Poemas de Luto
Ela era livre em seu estado selvagem
Era uma nômade uma gota de água livre
Ela não pertencia a nenhum homem
A nenhuma cidade
Ela era uma guerreira..!!
..
Livre...me libertar..
Apenas decidi abrir minhas asas e subir..!
Não vou preencher os vazios
Com suas lembranças..
Quero fugir dos ataques do seu olhar..
Fugir dessa incalculável luta por seu amor..
Em vão..
Vou preencher o vazio da sua ausência
Sem medir a distância e as consequências
Quero voar
Sentir-me livre sem ocupar mesmo espaço.
Quero ir além, onde não tenha rua,
Não tenha farol, nem esquina.
Onde não deixarei rastros..
Estou desativando suas lembranças,
Desta frequente colição de nossos corações
Que me atropelam constantemente...!
Vou acabar de vez com essa inquietação
Desses suspiros, desses desajustes..
Parar de mentir para mim..
Deixar definitivamente de pronunciar seu nome..
+sonia solange da silveira Ssolsevilha
GARIMPAR ESTRELAS
Procurando o verso no peito
eu sou como um garimpeiro
cravado no ventre da terra
– em suor e solidão –
buscando sua salvação.
Tal qual esse homem de fé
não me falta esperança na lida
nem me tem o amor de partida:
a palavra é meu tesouro
e meu verso, meu ouro.
Cada dia é uma despedida
e cada queda uma ferida,
mas quem vive da busca não morre
– em tempo Deus socorre –
vai garimpar estrelas.
DIA A DIA
Queria ter uma orquestra de sapos, cigarras e grilos.
Queria um céu de vagalumes, borboletas, canarinhos.
Queria criar tigres, sereias e golfinhos.
Queria tanto, queria encanto.
Mas venha cá, não se assuste, seja amigo.
Vou contar-lhe um segredo, não espalhe, guarde consigo:
– Eu tenho isso e tenho mais, menos paz.
Converso com anjos e sinto demônios, dia a dia.
Vejo mundos, ouço cânticos, por mania.
Eu tenho um buraco embaixo da cama
que dá na rua, dá na lua, em Berlim.
E não adianta correr, esconder-me, está em mim.
Eu digo sim, abro o peito, abro a porta,
pra uma vida curta, pra uma vista torta.
NOITE DE ESTRELAS
Joguei fora o paraquedas e pulei,
voei como um míssil por entre as nuvens
espalhando no céu canções de paz
e lembranças de dias passados.
Tudo o que se tem é o agora
e cada momento será como uma ressurreição.
Darei à luz um campo de girassóis
e semearei palmeiras na lua,
para que não falte beleza e esperança.
Minha casa será uma noite de estrelas,
onde as crianças crescerão descalças
e cavalgarão unicórnios.
Com um grito lançado ao vento
rebatizarei o homem de errante,
pois suas perguntas só terão respostas
na ausência do medo de tentar
e na consciência de que só se pode ser sincero.
A única fome será de amor.
A única sede será de vida.
Não existirão horas e minutos, nem relógios,
o tempo se medirá em sorrisos e abraços
e em banhos de cachoeira,
sendo proibido não ter tempo.
Cada coração será uma janela aberta,
de onde se verá uma complacência fraterna
do homem para com tudo
que o cerca, que é vivo e sente,
que acaba e deixa saudade.
Nesse mundo de mãos dadas
num arco-íris esconderei minha derrota,
para que esse desejo egoísta de ficar
se mostre belo nos dias de garoa.
MINHA MELHOR ORAÇÃO
Eu rezava para Deus minha melhor oração
quando te obrigava a um sorriso ligeiro
por qualquer bobagem sem graça.
Eu bendizia ao Senhor
quando te levava à gargalhada,
sua irresistível gargalhada
que ecoava por horas no nosso bairro
como um desatino da felicidade.
Eu corria o meu terço mais puro e sagrado
quando caçava teus beijos entre os lençóis
e encontrava meu paraíso
fincado nos teus olhos de conivência.
Eu pedia devotamente ao Redentor
– na minha silenciosa súplica –
para que a eternidade
fosse o quintal dos nossos sonhos
ou um simples reflexo
das horas em que vivemos um do outro.
O DITADOR
Se eu fosse o ditador da Síria, da Líbia ou do Iêmen
– lutando pelo poder –
não atiraria balas, não lançaria bombas:
a revolução não se curva às armas.
Eu atiraria rosas, lírios e tulipas,
recitaria poemas e entoaria canções:
eu mataria de amor.
Se eu fosse o ditador do Egito, do Iraque ou da Jordânia
– lutando pelo poder –
não atiraria balas, não lançaria bombas:
a revolução não se curva às armas.
Eu lembraria histórias, causos e mentiras,
compraria um circo e contaria piadas:
eu mataria de rir.
Se eu fosse um sangrento ditador,
eu deixaria de ser um sangrento ditador.
Não atiraria balas, não lançaria bombas, não faria nada:
eu mataria de tédio.
A IRRESISTÍVEL PREDADORA
Seu sorriso era um convite manifesto,
mas despiu-se aos poucos, em singelo gesto.
Escondia-se à sombra, acanhada, indefesa,
como uma aranha seduzindo a presa.
Respirava desejo, ardor, com malícia contida,
e desarmado, surpreso, esperei a investida.
Eu era um inseto imóvel, deslumbrado,
somente esperando ser devorado.
E O QUE MAIS PODERIA SER?
O que mais poderia durar para sempre
senão o minuto que acabara de passar,
deixando teu fantasma cravado nos meus olhos
como a cicatriz de uma faca que aleija uma rosa?
O que mais poderia ser eterno
senão aquele beijo inesquecível,
que durou o tempo de uma vida libertada
ou uma caminhada pelo quintal das estrelas?
Onde mais poderia estar o paraíso
senão guardado nos teus sorrisos e nos teus gemidos,
que ecoam como o bater das asas de uma borboleta
nas minhas noites de luas repentinas?
Onde mais poderia encontrar o perdão
senão escondido no nosso pecado de amar,
que navega sem velas e ao acaso do vento,
guiado pela própria inconsistência da maré?
Em qual sermão poderia vislumbrar a redenção
senão nos segredos que me sussurra a luz do dia,
bendizendo teu singular passar pela praça
e a sorte que tem quem pode te tocar o coração?
RENASCIMENTO
Eu não vou chorar por coisa alguma,
estou dando uma segunda chance à vida.
Tudo aqui é um milagre.
Vou bradar aos céus:
– Eu quero raios e trovões!
Tenho-te como uma mãe abraça o filho que nasceu,
cheia de carinho e fé
e com a certeza cega de que tudo vai dar certo.
Estou lapidando meu diamante
e a pureza é indescritível,
terá o preço de cada manhã futura.
Inestimável
como o cheiro do amanhecer no campo.
Simples como não se esquecer de aguar uma semente,
porque essa palmeira que plantei
não se envergará
nem se quebrará ao convite do vento.
Sou como um velho barco quebrando ondas em um mar revolto:
LIVRE!
SE NÃO PUDERES MAIS ME AMAR
Se não puderes mais me amar,
tudo bem, eu compreendo.
Afinal, nos seus dias há saudade logo cedo
e nem todo ouro posso te dar.
Se não puderes mais me amar,
se não fores mais capaz de se alegrar
com minhas ranhetices e manias, não tem problema.
Afinal, toda rosa quer ser tema de poema.
Se não puderes mais aqui permanecer,
se tiveres que seguir seu caminho com razão,
não olhes pra trás e se permita renascer.
Só não te esqueças de que cabe ao sol render a escuridão.
Por isso, não se torture e tenha nos passos firmeza
e nos olhos aquela velha paixão pela vida.
Eu estarei a lembrar da minha paixão perdida,
mas tudo bem, reencontrarei a amiga tristeza.
SONETO DO AMOR EM COLISÃO
Criatura de intensa inquietação
é amor que se apresenta em colisão:
pintor que na pintura tem prisão,
potro que não teme a fúria do peão.
Encontro nos teus olhos minh’alma
que roubaste com consenso e calma,
para ser indômito e imenso
caso, enlouquecido e intenso.
Secretamente corro teu corpo
como quem tange arisco rebanho,
sob a planície de um céu tamanho.
Aceita-me com pose desfeita
– aí está a suplica de socorro –
onde nasço e noutro dia morro.
Todos somos frios e categóricos ao afirmarmos:
"O amor não tem explicação!";
aí...vem um caloroso carinho categórico,
e nos dá várias explicações.
Escolhas
Lágrimas percorrem o meu jardim torturado,
Por esta tua falta, quase inaguentável;
Vieste como o sol ao iluminar o dia e foste embora como o vento que invade este esmorecimento,
Sonhei que vós me pertencia e gritasse objetivamente que não me compreendia;
Você se tornou um diamante sem fim, desejável mais não tocado,
E isso afastou o sonho, de pularmos juntos nesta cachoeira de uma vez;
Não sei o que sinto, dor ou um breve desatino?
Será que existe destino ? ou foi apenas uma alucinação real deste desejo fatal?
O que será que vais sentir, quando um dia você descobrir o verdadeiro sentido da inconstância que escolhesse para ti ?
O que será que vais sentir, quando perceber que você nasceu para mim?
O que será que vais sentir, quando inferir que não irei está mais aqui ?
Ás vezes me arrependo de ter construído este sentimento,
Ás vezes dou risada, por tantos planos e palavras que me deram a ideia de um dia ser amada,
A culpa deve ter sido minha, por ser intensa e apenas uma menina;
A culpa deve ter sua, por precisar ser tocado para constatar que está sendo amado;
Deve está tudo errado, por que nunca existiu um culpado, pois no fundo sempre soube que eras belo e estranho para ser alcançado!
Sonho é como o mar,
lindo, incerto, extenso, agressivo, passivo;
Não admiramos o mar todos os dias, como também não sonhamos;
Sabemos quando entrar e sair,
Talvez, entramos por expectativas e sairmos por medo de ondas fortes ou tempestades pesadas;
Creio que sonhar seja isso, lindo e possível quando escolhemos busca -lo
Amargo e vazio, quando temos receio de naufrágio, logo ali, no começo do desafio !
Incertezas
''Quem sou eu '' ?
A incrível busca de algo (...) que não sabemos diretamente o que seria este algo ou o que seria Eu.
Buscamos tantas coisas, grandes e pequenas, altas e baixas, abstratas e nítidas, mais de onde será que vem esse sentimentos ''de busca '' existencial? buscamos construir algo ou tentamos nos auto- construir?
Creio que ... a vida seja uma grande construção que pode ser interrompida a qualquer momento, desencadeando uma angústia e ao mesmo tempo um prazer (...) talvez, esse seria o sabor da vida ... INSÍPIDA (sem gosto) , tão intensa e angustiante, ao ponto de não identificarmos o seu sabor.
Uma vez eu queria ser normal
Eu tentei, sabia que era diferente
Mas então eu percebi
que o pior diferente e o "normal" que não segue os instintos da própria mente.
Plenitude de beleza,
Plenitude de doçura,
Plenitude de afeto,
Plenitude de carinho,
Plenitude de sensualidade,
Plenitude de prazer...
Mas mulher às vezes é um pé-no-saco.
SORRISO
Ás vezes me pego flutuando em outro mundo, tentado descobrir a sua fórmula;
Ás vezes me pego te procurando, no espaço, a procura de um cheiro ou um abraço;
Ás vezes me pego navegando, entre ilhas e nos campos, buscando o teu rastro dentro de livros ou entrelaços;
Ás vezes me pego desesperado, na incerteza de ter-te para sempre ou só por acaso;
Ás vezes me pego sem sentido, quando some e não manda um aviso;
Ás vezes me pego assustado, quando outros tentam tomar meu espaço;
Ás vezes me sinto confuso, quando busco explicação para este mundo;
Ás vezes me sinto com desejo, ter-lá aqui deitada no meu peito;
Ás vezes tenho raiva, pois te sinto e logo, me acalmas;
Ás vezes me pego bobo, imaginando está contigo comendo bolo;
Ás vezes me pego envergonhado , toda vez que te olho sério, e você abre o teu sorriso belo;
Ás vezes me pego escrevendo, cartas ou juramentos, mostrando esse sentimento que me toma de um jeito que faz delirar, só por tentar descobrir, como você foi feito para mim;
e (...)
Ás vezes me pego pensando ... que sorriso estranho; que me faz descrever em poucas palavras o quanto eu amo você.
Profanos são esses delírios
Que alegram o meu ser
Corrompem minha alma
E me enchem de prazer
Numerados como os dias da semana
Encher-me de agonia eles vêm
a agonia de saber que são errados
os quais, são chamados capitais
delírios de codinome pecados.
Meu conselheiro é o vento
Com ele ando à conversar
Ainda que nada fale
Está sempre à me alcançar
Sempre me faz refletir
Em minhas lembranças imergir
Este mesmo vento sempre sopra
Trazendo consigo amargura
De tal forma, vai e volta
Sendo para mim, ares de tortura.
