Poemas de Casa
Amigo Gil
A Gilberto Nogueira de Oliveira
Suas obras primas
São feitas em casa
Poeta independente
Produz, não tem o ego
Em si, simples
E verdadeiro,
Esse é o Gil de Nazaré/BA
De todos os brasileiros.
Em todos os cantos
Do mundo,
Deveria existir um Gil,
Que compartilha poesias
Nesse mundo em guerra,
Meio que doentio.
Poesia de amigos
– Gil compartilha!
Livros da própria autoria
– Gil envia!
Em troca não cobra
Nada,
Muitos o desvaloriza
… Pouco importa ao Gil.
O bem maior da sociedade
É a escrita
– Isso sim, Gil, valoriza.
Ah, Alice. Não podemos voltar para casa. Realmente não é nenhuma surpresa. Apenas alguns encontram o caminho, e a maioria deles não o identifica quando estão pavimentando. Os delírios também se agarram com a memória. Somente os mais primitivos consideram a resistência à dor igual a medida do valor. Esquecer a dor é conveniente, lembrá-la: agonizante. Mas reconhecer a verdade vale o sofrimento, e o nosso País das Maravilhas, embora danificado, está seguro em memória... por enquanto.
(Gato de Cheshire)
"Tenho 84 anos, 2 filhos, 6 netos, 8 bisnetos e um quarto de 12 m2.
Já não tenho minha casa nem minhas coisas caras, mas tenho alguém que arruma meu quarto, prepara minha comida e cama, mede minha pressão e me pesa.
Não tenho mais o riso dos meus netos, não os vejo crescendo, abraçando e brigando; alguns me visitam a cada 15 dias; outros, a cada três ou quatro meses; outros, nunca...
Já não faço macarronada, ovos recheados, almôndegas, tricô ou crochê.
Eu ainda tenho um hobby: fazer sudoku que me diverte um pouco.
Não sei quanto tempo mais terei, mas tenho que me acostumar com essa solidão, faço terapia ocupacional e ajudo quem está pior do que eu, mesmo que eu não queira me vincular demais. Eu desapareço muitas vezes.
Dizem que a vida fica cada vez mais longa.
Porquê?
Quando estou sozinha, posso ver as fotos da minha família e algumas lembranças de casa que trouxe comigo.
E pronto.
Espero que as próximas gerações entendam a importância da generosidade de devolver aos nossos pais o tempo que nos deram ao crescimento".
SAUDADES
Quando eu era criança
Guardo na recordação
A casa que nós morava
Perto de um ribeirão
Dum lado tinha um pasto
E do outro um mangueirão
Na frente tinha um jardim
E no fundo a plantação
Perto da venda da estrada
Tinha um campinho de bola
E num banco de madeira
Os cantador de viola
Junto com meus companheiros
Como a gente era feliz
Sentado a sombra das árvores
Ouvindo modas raiz
Hoje só resta lembranças
Daquele tempo que foi
Não tem munjolo e pilão
E nem o carro de boi
Não tem toque de berrante
E nem nuvem de poeira
Quando passava a boiada
Na estrada boiadeira
O torrador de café
Também não existe mais
Hoje é o computador
A internet e Wi-Fi
E agora mais recente
Inteligência artificial
Vou vivendo de saudades
Até o momento final.
Francisco Garbosi
Ei, você reparou aquelas flores no caminho de casa?
- Não.
- Sério? E o que você estava fazendo de tão importante?
Sem você me sinto fraco e minha casa cai derre-pente, pois eu sei que o amor que sinto por você é mais que imperecível;
Você continuará intacta em meus pensamentos, no meu coração e na minha cabeça confusa;
Com você enxergo melhor, pois o meu horizonte com os seus olhos se faz mais belo;
Com você minha vida tem mais razão com a cura das cicatrizes em meu coração;
Sei que sou imprevisível e acredito que mesmo você sendo intocável meu amor é totalmente imperecível;
No escuro da noite uma borboleta buscava o caminho de casa. E no silêncio das trevas um lobo estava ali a vigia-la.
A borboleta com a sua beleza passava a brilhar
E o lobo faminto
Pensava em devorar...
Então, o lobo pronto para atacar
Foi intimidado pela borboleta a perguntar:
_ Posso lhe perguntar com a minha sinceridade?
_ E o lobo respondeu:
_ Sim.
Você irá se satisfazer comigo? De verdade?
_ O lobo respondeu:
_ Claro que não!
Então, por que me ameaças? Nesta escuridão?
_ O lobo respondeu sorrindo...
_ não quero me satisfazer, somente caço as minhas presas é o meu jeito de viver!
Moral da história...
Muita dàs vezes as pessoas não se benefiarão em lhe atacar
É só pelo prazer de ter ver triste ou na satisfação de te derrotar;
Olhe para mim
vamos tentar novamente
temos muito ainda que viver
nossa casa, nossos cachorros, nossa cama
lembra-se de quantas vezes brincamos de ser gente grande
lembra-se das promessas que fizemos
tudo por acreditar que o que sentimos é amor
então por favor fique
não vá
eu não consigo viver sem você...
A casa, que era grito e movimento, guarda agora um silêncio que devora.
O tempo, esse mestre sem alento, levou o que era o meu mundo outrora.
Restam vestígios, brinquedos, rastros de um momento, o eco de risadas que me devora.
Sinto o vazio, o puro isolamento, de quem viu os filhos ir embora.
Mas se a saudade aperta e faz o pranto, é também o orgulho que floresce, ao ver o voo dessa crianças que é meu encanto.
Pois filhos são a luz que a vida nos empresta,enquanto a ausência a alma enternece.
O amor de uma vida que terão como herança.
"Educar um filho não é prendê-lo dentro de casa como se ele vivesse dentro de um convento. Aprenda a deixar a criança ser criança, o adolescente ser adolescente e deixe o adulto tomar decisões e ter atitudes de adulto."
"Reflexões". Resende, 07 de Janeiro de 2016.
Há um anjo em minha vida
que está sempre comigo
Vive em minha casa
e é mais que amigo
Enviado por DEUS
guia a Sua Luz
ilumina meus passos
na escuridão me conduz
Amigo e presente
alegra meu ser
É música festiva
que me ensina a viver
Meu anjo de Luz
Companheiro de estrada
Segura a minha mão
nessa caminhada.
Limpar a própria casa, cozinhar
e realizar os afazeres cotidianos,
é uma terapia, além de colaborar
com a família, proporciona maior
capacitação e independência.
O ser humano é uma casa de hóspedes
onde todas as manhãs há uma nova chegada.
Uma alegria, uma depressão, uma mesquinharia,
uma percepção momentânea chega,
como visitantes inesperados.
Receba e entretenha a todos!
Mesmo que seja uma multidão de tristezas,
que varre violentamente sua casa
e a esvazia de toda a mobília,
ainda assim trate seus hóspedes honradamente.
Eles podem estar limpando você
para a chegada de um novo deleite.
O pensamento escuro, a vergonha, a malícia,
receba-os sorrindo à porta, e convide-os a entrar.
Seja grato a quem vier
porque todos foram enviados
como guias do além.
Rumi
Volte para casa.
Volte para casa e grite comigo.
Volte para a casa e brigue comigo.
Volte para casa e quebre meu coração, se for preciso.
Apenas volte para casa.
Destino incerto
Uma casa perdida na floresta escondida pela sombra das grandes árvores,
a chaminé acesa dando a posição do nada no meio sereno da solidão,
entre as belezas e as dúvidas do silêncio o charme do barulho do pequeno rio e dos pássaros chamavam a atenção,
escurece lá fora, a lenha queima, o cheiro de chá forte é percebido e comentado pô os animais uivantes,
o frio da selva noturna chega acompanhado da saudade e pedem para se sentar,
mesmo sem plateia as lembranças de um passado próximo começam a dar um show,
olhar parado no tempo, lágrimas secadas pelos ventos, surra bem dada pelos sentimentos, a necessidade e a dor dançando juntas ao relento,
fogueira baixa, chaminé acesa, porta fechada, uma decisão é tomada,
ao amanhecer, mochila nas costas, muitas incertezas, porém muita coragem para caminhar na estrada sem destino.
Minha casa virou o museu de uma poesia que não mora mais aqui.
A solidão é o único móvel que não consigo tirar do lugar,
uma dor sólida, que tem quinas e me corta no escuro.
Entre o crachá esquecido e a saudade de Itaipuaçu,
descobri que o invasor, trancou a porta por dentro...
E eu tive que quebrá-la. O barulho da madeira partindo
foi o som do meu último refúgio desmoronando.
Agora, nem trancar eu posso mais estou exposto ao mundo,
com as mãos feridas e a alma do avesso.
Lembre de levar seus pertences, Carla.
Eu perdi a chave, a porta e, por um instante, a mim mesmo.
DeBrunoParaCarla
Tô aqui no meio dessa nhaca olhando para a sacada e para o resto dessa casa que parece que desaprendeu a ser lar. Se você visse, ia querer me esganar. Aquelas plantas que você cuidava com um zelo danado... bom, o que a minha secura não matou, os gatos deram um jeito de terminar o serviço. Virou um cenário de guerra: os vasos cheios de gravetos esturricados e os cinco, numa espécie de motim de fome ou de tédio, mastigaram até o que já tava morto. Tem terra espalhada pelo piso, um rastro de desolação que os bichos fizeram questão de esfregar na minha cara.
E o sofá, Carla? Aquele que a gente escolheu junto agora é um trapo. Os gatos fizeram dele um alvo, rasgaram o estofado até a espuma aparecer, como se estivessem tentando encontrar você ali dentro. Eu olho para o estrago e não tenho força nem para dar um esporro. Sou esse nó cego que fica assistindo o mundo desmoronar da poltrona, com a roupa coberta de pelo aquela camada cinza que não sai nem com escova e que me faz parecer tão bicho quanto eles.
DeBrunoParaCarla
Te amar é como decorar o caminho de casa no escuro, eu tropeço nos meus medos, mas os meus pés já sabem exatamente onde você mora.
DeBrunoParaCarla
