Poemas de Luto
AMARGURA
Dia e noite a lembrar de ti. Saudade
aperta o peito, e a emoção redobra
cada uma sensação de falta, ô sobra
no sentimento, ao sentir é vontade!
E, no sofrer que a tristura manobra
chora, implora, triste é a felicidade
e a dor, a ferralhar, traz calamidade
com solidão, notória, tão sem sobra
Dolorosa a recordação, o momento
a alma baixa, achacado de tal crime
assim, se vê, cair no esquecimento!
Tudo, ante ao fatal que afadiga tanto
o amor sem ter sua distinção sublime
vai se amargando sem ter o encanto...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
22/04/2021, 06’05” – Araguari, MG
O MEU SILÊNCIO
O silêncio ecoa no pensamento
Inflama sem dó o sentimento
Voa nas lágrimas perdidas
Adormece num grito constante
Gravados em instantes sentidos
Por todos aqueles que amam
Sem dúvida o sentido silêncio.
A esperança
A esperança não cansa,
ela não murcha,
ela não desaparece,
apenas nós não conseguimos enxerga-la,
mas calma lá!
Não podemos nos desesperar porque com o desespero
nós nunca vamos chegar nenhum lugar
e com muita persistência,
você vai parar,
vai respirar e vai olhar e quando você menos esperar você já vai estar lá.
Eram duas caveiras que se amavam
E à meia-noite se encontravam
Pelo cemitério os dois passeavam
E juras de amor então trocavam:
Ao apelo da caveira, por sua mão
Sentia se o bater, de seu doce coração
Aonde quer que ela olhasse, não tiravas a sua atenção
Apesar de seu pedido, ela lhe disse: Não
Surpreso e abatido
A questiona com um pedido
Poderia eu, não ser esquecido?
Meu peito esfriaria, pois tu o mantém aquecido
Não compreendo, meu amor não é decente?
Apesar de lhe amar, não posso compartilhar, o que meu peito sente
Sua alma que no amor é docente
É demais para essa jovem indecente…
Sorriso da madrugada
Eu olho para as paredes
E seus sorrisos perduram sem parar
A se eu pudesse, a seu eu quisesse
Me deixa mais uma vez, ver teu sorriso
Aquele da madrugada
Os lapsos de memória não param
E eles falam, dão meia volta
Se eu pudesse ver teus olhos de novo
Como naquela noite
Estava tudo tão lindo, tão agradável
Teu cheiro me confortava como uma canção
O luar brilhava
E a luz das estrelas fervilhavam,
Ao seu sorriso, teu sorriso da madrugada
Aquele tão puro que até eu caí em tua graça
Então por favor antes de ir embora
Me deixa mais uma vez, eu ver teu sorriso
Aquele da madrugada
Elite Brasileira
Elite brasileira
Egoísta e egocêntrica
Sempre se sentindo superior aos pobres
Elite brasileira
Sempre propagando e defendendo a desigualdade
Sempre sendo o retrocesso do país
Elite brasileira
Que pensa como os escravagistas
Que age como se fossem deuses
Elite brasileira
Que tem nojo de pobre,
Pois saibam que nós temos repulsa de vocês
Elite brasileira
Onde se encontra muitos conservadores ignorantes
Falsos moralistas
E cristãos que não seguem os preceitos de Cristo
Elite brasileira
Que são como parasitas
Explorando os mais pobres
Elite brasileira
Que enriquece às custas do trabalho dos pobres
Que vivem com regalias
Enquanto os trabalhadores passam fome
Elite brasileira
Que são a vergonha do País
Lobos em pele de cordeiro
24/04/2021
NIRVANA DOS CÉUS
Quantos céus têm aqui, basta o mel pra tocar.
E este manto azulado, aguçou meu olhar.
Quando estamos nos céus, no esplendor do sonhar.
Somos verbos de Deus, No existir, sem cessar.
E as florestas dialogam, com montanhas e mares.
Sobre os campos floridos, que se enfeitam de altares.
Querubins em falanges, reverberam as preces.
Dos altares dos povos, quando tudo adormece.
E uma estrela gigante, vem trazer outro dia.
Que alvorada divina, que celeste alegria!
E outros céus vêm aqui, quando a aldeia cantar.
Muitos céus querem vir, quando a mente cessar.
Cerimônias de céus, confrarias de sois.
O primor das essências, transcendeu dos crisóis.
Os etéreos se abraçam, os anéis se confirmam.
As sementes abrolham, as promessas se firmam.
Nas cirandas dos sois, deuses brindam nos céus.
Não há mais insciência, não há mais escarcéus.
Céus e Terras se casam, numa mesma canção.
Dois sagrados em núpcias, no Verbo da criação.
Céus e sois rezam mantras, vibrações salutares.
Replicando outras vozes, nas moções dos cocares.
E no bojo da vida, Pulsa o peito de Deus.
Paz na Terra aos povos, céus e sois, meus e seus.
Se não danças aos céus, terra e pão podes ter.
Mas viver sem os céus, é morrer, sem viver.
(Pedro Alexandre)
18 de junho de 2020.
O ipê florado no cerrado
Orvalhado, é um aparato
Um alvorecer encantado...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
Abril - Cerrado goiano
[...]Deus dá a todos o fado e bagagem
Uns querem atulhar de ouro e prata
Outros de leves passos, vão além....
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
Abril - Cerrado goiano
Quando estou sentado sinto que estou de pé,
Só pensando por voce mulher,
Esse sentimento nunca senti por alguem tanto quanto sinto voce...
Fiz tempo sem tiver para não lembrar de ti,
Mais nunca deixo de lembrar que te esqueci,
Se pudesse eu desenhava os sentimetos,
Para mostrar o queima no meu peito,
Não sei mais dizer o que sinto por voce,
Se é amor se é amizade se é paixão,
Não sei como expli ar e te dar razão,
Disso envadir meu coração...
Não aguento sem tiver,
Mulher o que eu sinto por voce,
É mais do que o amor eu não sei.
Consequência
Àqueles lamento
pois, vagueiam nos dias posteriores
como quem está a bordo de um barco
em água corrente
pois, assim são as coisas;
tudo que se tem
se esvanece
ficando a cargo da memória
que reflete como um lago à distância
visto com grande contraste
a beleza distante de um sol crescente.
Por tal se estende a saudade
como aurora rompante a escuridão
como sob chão e mar,
sob alma e corpo,
para uns, dolorosa e permanente
para outros, caridosa e confortante
a todos surge e urge.
Em combate; esperança,
cresce sob a luz, e pela luz
como grama ao sol
sonho, ao brilho produz
não espera o crepúsculo
inevitável, trazendo o vazio
de um sentimento infundado
nem saudade, nem esperança
apenas solidão.
A noite, tão funda e vazia,
resplandece sobe o astro
a luz de outrora
trazendo a tona
o sentimento passado,
seu criador.
Que refaz a saudade
de dias passados.
Saudades das noites vazias
Que deitado viajava
Olhando o céu escuro de luzes cintilantes
A conversar com os meus amigos em prozas semoventes
um poeta não sabe chorar
um poeta não sabe demonstrar
um poeta não sabe falar
o poeta só sabe escrever
quer saber o que um poeta esta pensando?
seus poemas deve ler
pois somente lá ele sabe viver
é onde seus sentimentos conseguem transbordar
um poeta é saber por palavras mostrar
tudo aquilo que gostaria de falar
um poeta é conseguir escrever
tudo aquilo que gostaria de saber
ou para fora botar
um poeta tudo sabe guardar
mas ao mesmo tempo
nada consegue esconder
pois todos conseguem o ler
pois seus poemas mostra
tudo que queria guardar
sem ninguém nunca imaginar
...Sara perguntou-lhe se sentiria Saudades, ele pausadamente,mesmo com a redução da palavra a fez enorme diante do tempo que demorou para falar e,tão enfático foi que feriu seu coração de forma irreparável .
- "Não, jamais sentirei Saudades de um brinquedo ,eu te avisei,não teria como sentir saudades de um amor com prazo definido".
Naquele instante, todos seus vestidos foram rasgados,todos os saltos de seus sapatos foram quebrados e toda sua maquiagem jogada na água ,não deveria se sentir menor e menos feminina pela rejeição. Assim ,olhou aquele homem com desprezo,comparou-o a milhares de livros que são rasgados por falta de conteúdo e percebeu que a decisão imposta seria maior que a perda.
Entregou-lhe a chave da casa de praia ,desejou-lhe felicidade,agradeceu-lhe o tempo que dividiram alegrias e chorou, chorou a noite toda até o seu encontro com a madrugada , sozinha, beijando compulsivamente uma garrafa de um frutado vinho francês que havia se esforçado na compra para uma noite de prazeroso romance bordado em sua mente.
Vestir de livros
Eu era menina inquieta
Travessa como uma pipa no ar
Eu era bola de ping-pong
A mercê de um rumo a tomar
Eu fui adolescente irreverente
Sem travas a me parar
Eu fui adolescente angustiante
Sem um caminho a focar
Eu fui adulto intrigante
Com vários caminhos a percorrer
Eu queria tudo ao mesmo tempo
Com o tempo a me perder
Eu fui adulto interessado
Com muita façanha a fazer
Me interessava por tudo
Depois que
Me dediquei a ler
Hoje sou madura tranquila
Aquela que sabe o que querer
Porque me vesti de bons livros
E viajo pra longe ao ler.
Lupaganini
Sobre o céu a bênção
do universo se forma,
Com isso conforma
Toda sua imensidão,
Como uma canção
que toca com amor,
nesse céu seu esplendor
toda noite prevejo,
em cada detalhe vejo
O toque do criador
Glosa: Madu Leite
Mote: Luís Eduardo
Paradoxo do mar
Tão sereno...
E ao mesmo tempo tão agitado,
Tão azul e tão acinzentado.
Meu semblante com ele se encontra e num instante eu o venero,
Fazendo das minhas palavras um grande mistério,
E neste paradoxo eu também me encontro,
tão brusca e tão amena.
Bem que eu queria assim ficar,
sempre perto do mar,
E as ondas contemplar.
Mas eu sempre quero estar aqui e estar lá
Tão livre que não dá para tocar,
E tão perto que me sinto a sufocar.
Sim estou apaixonada
mas não é paixão física
é uma paixão de criança
aquela que a inocência alcança
É uma paixão de olhar
de chorar ao se encontrar
e se ele não me quer
ai que pra mim o mundo acaba
Ai que estou amando
ele é lindo
e se não me admira
ai que outro olhar não mira
e um suspiro fundo finca
é meu peito estourando
é meu coração de balão
as vezes colorido,
as vezes não
Lupaganini
Sou um leão sem medo de nada,
Tenho Deus e bato de frente com tudo,
Sem ele não sou nada,
Com ele tenho tudo,
E nunca faltará nada, AMÉM🙏.
Chamego
Um carinho, um beijo
Um cafuné, um afago
Um chamego
Sem apego
Só paixão exacerbada
Uma saudade do amor verdadeiro não vivido
Não concretizado,
Mal-resolvido
Esquecido
Nos recônditos da alma
Ou nas águas do passado
Vidas passadas
Sentimento que invade e deságua
Nostalgia que não apaga a mágoa consentida
Um romance de cinema,
A cores ou em preto e branco
Não importa,
Apenas um chamego
Sem desespero nem cobrança
Com honra
Quem acha, engana
Pensa ser só uma aventura casual
Mas, não
O que faz falta é a entrega
É disso que o cotidiano, o dia a dia e a nossa vida está sedenta
É a joaninha que pousa de vez em nunca numa folha e nos revela sorte
É a flor que floresce só a noite
É o beija-flor que aparece sem avisar
É a chuva que molha depois de longos dias quentes de verão
É a esperança que surge na porta
É o ímpeto e o arrebatamento que aparece vez ou outra na nossa vida pra balançar nosso coração
O chamego que, depois da longa entrega, vai embora
Mas, não te deixa só
Fica sempre um pedaço com você e marca eternamente sua história
Fica sempre um jardim na alma que às vezes aflora
A falta de fôlego que não mata, mas no peito mora
Quando se lembra com carinho, no auge da paz e sossego
Secretamente daquele chamego
Que um dia adocicou seus dias amargos
Ou que podia estar contigo agora
