Poemas de Luto
►Parte do Ciclo, Aproveite
E se você descobrisse
O ano que ia morrer?
Me diga, o que iria fazer?
O que acabaria por resolver?
Apenas agradeceria pelo término de seu sofrimento?
Afinal a vida é difícil, eu comento
Por algum motivo já pensei sobre
Cessaria as dores
E por fim, em um caixão cercado de flores
Também acabaria as dores dos amores
Acabariam também as cores
Acabariam também os temores
Partiria desse mundo de horrores.
A morte é algo a se pensar
Pode a conhecer enquanto estas a caminhar
"Não a temo", alguns ouço falar
Mas será mesmo que não?
Choras-te a morte de teu irmão
Descreio na vida após a morte
A pessoa atropelada não teve sorte
Acredito que ela é o fim
Se a encontra-se, lhe diria sim
Será que ela precisas de mim?
Será ela capaz de matar até mesmo um serafim?
O que nasce, morre, isso é de lei
Sobre esse ciclo eu sei
Não adianta temer morrer
Não faz sentindo correr
Não faz sentindo esconder
Como já disse, só devemos viver
E a cada dia mais, aprender
Não posso dizer que não iras se arrepender
Pois eu mesmo posso dizer
Que me arrependo por coisas que fiz
Me arrependo por não fazer coisas que quis
"Viver sem arrependimentos" eu discordo
"Viver bem" concordo.
A sua vida pode acabar rapidamente
O seu tempo aproveite radicalmente
Porém não seja imprudente
Aproveite ela usando sua mente
Da melhor maneira possível
Da melhor maneira cabível
Faça valer a pena cada segundo
Se assim desejar, viaje pelo mundo
Se quiser, leve alguém junto
Faça da vida uma experiência em conjunto
Você verá que terá vivido muito.
Saudade em silêncio
Hoje a celebração é em lembrança
Da tua lacuna, forte é sua presença
Que no peito enflora em dor, lança
Que atravessa o amor, em sentença
Sinto falta neste silêncio, da aliança
Interrompida. Que a saudade lamenta
Reza, medita, e na fé, firme é a fiança
Pois, afeto de mãe não morre, ausenta!
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
'' Não sentir nada... me faz sentir tudo.
Um vazio que dói
Um silêncio que dilacera
Uma dor no coração
Um entalo na garganta
Uma vontade de chorar
De olhar pro nada
De me sentir calma
E não conseguir nada
Talvez tanto excesso de sentimentos
Me levou a não sentir mais nada.''
''Reclamava de sentir tudo em excesso..
Hoje o meu excesso,cessou.
Nada mais sinto.
Apenas um insensivel coração.''
''Ainda consigo me ver em teus olhos
Mesmo que tão distante de mim você esteja.
Não é a distância física que nos separa
É a impossibilidade. O improvável. O talvez.
O nunca foi. O nunca será.''
''Ando por aí...Parece que todos me olham com raiva. Como se eu fosse uma criminosa.
Não matei, não roubei... Eu só amei.
E agora tento matar esse amor, que ainda trago aqui dentro.''
''Não sei o que fazer sem você aqui.
Você era um pedaço de mim.
E você se foi. Não quis ficar. Nem sequer tentou ser um amigo. Pra me dar abrigo nas noites frias. Pra me mandar uma mensagem de bom dia. Não posso suportar essa melancolia, que é viver sem você.''
''Como pode ser tão frio?
Me olhar nos olhos
Vendo essa minha tristeza
E não fazer nada
Se culpe pelo menos
A culpa é sua
Não vou carregar isso sozinha.''
''Queria me vingar de você
Te ver e não sentir mais nada
Te tratar com a mesma indiferença que me trata
Com a mesma frieza
Com a mesma indelicadeza
Não deixar mais
Meu coração saltar quando te ver
Paralisar todos os sentimentos que tenho por você.''
''Saí de mim
E me escrevi
Descrevi.. tudo que sinto aqui.
As palavras são poucas.
Tenho muito a falar.''
Talvez eu seja uma louca
Talvez eu seja uma inconsequente
Ou apenas uma adolescente.''
''Não consigo parar de escrever...
É um surto de palavras
Um vazio que me tira a calma
Preciso escrever
Pra ver se ainda sou humana''.
SONETO PRO SONETO
Caro soneto, de refúgio confortante
Que traz na trama a rama do agrado
À lágrima, que na face tenha deslizado
Em dor ou ventura, por algum instante
A minha reverência o meu obrigado
Por tua canção com emoção vibrante
Que canta e encanta a todo o instante
Aos olhos leitores, ao belo consagrado
És acordes de fascinação em harmonia
Nas rimas a estima duma tal sabedoria
Que acolhe, afaga e nunca és obsoleto
Pois, em tua imortalidade, imortalizam
Os sonhos, os devaneios, que deslizam
Da alma, desembocando em ti: SONETO
Luciano Spagnol
Julho de 2016
Cerrado goiano
SONETOS PERVERSOS
Enquanto escrevo meus silêncios, mastigo
as angústias que esmoam os meus versos
desnudando cada face dos meus anversos
em espavento diversos e um tanto ambíguo
Traz paz e inquietação, e alguns reversos
camuflando a escuridão num manto amigo
criando uma solidão que conversa comigo
dos penares e ledices no viver dispersos
A poesia enflora e a ela o prazer bendigo
no ermo do âmago, dos sonhos submersos
e assim, vou metamorfoseado num abrigo
E nesta tal plenitude dos meus universos
a quietude em constância como castigo
feri a lira do poeta em sonetos perversos
Luciano Spagnol
Julho de 2016
Cerrado goiano
Aprendi que não se pode exigir o amor de ninguém, pôde-se apenas dar boas vindas!
Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Saudade, essa palavra
que arde e da falta provenha
que não tem quem explique
e ninguém que um dia não tenha...
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
CERRADO
cascalhado
de ser árido
ressequido
de pó diluído
diverso
de ser disperso
encantado
a ser cerrado
no seu multiforme
enorme a fulgência
num misticismo, ambiência...
Luciano Spagnol
Julho de 2016
Cerrado goiano
