Poemas de Flores

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⁠A vida é bela,
à escória d⁠e dores indivisas.
Ainda existe flores e outras coisas sem nomes,
e o sol nasce e se põe todos os dias,
sob montanhas nunca antes amanhecidas.
Os cotidianos são reiterados, reiterados,
a vida talvez seja enternecida,
e esconde eternas coincidências,
sobre as montanhas que somos,
desoladas e indormidas.

A tarde nos aproxima
da beleza primaveril.
Encanta os nossos dias com suas
flores coloridas que
alegram as nossas vidas.

A ventania move as flores, e o tempo, a nós.
Lembro, como ontem, cada memória.
O vento moveu o ondulado do seu cabelo, e o amor, os nossos passos.


Seu olhar me afogava; a sombra dos seus olhos me prendia,
e o afiado do seu delineado me nocauteava.
Apesar de nunca ter acontecido,
eu sentia nossas mãos interligadas,
e os nossos corações andavam como João e Maria.


Hoje, saio à noite.
A lua me lembra o pálido da sua pele,
as estrelas, o brilho dos seus olhos;
já o espaço me lembra o atual abismo entre nós.


O sol caindo à tarde me lembra o castanho dos seus olhos,
mas também que já é tarde,
e que você está se pondo, indo iluminar o céu de outro,
e me deixar à mercê da escura noite.


A criança que em mim definha ainda luta para agarrar sua mão.
O homem em mim deseja correr para as coxas de outras.
E o amante em mim, correr aos seus braços.

Palmira


Tenho maior apreciação por flores

Flores que inspiram cores

Passos cobertos de coragem

O que vale percorrer uma estrada,


Tenho minha vida é cultivar respeito,

Do fruto doce ainda tenho Palmira

Coragem com milhas e beleza,

Do que foi ainda tenho inteiro


Corpo esbelto, desejo de ser

Aquela mulher Palmira dos sonhos,

Escolho seus prazeres de viver

Embalo para uma caminhada nos desejos escondidos

Fiz esse chorinho na beira do meu violão refletindo as flores do campo tiradas do chão.
Ipê rosa, branco e amarelo enfeitam essa canção
A tríade sagrada da Natureza, bebendo o néctar da boca do beija-flor cereja
Contou pra ela quem você ama quando ela está ausente?
Eu creio que ainda não !

Vai sentir a vida um pouquinho hoje
O sol esquentando seu corpo
O vento no seu cabelo
As flores pelo caminho
A vida colorida e linda.

Das forças do mar os amores,
vento levar cheiro de flores.

no que tem no inconsciente,
frações do que vem à mente.

lições de vida de suas razões,
formam as histórias e paixões.

EU TIVE/TENHO TEMPO


Eu tive tempo de plantar flores,
mas deixei o jardim em silêncio.
Tive tempo de escrever versos,
mas calei o papel em branco.
Tive tempo de abraçar mais forte,
e, às vezes, abracei o vazio.


Eu tive tempo de sonhar alto,
mas temi o vento das alturas.
Tive tempo de arriscar caminhos,
mas caminhei na margem segura.


E, no entanto, o tempo não partiu.
Ele pulsa agora, dentro de mim.
Ainda há sementes à espera da terra,
a canção ainda mora na garganta,
o abraço ainda cabe nos braços,
e os sonhos ainda sabem voar.


Pois nunca é tarde quando há desejo,
e nunca é distante quem tem coragem.


Eu tive tempo…
e, mais que isso,
eu tenho tempo.

Quem disse que as flores

não podem criar suas próprias cores?

Que suas danças

não possam ter suas próprias formas?



Ritmam, ao perambular

com seu amante, o vento.

E o vento?

Esse, que amaria também o mar,

ao se reproduzirem no próprio som,

todos eles orquestrados

por seu senhor, o Tempo.



E o Tempo,

com sua nuance de amor,

dono de toda composição

da letrada vida,

traz o que se vive para ser livre…

para se viver a vida.

Portas que fecharam,
Deus me fez passar
Caminhos desertos,
Deus fez flores brotar
Quando eu pensei que ia desmoronar
Sua mão firme veio me segurar

Só sei pedaço de mim,
Não diga assim quando me ouve,
Estive atrás de flores,
Pronta pra me chamar de amar...

Primavera de Esperança


A primavera traz chuvas,
flores e exuberância,
um colorido especial,
e a esperança de dias melhores.


Renovam-se ciclos,
a vida se refaz no ecossistema natural;
os ipês, em policromia,
deixam os olhos marejados
de amor e ternura.


No alto do Iracema,
brota o símbolo das boas reminiscências.
Enfim, renasce a oportunidade
de revisitar o passado,
nas passagens gigantes da memória,
onde o coração encontra alívio
e a alma floresce em renovação.

Flores são pra ser dadas
e recebidas com amor.
não pra ser usadas por remorso, ou antecedentes de desculpas.

Lágrimas

As tuas lágrimas vêm-me banhar a alma,
Como o orvalho que cai das flores puras;
São pérolas de pranto, santas, duras,
Que rolam lentas, cheias de mel e calma.


Em cada gota teu sofrer se espalma,
Como em conchas de luz, brancas e escuras;
Teu pranto é o altar onde as ternuras
Fazem do amor uma infinita palma.


Oh! se eu pudesse, com pungente choro,
Banhar teus olhos, que no meu delírio
São os astros do céu do meu porfírio!


Mas choro apenas - e esse pranto mouro
Fica em minha alma, amarga, solitária,
Como a água estagnada em uma urna mortuária.

Consertei meu jardim —
as flores voltaram a sorrir,
o vento brinca entre os ramos
e a terra respira por vir.


Mas hoje há muros altos,
feitos de calma e cautela;
onde antes havia frestas,
agora há grades, sentinelas.


Entre as rosas, pus tranças,
raízes firmes, seguras;
nenhuma lagarta ousada
ultrapassa minhas muralhas puras.


O jardim segue belo, enfim,
mas aprendeu com a dor:
flores que um dia sofreram
agora florescem com amor —
sem deixar de lembrar
quem tentou roer seu florir interior.

De Repente


De repente, o nosso coração artesão tece flores, e, no repente, brotam amores! Como lidar com novas emoções e com tudo o que desaquieta o silêncio, provedor da nossa reflexão? Quando se fala em amar, é esse desassossegar, mas, como não tem jeito, o tempo, que é senhor de todos os feitos, trata de nos ajudar.

Amo a poesia

Das
Flores pois elas
Me ensinam...

Que mesmo
Com espinhos sabem

Amar
Encantar
E perfumar

À todos
Que elas tocarem.

Pare de regar o que te seca!
Só te esgota
A falta de reciprocidade é como plantar flores no deserto.

Te celebrei até a exaustão.
Até meu peito sangrar de tanto te oferecer altares.
Flores, palavras, promessas—
eu te ergui em cada canto onde minha alma respirava.


Te fiz retrato, verso, brinde.
Te fiz prioridade.
E você me fez intervalo.


Te celebrei tanto
que virei carnaval vazio.
Confete molhado no chão
de uma festa que só eu dancei.


As alianças?
Viraram pó, metal morto, memória suja.
Jogadas, perdidas, esquecidas
como eu no fundo das tuas gavetas de brigas.


Te busquei até doer os ossos.
Na lágrima, na fúria, no grito engolido.
Quis ser início—
virei fim.
Fim seco.
Fim sem anúncio.
Fim empurrado porta afora
ao som dos teus gritos que me despiram de mim.


Fiquei cego das palavras que te escrevi,
e surdo das certezas que sussurrei pra te manter.
Desmoronei no abismo das tuas dúvidas,
todas elas cavadas em mim.


Mas amar também é quebrar.
E eu quebrei.
Com paixão, com força,
com tudo aquilo que você nunca pediu
e nunca soube receber.


Então vá.
Vai com tua paz que nunca coube em nós.
Porque eu não te busco mais—
não sei mais o caminho,
não lembro mais a porta,
nem o toque da maçaneta que um dia foi casa.


Quero desmemorizar teu rosto.
Quero esquecer a curva do teu sorriso
e rasgar o som daquela música
que já não pertence a lugar nenhum.


A dor é necessária.
E eu aceito a dor.
Mas não aceito mais você.

“Não me dê flores quando eu não estiver mais aqui.”
Não espere o silêncio pra reconhecer minha presença.
Não espere a ausência pra dizer que eu fui importante.
Homenagem bonita é abraço em vida,
é palavra dita no tempo certo,
é carinho que alcança quem ainda pode sentir.
Flores no fim não consolam quem partiu,
só aliviam a consciência de quem ficou.
Se for pra me homenagear, que seja agora.
Enquanto eu respiro.
Enquanto eu escuto.
Enquanto ainda dá tempo.