Poemas de desejo
Por que mesmo cientes das furadas corremos o risco? E pior, muitas vezes nos sabotamos. Já nem sei se é falta de amor-próprio, pois numa outra perspectiva não fazer ou sentir o que queremos também pode ser sabotagem e a tal falta de amor-próprio... pois estou negando meus anseios e instintos muitas vezes por medo, por trauma... às vezes fazer ainda é melhor do que se conter e se arrepender de não ter vivido, mas, cuidado, você pode viver também com a culpa de ter feito e dado merda... rsrs. Dicotomia complexa ou incógnita de personalidade? Nenhum dos dois.
Não são seus braços que estão carregando o mundo e sim o mundo que está passando por debaixo de seus pés, relaxe, respire, as coisas que necessita chegarão até você, só o que precisa é caminhar na direção dos desejos do coração.
Penso como é interessante essa vida de encontros, desencontros, loucuras imaginadas, mas não vividas, desejos reprimidos, paixões renovadas, expectativas que não resistem a insegurança da vontade de mudar!
Esse é o caos da intensidade do ser que busca o equilíbrio, mas não queria...
Ele ainda não entende que precisa é alinhar as suas expectativas. Sem elas, ele sempre vai esperar por algo que nunca vai acontecer.
Mesmo o fanático digital mais obstinado não consegue escapar do simples fato de que cada hora passada na frente de uma tela, por mais maravilhosa ou benéfica que seja, é um tempo que se passa sem segurar a mão de alguém, nem sentir o cheiro da brisa do mar. Talvez até mesmo o ato de ficar à vontade e contente, em perfeito silêncio, venha a se tornar uma commodity rara, que, em vez de fazer parte do repertório humano, será encontrada em uma futura lista de desejos melancólica.
Quando o vento escorre pelo rosto e refresca mente, dois pensamentos inundam a alma de Maia. Seus sentimentos confusos gritam alto para perseguir seus sonhos. Então, deseja veemente e eleva o corpo. Verifica que com a altitude crescente tudo é possível, porque as montanhas são pequenas demais para seus passos largos lá em cima. Logo em seguida, uma pequena semente cai ao solo. É de perder de vista esse desejinho que acaba de despencar do seu coração. O segundo pensamento parece preocupá-la: o sonho só germina no solo! Maia entende. Pra sonhar precisa descalçar os pés primeiro e arar a terra, pingar o suor e queimar a pele! Então, respira fundo. E o peito cheio parece densificar seu corpo. Começa a cair. A vista lá de cima, assim tão veloz, embaralha-lhe os sentidos. A queda fraturou seus pés, machucou suas mão, mas suas vistas haviam sido curadas. Maia tem uma única certeza agora: até os sonhos precisam criar raízes!
"Seu tempo é sempre definido a partir das suas escolhas, quanto mais elas forem fiéis aos desejos mais íntimos do seu coração e menos fundadas em aspirações materiais impostas pela sociedade, tanto mais próximo você estará do melhor e mais sublime uso que se possa fazer dele."
Os estereótipos de gênero são tão profundamente incutidos em nós que é comum os seguirmos mesmo quando vão contra nossos verdadeiros desejos, nossas necessidades, nossa felicidade.
Era como se dar voz a esse pedaço secreto de si mesma permitisse que todos no mundo lhe dissessem o quão idiota ela era por querer algo tão ridiculamente fora do alcance.
Todos nós queremos coisas que não entendemos. Coisas que nem podemos nomear. Um anseio profundo, como alfinetes em nossos corações.
Tuas palavras, com poderes mágicos, foram responsáveis por levar os pensamentos, as emoções, as sensações e a paixão aos lugares mais secretos, que só seriam acessíveis com a chave dos teus desejos, da tua imaginação, dos teus sentidos, suspiros, beijos e gemidos.
A felicidade imaginária não conhece limites, pois nasce do desejo de sermos inteiros, mesmo em pedaços.
Quem é humilde e vive com pouco se torna produtor, enquanto quem vive consumindo se torna escravo dos próprios desejos.
Nossas mentes criam armadilhas para nossas emoções. Armadilhas que fogem do controle da razão, quando vemos já estamos aprisionados em nossos próprios desejos. E na maioria das vezes, esses desejos não passam de devaneios.
Flávia Abib
Serão os nossos sonhos, respostas aos anseios dos nossos corações ou apenas reflexos dos nossos desejos?
