Poemas da Terra

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A três capitanias
a nossa amada terra
de Santa Catarina
ela as pertenceu,
depois foi o último
nome que permaneceu.


O meu coração canta
como uma Araponga,
amar-te a cada dia mais
é a interminável poesia
do nosso destino
porque és bela e digna.


Minha Santa Catarina
na terra na água e no ar,
e escrita na Via Láctea,
aqui é o generoso lar
não desejo outro lugar
nesta vida para morar.


A minh'alma de Imbuia
é feita sob a luz do Sol
e também da Lua,
sempre ao Bom Deus
por esta terra agradece
todo o dia em prece.

Florescer como a Bunga Raya
leal à terra e a Via Láctea,
Colocando os passos na direção
de Deus e da Rukun Negara,
É para quem entendeu
o quê é importante para a vida,
que render lealdade e devoção
ao Rei é retribuir a quem
o faz o mesmo todos os dias:
sem com que ninguém esteja
perto para que o melhor aconteça.


(Alimente só o quê isso fortaleça).

Ser leal ao Rei e ao País
como a Bunga Raya
é leal para com a própria terra,
Prestar devoção ao Rei,
ao próximo e todos unidos
sempre colocarem os motivos
diante da Rukun Negara
para que nada os distraia
de cuidar da amada casa
para que seja uma Nação
sempre por Deus abençoada.

Cultivar o mais alto sentimento


de lealdade para com a sua terra,


é manter vivo o pacto com a vida,


Repassar na memória e no convívio


o Rukun Negara além do tempo,


Amar o Rei como quem ama


o próprio Pai , ele que é capaz


com virtude devocional


de fazer de tudo por você e pelos seus,


é estar no rumo certo, no caminho de Deus.

Pedacinho do céu na terra
é o Jatobá magnífico
quando floresce no caminho
tal qual a noite de luzeiros
se enfeita para o mundo.


Para quem vir a ser lido
pelo olhar de festa vestido
para o coração sob as suas
mansas mãos ser rendido.


Enquanto o Sol e a Lua
da devoção amorosa
se erguem sobre aquilo
que une, funde e cria
uma ordem secreta.


Para fazer do mundo novo
ausente de preocupação,
blindados pelo amor,
e plantando árvores nativas ao redor.

A Chichá só cresce,
floresce e frutifica
como qualquer outra planta,
se foi plantada na terra,
as pessoas não são diferentes;
Quem dera, quem dera,
se nos víssemos como árvores
muita coisa estaria no lugar,
e a paz entre nós iria reinar.

Floresce e resiste as estações
do tempo na Mata Atlântica,
a Rainha-do-abismo nesta terra
de Santa Catarina romântica.


Inspirando também a acontecer
do amanhecer ao anoitecer.


Manhã de Sol e noite enluarada,
Porque tu és flor enraizada
e filha de cada novo alvorecer
desta Pátria nascida libertada.


Não preciso te dar este poder
porque ele é teu desde nascer.

Está em tempo de aprender
a respeitar e de reconhecer
o legado da ancestralidade
da terra e da que cruzou o mar,
e que até o nosso idioma
por cada qual foi moldado,
sem criar um novo pecado.


Cultivar o olhar não limitado
pela cronologia e que encontra
na mata o Vassourão florido
sob o céu de novembro vestido.


Deixar-se levar pela festa do que é
de fato culturalmente enraizado,
e não mais se permitir seduzir
por aquilo que nos foi empurrado.

Enraizados na terra,
sabemos quem somos,
da onde todos viemos,
no final sempre ficamos,
e não nos impressionamos
com quem usa da ideia
de estar acima de nós.


Uns são aquilo o quê
deixaram para trás,
São sempre eles que
provocam apagamento
para ter como aliado
o nosso esquecimento.


O quê se comunica
nem sempre na vida
é tão profundo assim
ou é um Cajá-mirim
cheio de frutos doces.


Não se aceita a opção
que na foz é arriscada,
porque do dia para a noite
nunca cria ou se faz nada.


Por isso é importante
lembrar o quê se passou,
e o quê se conquistou.

Novembro de Pombeiro em flor,
encantamento com a chuva
molhando a terra com amor,
Não é preciso buscar nenhum
tipo de validação externa,
Quem ama esta terra
não a trata como opção
e nem pensa em substituição,
Falta aprender a olhar
com compromisso e coração.


(É sobre a nossa percepção).

Um refugiado não
escolhe para onde ir,
ele escolhe partir
porque na terra dele
não tem como seguir.


Se você não quer um
refugiado no seu país,
é um direito todo seu
que não vou discutir;
Tu só tens o dever
de não ferir quem não
teve o direito de escolher
da onde veio permanecer.

Se deseja fazer alguma
coisa por um refugiado,
Ajude para que tenha
condições de sobreviver,
ou até ficar, se ele escolher.


Ajudar a resgatar razões
para ao país de origem voltar,
E permanecer para de jeito
nenhum pensar em deixar.

As rotas construo de muito
longe desde o primeiro dia,
O silêncio é terra fértil
para crescer como Calabura
da América Tropical
para alimentar com ternura
os seus pássaros
da liberdade profunda,
para se unirem com os meus.


A glória do amor e da vida
nos pertencem com todos
os contornos de cobiça
incontrolável para que adiante
estejamos enlaçados com
tudo o que pede um romance.


O teu aroma de Via Láctea
tem servido a memória
de maneira voluptuosa,
Segredos foram superados
por certezas quentes
que pedem tempo,
zero censura e exibição pública
típica dos apaixonados.


Diante dos prazeres ondeantes
intermináveis que teremos,
O oceano luxurioso quando
for necessário ser sussurrado,
nos manterá bem ocupados;
em vez de nos preocupar se
estão tecendo ou não comentários.

Assim com golpes suaves
praticamente diários,
muitos foram mortos
em terra e em alto-mar,
Viramos sem pensar
um continente de desacordados,
três navios petroleiros roubados,
e o que fizemos foi nos calar.


(Um preço ainda mais caro,
sei que vamos pagar,
se nada por aqui mudar).

O espírito de Paineira-rosa
ainda se conserva nesta
terra que só pode contar
com os próprios olhos
para o nosso céu vigiar.


O desamparo austral é
um fato que ninguém mais
pode fingir que não há,
Não é de hoje que tem
gente fingindo que não
tem sido da própria conta,
este mal de ponta a ponta.


Aperte forte a minha mão,
que aos poucos vou te contar
sobre estes tempos que são
próprios para moldar o ter e o ser,
para ninguém -- nos derrubar.


Se o apelo é erótico sob a luz
do dia, das auroras e da noite,
digo as respostas conhecidas,
Porque em aspectos internos,
temos muitas coisas parecidas.


Somos feitos de terra, água e ar,
e o poder de fogo para o jogo,
é preciso por contar conosco
mesmos para unidos forjar,
para do que distrai nos preservar;
A glória inextricável pertence
somente a quem busca se alinhar.

O meu coração romântico
com raízes bem fincadas
na Mata de Terra Firme,
Desejo perpétuo e sublime
envolvido pelo capuz ebúrneo
íntimo que guarda secreto
o sonho de ver de perto
o seu semblante decidido.


Encanto perene e mútuo
de entrega o tempo atravessa,
Castanheira-do-pará em flor
confiante do seu amor celebra
por antecipação a entrega
que haverá de acontecer:
nas tuas mãos pacientes
sem nada deixar arrefecer.


Nem brasa e nem fumaça,
em nós há um fogo que
queima, arde e não se apaga,
Há em nós permissão ampla,
fina, incontida e deliberada,
É questão de tempo aberto
para a rota encaminhada
para encontrar a Via Láctea.

Venero-te como o Tingui-preto
finca as raízes na terra serena,
O teu olhar apolíneo me rega,
concede milhões de asas --
e ainda não nem é primavera.


Do Tingui-preto com carinho
preparo a surpresa de banhar,
O meu ser de Mata Atlântica,
é o teu paraíso de descansar,
entregar e de doce enredar.


Como a palma da minha mão
é o caminho para o coração
sem tempo e sem distância,
Porque de ti sou eu a ilustre
habitante sublime e romântica.

Nova Itaberaba


O vento do Oeste Catarinense
roça a pele e a memória,
É aqui na terra da pedra brilhante
que a história de caboclos
catarinenses e gaúchos
com a chegada dos colonos
se encontra e se funde
com a beleza em magnitude.


Por ti dedico cada momento
de luta e de beleza
por cada instante de vida.


Nova Itaberaba, infinita,
tu és a terra mais bonita,
da minha e nossa Santa Catarina.

Nova Trento


Há muito o que contar
sobre a terra que levou
os trentinos cruzarem
o Oceano Atlântico,
Em meio ao magnânimo
Vale do Rio Tijucas,
Lindamente cravejado
pelo verde da nossa
amorosa Mata Atlântica,
da bela Santa Catarina,
total, austral e romântica.


O voto de amor foi feito
para com a terra que
tudo deu e tudo nos dá,
entre o Sol das lutas
e sob a sombra da Indaiá.


E assim se ergueu uma
cidade em meio à Natureza,
vinícolas e espiritualidade;
onde a beleza abunda,
reina a paz e a serenidade.


Com honra e luta o povo
veio, viveu e venceu,
Em Nova Trento se recorda
a memória ancestral,
Desde a Dália plantada
e o pedido em casamento
feito para a sua amada.


A gente segue em frente
pedindo sempre com toda
a devoção a intercessão
da abençoada Santa Paulina,
para que nada nos falte,
E seja para nós o farol
que a todos ilumina;
Com ela além de pedir,
agradecemos a Deus todo dia.

Terra de Paz, Sem Redomas


No andar dos princípios universais
onde todos os povos são iguais,
sob a copa do Pau-Brasil e de tantas
outras árvores não é nenhum
esforço buscar o entendimento,
junto de quem não está entregue
de corpo e alma à supremacia;
não estou falando nada demais
ou que viole o direito à vida digna.


A lei da Nação do Chuí ao Caburaí
que cabe aos povos deste território
jamais pode vir a ser comutada,
mascarada ou desprezada,
por outra lei que coloque
qualquer povo envolto
e protegido por uma redoma,
porque aqui é terra de paz,
e nos lemos entre os nossos
como iguais mesmo os mais intransigentes,
não somos e jamais seremos
procuradores de guerras de outras gentes.


Por qual razão estou falando nisso?
Parece que uns além de ignorarem
o próprio solo gentil - andam ignorando
o que é de declaração universal
sob o manto do Hemisfério Austral;
Sim, é verdade, estou alertando,
para que não nuble o cérebro,
não tapem os ouvidos,
não nos vendam os olhos,
não amordacem os lábios,
para que amanhã não seja tarde demais.


Para que no futuro não nos sobre
o vazio de nós mesmos sobre
os pratos da balança da justiça.

Iukê




O coração é Iukê batendo na terra
nas mãos dos Uapixanás
do Rio Branco até o Rio Amazonas,
O ritmo te põe hipnotizado,
pelas minhas danças embaladoras.


(De todas as existências sedutoras,
a minha é a mais encantadora).