Poemas de Erico Verissimo 1910 a 9

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Os homens, para não desagradarem aos maus de quem se temem, abandonam muitas vezes os bons, a quem respeitam.

Não poder suportar todos os maus carácteres de que a sociedade está cheia não revela bom carácter: e isso é indispensável no comércio das peças de ouro e da moeda.

Perante um auditório de tolos, os velhacos tornam-se fecundos, e os doutos silenciosos.

Nada devemos fazer que não seja razoável; mas nada também de fazermos todas as coisas que o são.

Há muita gente para quem o receio dos males futuros é mais tormentoso que o sofrimento dos males presentes.

Nas revoluções dos povos a insignificância é a maior garantia de segurança pessoal.

Quando um pensamento é fraco demais para vestir uma expressão simples, isso é o sinal para rejeitá-lo.

O mistério em que envolvemos os nossos desígnios revela muitas vezes mais fraqueza do que discrição, e com frequência prejudica-nos mais.

O que há de melhor nos grandes empregos é a perspectiva ou a fachada com que tanta gente se embeleza.

A avareza é um nó corredio que aperta cada dia mais o coração e acaba por sufocar a razão.

É um gládio perigoso o espírito, mesmo para o seu possuidor, se não sabe armar-se com ele de uma maneira ordenada e discreta.

Os maus não são exaltados para serem felizes, mas para que caiam de mais alto e sejam esmagados.

Acontece muitas vezes que somos estimados na proporção em que nos estimamos a nós mesmos.

Um versificador não considera ninguém digno de ser juiz dos seus versos; se alguém não faz versos, não sabe nada do assunto; se faz, é seu rival.

Os escolares preocupam-se em segredo com o mesmo que preocupa as raparigas nos internatos; faça-se o que se fizer, elas falarão sempre do amor, aqueles das mulheres.

Censuram-se severamente defeitos à virtude, ao passo que se não poupa indulgência para as qualidades do vício.

Para mandar muito tempo e absolutamente sem alguém é indispensável ter a mão leve e, nunca lhe fazer sentir, por pouco que seja, a sua dependência.

O trabalho involuntário ou forçado é quase sempre mal concebido e pior executado.

É triste a condição de um velho que só se faz recomendável pela sua longevidade.

O remorso é no moral o que a dor é no físico da nossa individualidade: advertência de desordens que se devem reparar.