Poemas de Amor para Crianças
Vinte sete tons de verde.
Bodas de crisoprásio.
Verde?
Verde é o amor,
verde é minha vida em cor.
É o verde que é claro ou escuro,
vinte sete tons de verde que nos torna maduro.
Maduros na amar,
no sorrir, no caminhar.
No caminhar a passos firmes; me comprazo,
sobre a pedra que a este amor exprime, crisoprásio.
E assim eu sigo a vida num renovo
Ah! se eu pudesse voltar no tempo!...
Que honroso.
Diria novamente aquele sim, caloroso, poder te abraçar
e te beijar, pra começar tudo denovo.
Cícero Marcos
O AMOR DA ROÇA E A SOFRÊNCIA DA PALHOÇA.
Inhô Chico Bento , organizou os pensamentos pra falar com sua rosinha.
Do amor que dói no peito, acabrunhando um sujeito lá no meio da palhoça.
É um amor assim diferente, que só sabe quem sente quando se trabaia na roça.
Dá uma ardência no peito parecendo um assobio.
E pra enxugar a tristeza serve até paia de mio.
O sorriso vai se abrindo quando vê o sol se pô.
E Inhô Chico sai correndo feito fogo no cipó.
Vai vigiá dona rosinha, caminhando
assim quazinha, que nem passo do socó.
Este amor do Inho Chico, mesmo sendo assim bonito,
é uma sofrência que só.
E a gente fica oiando,
quando ele vai se achegando, e divera, dá até dó.
Autor: Cicero Marcos
Mulher.
Flor delicada de tenra beleza,
pequena e frágil de forte grandeza.
Amor que irradia no verso da vida,
ensinando a ser firme na luta renhida.
No sorriso de alma que ao mundo encanta,
Em sua doce calma, o medo se espanta.
Em seu olhar confiante diante da dor,
és a máxima expressão de amor,
de Deus o criador.
Cicero Marcos
As ações do corpo falam mais que as palavras.
A linguagem própria do amor.
Se eu te segurar com mãos trêmulas, num balbuciar de voz embargada,
é o amor dizendo tudo, enquanto eu não falo nada.
Se eu sorrir meio de lado, como quem vergonha sentiu,
é o amor crescendo em mim, me tornando pequeno e vil.
Se gargalhar das anedotas que contares, sabendo que graça faltou,
é o amor dizendo baixinho que meu coração se apaixonou.
Cícero Marcos.
A verdadeira demonstração de amor de um pai é expressa sem palavras, em gestos que se eternizam num carinho.
Autor Cícero Marcos
Receita do bem viver
A receita do bem viver deve ser preparada com paciência,
pitadas de amor regadas ao molho de compreensão fazem da vida um caso a parte, alegram a alma e o coração.
Ao longo do preparo, adicione vontade de viver e coragem pra vencer.
Durante o cozimento alguns ingredientes amargos são adicionados a receita do bem viver;
Mas não fique preocupado! Bem medido e bem pesado, cada um com seu cuidado, também tem razão de ser.
Pois, se o sorriso alegra a face, as lágrimas também lavam a tristeza do sofrer.
E na hora de servir, nunca esqueça aquele sorriso, que a dor e o gemido tentam sempre esconder.
Autor: Cícero Marcos
Silente Jeito de amar.
Há! este amor calado em meu peito,
que em silêncio achou um jeito de lhe falar.
Deveras, o amor não tem defeitos,
na cumplicidade dos olhos silentes,
se fez revelar.
O amor não se explica,
complicado fica,
quem tenta explicar.
É uma ardência no peito,
um sorriso sem jeito,
ao tentar se expressar.
É assim que te amo,
e ao passar-se os anos,
assim vou te amar.
Autor Cícero Marcos
Pai, eu não sou pai, mas sei o que é ser um pai, pois eu cheguei ver o amor que ele tinha por mim, o meu pai não foi apenas uma figura mas o homem que me causou disciplina, e toda reverência eu fazia à ele, estava disposto à entrar na frente de uma bala por mim, o incentivo à lutar, e a busca por informação e educação, encarar as adversidades da vida e como ele dizia "a vida vai te bater doído, mas por favor não caia" ele falava olhando dentro de meus olhos, começou à apertar as lições conforme fui crescendo. Uma vez fiz uma pergunta incisiva: pai, por que o meu treino é mais puxado? Ele sorriu de leve mas não mudou a expressão séria e foi enfático: "porque você é o último, e vai precisar muito mais que os outros, deve andar com seus próprios pés em um terreno espinhoso e pedregoso que é este mundo, e em muitas vezes estará sozinho".
Essa foi uma das falas mais poéticas de meu herói, me falava às vezes com metáforas, mas sempre direto, precisei criar calos, e em seu leito de morte ele confessou estar orgulhoso de mim e que eu subi um nível acima dele, me disse que eu estava cheiroso e perguntou sobre meu trabalho, e que talvez não estaria em minha formatura, derramou uma pequena lágrima e sorriu, disse que eu estava pronto e que a luta estava prestes à começar, no dia seguinte partiu o herói viúvo, o homem que fez minha mamadeira e trocou minhas fraldas, desde meus dois anos e oito meses até quase os dezesseis.
Pai, acima de ti, Deus o fez para me ensinar e viver o melhor dessa vida, lhe agradeço por toda minha vida, muito obrigado mestre.
Desejo à todos os papais a maior longevidade, muita saúde e paz, pois o melhor da vida é ser um pai de uma família muito amada, que respeitem suas esposas pois elas são a causadora de sua harmonia, e seus filhos o seu maior tesouro.
A maior bênção que poderíamos ter é o amor.
Nossos corações são submetidos a inúmeras experiências que nos moldam a amar mesmo quando nosso amor não for ou não puder ser correspondido.
Assim mesmo devemos continuar a nossa invocação do amor para que a pessoa amada seja atingida por uma suave brisa desse carinho naqueles momentos difíceis que todos passamos ao longo da vida.
E assim, ela saberá que mesmo distante existe um coração pulsante guardando um lugar aconchegante para essa linda flor.
E quando olhar para cima e ver a luz da lua que lhe ilumina lembrará de mim e de todo nosso amor.
PALAVRAS
Nos corações em que busquei amor
ódio encontrei,
as mãos de que esperei carinhos
maus-tratos me deram,
os sábios a quem pedi verdades
mentiras me ensinaram.
Tenho o coração cheio de amor
para quem me odiou,
as mãos cheias de carinhos
para quem me maltratou
e a alma cheia de verdades
para quem me ensinou mentiras.
TRAIÇÕES JUSTIFICADAS
Não dá para entender teu novo jeito
de demonstrar-me amor. Ele não tem
qualquer sentido dentro do conceito
do que é, a meu ver, amar alguém.
Quando contigo em nossa cama deito,
sempre espero o carinho que não vem,
e em conjunção carnal fico sujeito
ao básico, privado de ir além...
Sinto-me insatisfeito, mas me aguento,
fingindo crer ainda em teu amor,
e apesar desse teu comportamento
frígido, poucas vezes te traí
para buscar em outras o fervor
que não me deixas mais achar em ti.
O AMOR QUE EU SEMPRE QUIS
Não busquei um amor para um minuto,
para uma hora, um dia, um mês, um ano,
nem pretendi amor substituto,
por uma mero capricho leviano.
Quis um amor, sem me cobrar tributo,
sem metas a cumprir, sem grande plano,
que fosse livre, inteligente, arguto
e até capaz de se mostrar insano.
E te encontrei, sem procurar por ti,
porque de mim estavas muito perto,
tal como agora estás comigo, aqui,
ouvindo-me dizer que sou feliz
por nossa comunhão ter dado certo
e por teres me dado o amor que eu quis
FELIZ DEMAIS
Guardo por minha vida boa e amena
um grande amor, e sinto a toda hora
que, enquanto o amor me alegra e revigora,
pensamento ruim não me envenena.
Sei aceitar de forma bem serena
mesmo o que chegue e logo vá embora;
assim, posso afirmar que até agora
tudo o que já vivi valeu a pena.
Tenho o pouco que quero, durmo em paz,
sempre no estado de feliz demais,
na lide, entre os amigos e no lar.
E só me aventaria desagrado
se porventura eu não tivesse achado
tanta gente no mundo para amar.
Mais de um ano,sepulto meu amor, que me fez sonhar uma ilusão..
Tudo se foi como veio, amor meu,platônico,
Perdi...
Como dizer a minha alma que é hora de mudar...?
Como substituir sentimentos avassaladores que me consomem...?
Como se faz para mudar os pensamento?- Não sei!!!
“Nenhuma dor é eterna. Toda sombra cede à luz do amor.”
Que saibamos, com coragem e ternura, olhar para dentro, reconhecer nossas sombras e acender em nós a chama da renovação. Pois a Reforma Íntima é o verdadeiro caminho da paz aquela que o mundo não pode dar, mas que o espírito em evolução pode alcançar.
SOB A SOMBRA DA BELEZA NO AMOR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
O amor nasce já ferido.
Não como promessa, mas como necessidade.
Uma carência inscrita na própria estrutura do querer.
Ama-se não por plenitude, mas por falta.
A beleza surge como engano sublime.
Ela se oferece ao olhar como redenção,
quando na verdade é apenas o véu mais refinado da dor.
Toda forma bela carrega em si a sentença do perecimento,
e é justamente por isso que fascina.
O espírito, ao reconhecer o belo, não encontra repouso.
Antes, inquieta-se.
Pois compreende que aquilo que o atrai
jamais poderá ser possuído sem perda.
Amar é desejar o que inevitavelmente escapa.
A consciência, ao amadurecer, percebe
que o amor não promete felicidade,
apenas instantes de intensidade.
E intensidade é sempre sofrimento condensado.
Quanto mais profundo o vínculo,
mais aguda a percepção do fim.
A mística do amor revela-se então trágica.
O sujeito não ama o outro,
ama a imagem que nele desperta sua própria carência.
E quando essa imagem vacila,
a dor emerge não como surpresa,
mas como confirmação da natureza do querer.
Há uma tristeza inerente à beleza
porque ela nos obriga a desejar o que não se fixa.
Tudo o que é digno de amor
é, por essência, transitório.
E a consciência disso não liberta: aprofunda.
Assim, amar é consentir com o sofrimento lúcido.
É aceitar a vigília permanente do espírito
diante de um mundo que não promete consolo.
A grandeza não está na felicidade,
mas na coragem de contemplar o abismo
sem desviar o olhar.
AMOR E A MEMORIA DO QUE NAO SE DISSE.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Quem dizia amar e partiu revelou sem palavras que o amor jamais se constituiu como experiencia interior.
Nao houve perda houve apenas o desvelar tardio de uma ausencia antiga.
Porque o amor quando existe nao se dissolve no tempo ele se aprofunda na memoria.
Abandonar aquele a quem se dizia amar nao e um gesto do destino, é um ato da consciencia que jamais amadureceu.
O amor nao falha ele apenas nao nasce onde o espirito permanece disperso.
Entre dois seres quando o ciúme se instala não como episodio mas como estado, alí o amor ja foi substituido pela inquietação do ego.
O ciúme nao guarda, ele denuncia.
Nao protege, ele acusa.
Nao ama, ele teme.
A solidão que sucede a ruptura não é vazio, é um espaco de reminiscência.
Nela a alma percorre lentamente os corredores do que foi vivido, como quem retorna a uma casa antiga e reconhece nos detalhes aquilo que sempre esteve ausente.
O amor verdadeiro habita essa região subtil onde a palavra se cala.
Ele não se impõe nao exige nao reivindica, ele existe como aquelas verdades que só se revelam quando o tempo deixa de ser pressa.
Amar é tocar o abstrato porque amar é recordar.
Não é menos, é um fato e sentido.
Não é o gesto mas a intenção.
Não é o outro, mas aquilo que o outro despertou em nós como possibilidade de eternidade interior.
E assim compreende-se finalmente que
o amor nao se anuncia ele se reconhece.
Nao se perde ele se recorda dentro de si mesmo
e permanece como memoria cristalina na consciencia que ousou sentir sem ruído, sem medo e só sob à submissão para com tudo.
POEMA PARA O AMOR NA DOR.
Eu já viajei por estradas de vento e saudade como se cada curva fosse um corte na carne do tempo até descobrir que o amor espera à margem da estrada exangue e solitário.
Eu vi teus olhos como duas chamas bruxuleantes no crepúsculo do mundo e ouvi no silêncio teu nome mais profundo do que todas as vozes que se perderam na noite.
Cantaste a canção que não termina e a dor tornou-se verbo que pulsa como coração ferido de tanto amar a quem não volta.
O amor é esta estrada interminável onde cada batida de peito é um grito e cada lembrança é um corte que sangra luz e sombra.
Eu te amo como quem espera junto à beira do caminho sabendo que a alegria só existe porque a dor ensinou-me a reconhecer o valor de cada gota de vida.
Ainda que o mundo se acabe entre nós eu guardo teu nome no centro mais ardente do peito onde a dor é chama e o amor é chama mais forte ainda.
E assim eu canto até que o tempo se renda ao meu amor feito dor e a dor se renda ao meu canto feito amor.
Autor:Marcelo Caetano Monteiro .
Na Terna Brandura do Cárcere
O Último Avo de um Amor Extinto
Em qual formato desconexo,
Depositamos desta vez,
Encharcadas expectativas ?
Quão afastados de nós mesmos
Pudemos chegar, sem ferimentos
Graves ou pesares terminais ?
Vislumbres precisamente balizados,
Experimentos da farta engrenagem,
Tudo estaria certo, exceto por nossa
Irrecuperável disposição à auto sabotagem.
Falências agendadas
Com antecedência,
Decompostos em
Nossa compostura célebre.
Resta-nos septos pútridos,
Hábitos promíscuos
E a terna brandura do cárcere.
Arrepios raivosos percorrem
Cada processo das vértebras,
Pálpebras aplaudem frenéticas,
Cãibras confirmam o torpor faminto.
