Poemas de Luto
Do que me adianta a boêmia dos domingos de verão, se o álcool perdeu seu efeito quando eu me perdi de mim?
Do que me adianta a química a abrasar minhas entranhas, se a vida por conta própria tornou-se uma distópica alucinação em carmim?
Do que me adianta a fumaça, o trago, a catástrofe, se meus pulmões insistem em resistir a este fim?
Do que me adianta a retalhação da derme, se eu sei que a vida vai cicatrizar e mais uma vez me matar ao fim?
Do que me adianta a fuga, se até o valhacouto atirou suas culposas paredes, em pura fúria, contra mim?
Agora à procura de redenção, eu prometo e ponho assim minha honra em jogo. Prometo não mais ser feliz, se isso custa o ar de quem antes dissera ficar, mas nunca me contara sobre sua incapacidade de respirar. Prometo não mais amar, se isso custa o conforto de quem antes jurara não se incomodar. Eu, tolo pássaro, sei que nunca poderia voar, mas ainda assim quatro vezes quebrei minhas asas ao tentar, e há uma única coisa que não posso prometer, algo que não me atrevo a jurar, não posso dizer que por uma quinta vez, não voltarei a quebrar.
O Amor e o Tempo
O tempo passa vagarosamente
As horas passam e eu perco o rumo
Passeando por minhas lembranças eu entendo
Você jamais saiu dos meus pensamentos
Penso no amor que poderíamos ter vivido
Se tivéssemos coragem
Se conseguíssemos demonstrar
Seria um felizes para sempre?
Se… há, tudo passou
O que sentimos nunca foi dito
Mas ainda penso com carinho
No que poderíamos ter vivido
A verdade é que no fundo
Eu sempre estarei cultivando
Esse belo amor platônico
Que guardarei só para mim
Por acaso, um mero acaso, um ajuntamento promovido pelo caos cósmico, nos encontramos
E por outra vez você passa à porta, por conta dessa insensata sina ou dependência emocional
Todos são assim, com palavras e olhares, e referências sensitivas e culturais
E toda a história se desenrola e como ainda em tudo é humana, corresponde ao chamado
E os minutos comem os dias e as horas todas, e nos regozijamos de todo o nosso ser
E já não pedem, já não apenas querem, precisam
E o feitiço, como soe aos incautos, virou-se contra si mesmo
E sílaba após sílaba
Mão a mão
Cheiro e gosto
E vislumbre após vislumbre
O que era um flerte transformou-se, em última instância, em química psíquica, e tudo se transformou numa substância que era necessária à sua subsistência.
Daí por diante, vieram todas as consequências de mais que uma paixão, um metabolismo cru, molecular, que atingiu toda a fisiologia, indo até o comportamental.
Cria-se um mito, uma divindade, uma instituição, um universo desejado, uma utopia confessam, uma pulsação nuclear.
Não era mais nada deste mundo, era do seu, só seu, embora nem você soubesse.
E um encontro verteu em uma obsessão inglória, um ciclo vital da conjunção carnal ao choro umbilical, e segundos depois aos trôpegos passos e às dúvidas adolescentes, e fase após fase a imensidão do instante se propaga.
Tudo humano, tudo visceral, todo desejo, tudo milenar e animal.
E dias após, você desperta.
E a vida segue
E eu fico.
Errado sempre foi beijar sua boca
sem falar o quanto te amava
sentir teu abraço e mesmo assim fugir
fugir de um sentimento
que estava presente em mim
muitas noites, muitos dias e vários anos
correndo de mim para não te procurar
hoje você partiu
e nunca tive a chance de te falar
vou amargurar a saudade
como pena vou viver essa prisão
te amei e nunca falei
perdi toda minha vida
por indecisão
sem saber se você me amava
eu destruir meu coração
e mesmo sem ter motivos
eu não insisti
e esse é meu triste fim.
BOM DIA!
A vida renova-se, todos os dias
É preciso agradecer ao Criador,
Independentemente da vivência...
O acordar, devemos ao Senhor,
Uma graça que é igual pra todos!
2020
Dois e mil vinte um ano de tragédias,
de muitas perdas, muitas dores.
E na política somente de discórdias
Sim, não há como negar, muitos dissabores
Não podemos ignorar todo esse sofrimento
Por isso que tenhamos empatia
Mas não podemos cair em lamento
E busquemos com todos harmonia
Vamos nós, sobreviventes,
focar em fazer o bem e agradecer,
afinal somos todos remanescentes
E com tudo que se passou temos de aprender
Aprender a amar o que possuímos
Saúde, familia, alimento um teto,
E como ser humano, nos reconstruirmos,
Aprender a valorizar o afeto
O beijo o abraço a união
Que comecemos uma evolução!
Me permiti sentir meu amor
Aquele guardado no meu peito
Não me lembro bem de quando fiz isso nos últimos tempos.
Quero ser brisa ao voo de uma ave,
da rosa o perfume em sua mais pura essência,
numa pauta a mais doce clave
e em seu coração nunca ser ausência !
Soleira
Do dia, na soleira,
deixo minha algibeira.
Pouco peso,
recomendação dos poetas, profetas.
Carrego poesias indefesas,
um pouco de vento e estrelas,.
Sorrisos de crianças, doces lembranças,
de sábios, loucos mambembe,
deixaram por ali e acolá,
e, que hoje vivo a procurar.
Coloquei um bloco de gelo rodiando o coração,
Mas não por maldade apenas por proteção
Porque essa vida é louca demais
E ela é coberta de crueldade
É fato,é apenas a tal realidade
Eu tô aqui fazendo poesia na continuação dessa minha missão
Muitos já tentarão me abalar mais eu não cair na tentação
Então como guerreiro tentando sobreviver nesse louco lugar
Prazer tô estilo vulcão que nem jogando água pode apagar
Sei que poucos tem coração mais eu ainda tenho e tá nesse lugar
Paixão é o que me mover me faz acreditar que isso tudo ainda pode mudar...
Boi com sede no sertão,
É de partir o coração,
Ver os quarto arriar,
Sem um pingo de água pra dar,
Ver o bicho chorar,
E não ter como consolar,
Ver tanto lugar com água a fartar,
E tanta gente a desperdiçar..
A velha porteira no cerrado
De madeira e de saudade
Compondo verso calado
E da recordação, suavidade
Suspiros ao coração, alado...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
eu não desejo
mudar o passado
ele me fez
quem eu sou hoje
eu apenas quero
aprender com isso
e viver de uma nova maneira
Eu sou teu rei, te torno minha rainha, se curve perante a mim, que eu me curvarei perante a ti.
Juntos não somos um, juntos somos dois, duas almas completas, não duas metades incertas.
Eu sou teu sol, tu és a minha lua.
Brilhe por mim, que eu brilharei por você.
Lua
Atraente e brilhante.
Guia da meia noite.
Sobre mim, carrega,
e como o mar me leva.
No escuro é a luz.
No meu pensamento reluz.
Dizem que tu és magia,
e, de fato, me encanta.
Para crianças é de queijo.
Para o sol, um lampejo.
Conjunta ao frio,
presencia abraços e beijos.
Te vejo refletir no mar,
e deitado na areia,
com tuas ondas em mim,
minha mente anseia.
Espero meu transtorno submergir
como um oceano nervoso em meus punhos.
Pego a caneta e me enfio em absurdos.
É tão desinteressante ser além do esperado,
mas essa magia não me deixa esvair.
Então o farol vem até mim; e eu digo adeus.
" Para me sentir inteira, permito-me ser vista pela metade.
É que, muitas vezes, estando inteira,
Sinto-me solta em uma grande mundo sem direção.
Porém, quando fecho os meus olhos, sinto que o mesmo sol, que inteiro me banhou inteira, também se divide, se torna metade.
Assim, eu me uno a ele e juntos nos completamos.
E é assim que renasço!
Mas é assim, também, que aprendi com esse astro que é rei, que posso ser rainha, basta que me ilumine!"
Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto –
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente: eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto me dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
"O amor é alimento para a alma,
mas também pode entorpecer a razão,
em recíproca medida,
um bálsamo que encanta e acalma,
em indiferente medida,
um tóxico que enlouquece e enjaula."
