Poemas de Luto

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enquanto estivermos presos
ao nosso egoísmo
ao nosso narcisismo
ao nosso fanatismo
ao nosso perseguismo
ao nosso sofismo
ao nosso abismo
ao nosso modismo
ao nosso psiquismo
ao nosso racismo
ao nosso cinismo
ao nosso idiotismo
ao nosso sadismo
ao nosso alarmismo
ao nosso banditismo
ao nosso brilhantismo
ao nosso canalhismo
ao nosso centralismo
ao nosso negativismo
ao nosso sensacionalismo
ao nosso comodismo
ao nosso conformismo
ao nosso terrorismo
ao nosso vitimismo
ao nosso consumismo
ao nosso cretinismo
ao nosso dramatismo
ao nosso esnobismo
ao nosso extremismo
ao nosso derrotismo
ao nosso masoquismo
ao nosso pessimismo
ao nosso falso moralismo
ao nosso exclusivismo
é como se tivéssemos
uma âncora nos pés
ou algemas nas mãos
é o mesmo que irmos
contrários à evolução
é se perder sem noção
é ficar sem razão
é se entregar à depressão
é nadar contra a correnteza
é viver sem firmeza
é se depreciar
é deixar de voar
de sonhar
de realizar!!!

e se Deus quiser
eu vou
espantada
silenciosa
atônita
surpresa
catatônica
silenciosa
(in)segura
calada
amordaçada
nem que seja dentro
de uma camisa de força
à força
mediante força divina
e a expressão: "não vou nem amarrada"...
cai por terra
ou melhor
jogam terra por cima de mim
do meu imperfeito ser
da minha consciência pesada
da minh'alma atrasada
do meu coracao angustiado
e eu fico ali parada
refletindo tudo o que eu fiz
para merecer, e pior
tudo o que eu deixei de fazer
o tempo que perdi
e não mais encontrei
porque eu não procurei
e tenho a certeza
que quem procura acha
então eu só acho
mas não tenho certeza de nada
e eu nado nas profundezas
das minhas lágrimas
e eu lamento e lastimo
reclamo e estimo
pela hora da partida
e também a hora da chegada
no plano divino
Ele sabe da minha hora
e nem de relógio precisa
basta ver quantas vezes
eu vi o nascer e o por-do-sol
é assim que eu também sei
que chegou a minha hora
e eu contei os segundos
para o suspiro final!!!

Flor tem alma feminina
e mulher tem alma florida
ambas secam
quando não forem regadas
com amor!

desfilando como porta bandeira
da causa (im)possível
e rodando a baiana
em cima da corrupção!

GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA

Essa nação que só tem coração
Não têm olhos nem têm ouvidos
Mal se compadecem pelo seu cidadão
Sofrendo e chorando morrendo aos gritos

Ouve-se, então, um pedido de socorro
Lapidado no tom de uma voz pueril
Do fundo da garganta de um corpo febril
Mas ninguém pára, ninguém quer, ninguém vem ajudar,
estão todos ocupados pra se preocupar

E de pouco em pouco morrem os nossos cidadãos
Manchados de sangue sem justiça nas mãos
Homens que traçam seu próprio destino
Com tempo e suor verdadeiros artesãos
Infelizmente permanecem reclusos
Escondidos nas sombras de seus desvãos

Queria eu poder sonhar com a revolta do pião
A quebra do tabuleiro e o fim da disputa
Nem branco nem preto, nem cutia nem gavião
Nem rico nem pobre, nem cético nem cristão
Apenas pessoas, frutos do mesmo embrião

Mas com esse jeitinho brasileiro
Que é quente no frio e frio no verão
Tanto pode ser ruim como também pode ser bão
Que ajuda seu josé mas prejudica seu João
Que esconde os erros embaixo do colchão
Esse jeitinho brasileiro
Que temo que seja nossa problema
mas também nossa solução
Nada hai de mudar por ele senão

Até lá, vejo fome surgir e corrupção se espichar
O povo que come milho se debulhar
Que engole verdade sem questionar
Que ve os estragos sem se assanhar
De nada adianta “Deixa pra lá”

Afinal, se não for futebol, samba e novela
Nem é brasil, só mais uma remela
Pois eu lhe digo: tenha muita cautela
Limpe seu olho e acenda essa vela
Cuidado pra não ser pego pela própria rela
Pássaro de asa cortada é prisioneiro de sua própria cela
Aquele que se conforma é barco sem manivela
Vive pra ser guiado sem direito a sua tutela.

não era esta a independência que eu sonhava
não era esta a república que eu sonhava
não era este o socialismo que eu sonhava
não era este o apocalipse que eu sonhava

partido: o que partiu
rumo ao futuro
mas no caminho esqueceu
a razão da partida
(só perdemos
a viagem camaradas
não a estrada
nem a vida)

Quando Cabral o descobriu,
será que o Brasil sentiu frio?

Diz a História que os índios comeram o bispo Sardinha.
Mas como foi que eles conseguiram abrir a latinha?

Qual o mais velho, diga num segundo:
D. Pedro I ou D. Pedro II?

De que cor era mesmo (eu nunca decoro)
o cavalo branco do Marechal Deodoro?

Portuguesa

– Manuel, quando é "agora"?

– Ora, pois pois;
depois do antes ou antes do depois!

MULHER SOFRIDA

Ela é eclíptica
Elíptica,
Assíndeto fantástico
No meio das frases

No pé joanete viril
Nos dedos pelos claros

Nas mãos: safira delicada
Joelhos, ainda, ralados

Nas feições: alegria constante
No coração: um grande calo

Sorriso de ternura e simpatia
Dureza dos chás de realidades .
Já nem dói as saudades,
Já não dói o vexame,
Nem o balde d’água fria
.
A marca de desprezo…
O descaso, rebeldia,

Tentativas de sabotagens
Com fins de nó no peito
Mágoas, brigas, tortura…

Nada dói como já doeu
Tão pouco alegra muito o elogio

Carrega a dor apenas
De suportar nos ombros
Seus sonhos profundos

Calejou, amorteceu,
Salinizou bastante a terra
Ainda assim floresceu

Para o algoz ela sorri
Para o amor ela sorri
Para o terror ela sorri

Segue nesse deboche
{sorriso
Transbordando paz. .

Qualquer drama, briga
ou encrenca
Agora são café ralo
em xícara pequena

Em uma dose se bebe
Nem se sente o sabor

O torpor do constante
sofrimento
A fez fugir para a Lua,
Lá despertou a felicidade
Cozinhou a garotinha crua

Só precisava de um clique
Estava dentro dela…
Ninguém a rouba mais.
Está bem mais esperta…

Ela já viveu muitos invernos
Sobreviverá a qualquer frio trépido. .
Já enfrentou níveis de polimento
Deixou o escarcéu por marolinha
E choro pela morte da Bezerra

Sou peito é escudo forte
Sua mente fincou no que acredita

Nenhuma arma de doces
Muda as mais fortes certezas

Ninguém a tira o amor
Ninguém a tira o calor
Ninguém a tira a delicadeza

Mulher sofrida
Pérola polida
A sua alma brilha
Em diamantes cintila.

Perspectivas

A libertinagem intesifica a reciprocidade
Não há sentido demonizar quem vive para o prazer
A religião que tornou a conduta profana
Esconde Deuses libertos alados às camas

Do que adianta dar asas aos anjos
se a ética não lhes permitir voar?

Bonecos moldados por uma falsa moral
Guardiões de um exército falido
Travestidos de bem, praticando o mal

Discussões evitadas, palavras não ditas
Quem sempre nega a culpa
Há de amargar o arrependimento

A dor do coração partido
Ao ver ela partir
Me revelou ser inútil
Enquanto esteve aqui

Todo amor vira ódio
Quando vencido pelo tédio
Consciência de inércia
Me fez assim tão só

Eu não te ordeno, te peço,
Não é querer, é desejo;
São estes meus votos - sim.
Nem outra cousa eu almejo.
E que mais posso eu querer?
Ver-te Camões, Dante ou Milton,
Ver-te poeta - e morrer.

Ela! minha estrela, viva e bela,
Que ameiga meu sofrer, minha aflição;
Que transmuda meu pranto em mago riso.
Que da terra me eleva ao paraíso...
Seu nome!... Oh! meus lábios não dirão!

Nas Praias do Cuman / Solidão


Aqui na solidão minh'alma dorme;
Que letargo profundo!... Se no leito,
A horas mortas me revolvo em dores,
Nem ela acorda, nem me alenta o peito.
No matutino albor a nívea garça
Lá vai tão branca doudejando errante;
E o vento geme merencório - além
Como chorosa, abandonada amante.

E lá se arqueia em ondulação fagueira
O brando leque do gentil palmar;
E lá nas ribas pedregosas, ermas,
De noite - a onda vem de dor chorar.

Mas, eu não choro, lhe escutando o choro;
Nem sinto a brisa, que na praia corre:
Neste marasmo, neste lento sono,
Não tenho pena; - mas, meu peito morre.

Que displicência! não desperta um'hora!
Já não tem sonhos, nem já sofre dor...
Quem poderia despertá-lo agora?
Somente um ai que revelasse - amor.

Poeta eu não sou.

Não sou poeta nem ao menos sei escrever, mas conheço de amor
Dores que me fez sofrer, conheço de sentimentos não correspondidos
Conheço de frases não faladas ou não ouvidas,
Conheço de magoas não apagas e ressentidas
Mas o que mais conheço é o recomeço, pois não existe amor sem recomeço,
Não existe feridas sem curas, cicatrizes sem marcas
Passados sem lágrimas,
Mas do que isso importa, não preciso ser poeta para expressar sentimentos em uma folha branca de papel, não preciso ser poeta para falar de amor, pois ser poeta não é escrever poesias e sim despertar sentimentos no pouco que se escreve com alma despertar naquele que lê não o que está escrito em uma folha papel, mas sim na poesia escrita em seu olhar que consigo ler com minha alma.
Realmente prefiro não ser poeta, pois é tão mais fácil colecionar palavras que não tenho coragem de usa-las, as vezes é mais fácil calar os lábios e abrir a alma.
Deixo o dom da poesia a quem escreve, me contento em ser apenas um simples amante do escreve minha alma e reflete os meus olhos.

Adeus-

Adeus, cá estou esperando
Venha aqui se despedir de mim
Eu estou tão saturado...
Olhe nos meus olhos, me impeça
Estou partindo agora
Se eu tenho certeza?
Juro que não pirei da cabeça

Adeus, o tempo parou perante nós
Até a lua se foi
deixando nós a sós
Me abrace forte, me conforta
Já vou indo para fora
Tu tem certeza?
De que não sente nada...?

Adeus, já estou longe agora
O dia está tão bonito lá fora
Me encontro além do mundo
Queria estar do teu lado
Mesmo que o mundo seja imundo
Se eu tive certeza?
É... talvez eu tenha pirado da cabeça

ROSTO NA NOITE
(25.03.2019)

O rosto aparece na noite,
Roubando a liberdade de dormir.
E em pensamentos recebes as flores,
Cuja pétalas se espalham no chão
Meus olhos tentam se fechar,
Mas existe uma impossibilidade:
O fato de seus lábios me calarem.

OUTRA SAÍDA...
(26.03.2019)

Não me deste outra saída,
A não ser estar contigo...
Através da escrita e do pensamento.
Um mistério a se guardar no peito,
É a vantagem que tenho,
Nesta vida a qual revelo
Pequenas coisas do coração.
E de repente, percebo que estas nele!

Menina da roda gigante
Quer um mundo talvez sem gravidade
Sair e entrar sem precisar da porta
Um batom perfumado e um espelho que mude de cor
Quer voar
Mas ela procura mesmo a ação e a reação
E movimento porque por natureza nunca está parada.
Ás vezes finge ser quieta e só observa

MILAGRES DE UMA MULHER
(29.03.2019)

Milagres de uma mulher,
É sempre ser quem ela mesma é,
Sempre sendo feliz consigo,
E bela com sua alma.
Uma paz do qual lança calma,
Celebra a vida com plenitude,
E emana a luminosidade,
Através do seu próprio olhar.