Poemas de Erico Verissimo 1910 a 8
Certa mãe, deixa certo filho, sobre os cuidados de um certo parente; e vai morar com um homem. Homem esse, que não se importa com esse filho; anos passam, a mãe teve outros filhos. O certo filho cresceu, e em relação ao homem, o filho não tem nenhuma relação de parentesco. Nenhum tipo de relação. Teria essa certa mãe, autoridade ou direito de pedir algo a esse filho? Eu, sou o certo filho! Essa é minha relação com a minha mãe. As vezes, ela me olha de um jeito que me faz sentir como se para ela, eu fosse um estranho. Isso dói na minha alma! Me acerta quase que fisicamente...
Como você se sentiria ao saber que, quando seu pai soube da gravidez da sua mãe, fugiu para não te assumir?
É preciso saber roubar do breve instante a poesia que logo nos será sonegada, e entender que a vida é um prolongado poema, constantemente inacabado.
Não há coisa tão certa que um dia não possa dar errado.
Mas uma coisa toda errada, nunca pode vir a dar certo.
A Sabedoria se conquista a cada dia, pois em cada dia há um novo aprendizado. O ouvir, ler e observar são necessários. Todos podem ser sábios e, usufruir o que temos de melhor em nosso planeta e sociedade. E o principal, compartilhar com seu próximo, o que aprendeu.
O corpo da minha mãe foi enterrado no Cemitério de Santo Amaro.
Mas, sua alma se encontra por entre sargaços no mar da Praia de Boa Viagem.
Eu encontro amor nos meus inimigos, pois são eles que me mostram meus defeitos e, dessa forma, me aproximam deles. Também amo meus próprios defeitos, pois são eles que me tornam semelhante aos outros. É um amor recíproco e equilibrado, onde todas as partes estão em sintonia. CiFa.
Minha esposa diz, de vez em quando, que estou errado.
E eu lhe digo que, de vez em quando, sou humano.
Parte da minha história hoje é feita das sobras dos rastros das pessoas que por mim passaram.
Se eu fosse uma rua, seria uma rua repleta de buracos.
O melhor conceito democrático seria um sistema de iluminismo cínico. Onde a razão, paz e empatia imperam.
O universo é como um tapete que um dia precisa ser limpo.
O espaço que a poeira cósmica ocupa, um dia precisa parar em algum lugar. Daqui a trilhões de anos o cosmos será frio e escuro, talvez sem nada, apenas poeira ou quem sabe apenas Quarks.
Para onde vão os amores findados? Deve haver algum céu em que o suor evaporado dos amantes se transforma em nuvem, que o vento leva no dissipar do horizonte.
Passei décadas buscando ser feliz. Fracassei. Decidi, então, ser calmo, sossegado e tranquilo. Agora que sou calmo, sossegado e tranquilo, sinto-me feliz.
Felicidade não é um fim em si mesmo, mas efeito colateral.
Se você tem a fé de que a inveja tem o poder de atingir a sua vida, estar depositando ela no lugar errado.
Visto de cima, onde moram os deuses, a Terra é um micróbio. Visto de dentro, eu sou a bactéria da molécula do piolho da pulga do elétron do átomo da menor célula do micróbio, que escapa do olhar do microscópio. Afora isso, considero-me grandioso.
Há manhãs que parece que o Sol está mais distante de nós. Que o calor e a Fé ainda não acordaram. Mas isto é apenas uma sensação vã do nosso coração cheio de expectativas. Deus sempre está desperto, olhando com todo seu Amor para nós. Basta fecharmos nossos olhos por um so instante e sentirmos sua presença dizendo o quanto nos ama. Nos dando a certeza que tudo passará com um sopro...
Deitado na cama visitei Cairo, Roma, Marraquexe, Budapeste e Paris. Andei pelos quatro cantos do mundo, escalei o Everest, surfei no Havaí, cacei rinocerontes nas savanas africanas, pesquei marlins no alto mar de Havana, separei-me de Audrey Hepburn e me casei com Mariinha, a menina mais bonita da sala de aula.
Quando me levantei da cama o quarto era o mesmo, a casa era a mesma e o mundo era apático, distante, fosco e indiferente. Estava atrasado, havia perdido o metrô das onze, apenas porque passei da hora, inerte no leito quieto, batendo as asas e planando no teto do quarto.
