo nela fascina
Talvez presumam que gabarei divina,
A qual velo, e que exagerarei no gosto
Eu vos direi que não... sol-posto,
Certo dia, no esplendor da lua albina
Eu vi, senhores, seus olhos brilharem
Na forma e na cor de duas esmeraldas
E como que apaixonados me fitarem
Dizei, vós, ó meus amigos em tela
Deve a musa enfeitar-se em grinaldas
E junto a mim rumar à capela?
Natalicio Cardoso da Silva
Sonhar é coisa corriqueira
Realizar requer pulso
Idealizo um pensamento avulso
Enquanto repouso em ladeira
Assim segue a indecisão
Confusa mente
Barulhenta...
Sequer segue o coração!
Das mentiras que são ditas
em noites claras de lua,
eis uma das mais bonitas :
"Eternamente, sou tua".
sobre o vento os meus sentimentos se vai,sobre a curva seu coração se esvai
Girando meus pensamentos sempre cai
Com incertezas em duvidas seus olha se distrai
Mesmo assim eu persisto
Mesmo assim eu insisto
Caminhando com passos doces
E pensamentos amargos
Tento seguir em frente
Em uma via de contra-mão
Seguindo as coordenadas
Que estão no meu coração
As placas disseram pare
Mas minha mente dizia não
Bati no muro do amor
Quebrei meu corpo e meu coração
Cenário da vida
Cenário da vida! Cenário dos sonhos!
Missão impossível viver em um só mundo.
É preciso ter coragem para sobreviver à realidade.
Se a magia do viver é extraída das explosões dos sentimentos,
Impossível impedir a fuga momentânea para o mundo dos sonhos.
Sonetos Acrósticos de Letheby I
Turu Pensante
Edáfico horizonte, em sua camada mais profunda,
Um ser se entranha, contorce, retorcido,
Ser sem dignidade, na crosta afunda,
O seu couro embranquecido, frio e umedecido.
Um silvo profere, ao ver um sulco,
Um oportunidade, pensaria se pensasse,
Mas há de haver luz, reflete o de tez de talco,
Assim que a cavidade do sulco terminasse.
Torce o verme cor de giz,
Raiar do sol, aí vou eu, se pensasse pensaria,
A ele não sabe, que sulcos nem sempre seguem uma diretriz,
Sulco sem caminho, sulco sem saída,
O que eu sou, sem direção ou motivação...
...de vida.
A cada dia mais amor
assim transborda o coração
e no dia especial dos namorados
há muito mais emoção
O par festeja sem esquecer
mais beijos, abraços, presentes,
tudo no bom intuito de ter
esse amor para todo sempre
Que haja e permaneça em união
cada casalzinho que se faz
envolvido em amor e paixão
em um ninho azul e de paz
Desespero Da Coroa
O liquido pungente chama
Sutilmente instiga o paciente
Ele obscurecera seus sentidos também
Pois é seu objetivo natural
Um dever que só o pertence
Peculiar, sua maneira e desejos são únicos
Ideais não te salvarão de sua cortina sedutora
Assim como agora me encontro, preso no seu dilema.
As visões atormentam consciência plena
Zombando de mim, a coroa deseja controle
Essência possessa é seu esqueleto, ofuscando significado grotesco
Aproveitando de meu reinado padecido em desprezo próprio
Corpo e alma permanecem intocados pelo júbilo nada comum
Alastrando, a doença é querida como roguei
Afogando crentes e descrentes em seu poder avassalador
O ouvir de dissonantes vozes em bramidos de ajuda
No jardim rasteiro, provendo a desesperada crença na cura
Pairando ramos venenosos sob vida, impedido de germinar
Há tempos insondáveis a noite rubra dominou a mente
A vontade não salvará o todo do perverso atraente
Regozijamos despreocupados do conteúdo latente
Crédulos, na tentativa inútil de renascer, nos vimos perdidos
Nascidos do pó cinzento, nossa salvação são gotas da coroa
Ó amargas gotas que bebo
Purificante da iniquidade incorpórea
Solva-me ao longo sono
Convoca-me em teu âmbito poderoso
Dando descanso aos meus olhos desfigurados
Põe descanso espectral sob meu fulminante ser
E reacenda minha vida na nova chama vindoura do carmim.
Futuro
Desprezo do pensamento
Todo dia que me perco
No fundo, a insegurança
Do próximo movimento
O Futuro é real?
Ou é só um instrumento
Criado pelas pessoas
Pra não se soltar no vento
E desaparecer
Cair no esquecimento?
Todos nós queremos tempo
Sendo que no fim das contas
Acabamos tirando
o Futuro do contexto
Será que o Futuro
Por ser nada
e tudo
É a nossa desculpa
de continuar com tudo?
Com tudo
Contudo
Futuro
