Poemas da Juventude de Paulo Coelho
Ah! Esse vento,
pena que não posso ver,
Mas vejo as janelas bater.
E o cheiro dela aqui dentro,
que não consigo esquecer.
Por favor! Volta a chover,
assim não vou sofrer.
Que eu possa fazer,
Numa chaleira bem quente.
Só pra me aquecer,
tomando meu café.
Até o sol nascer.
Eu não te desejaria o mundo,
porque ele não é imenso.
Não te desejaria o universo,
porque ele já é completo.
Te desejaria o meu amor que
pode ser infinito,
É o que eu sinto.
dormir — brasa atada a brasa
despejado em caminhão de mudança
(semente que todo presente sem fogo é)
dormir — as medidas da casa que habitamos
sem plástico-bolha
sem feltros sem gota de esperança
enquanto meus ouvidos balançam as lâminas e
meus joelhos pesam o que descabe em seu contento
(e pelo resto desse orelhão aplicado a seco)
me deixando casca
de não saber se vida é caminhão parado
se é caminhão movimento
Bloco de rima
altruísmo desastroso erva luz
par do meu florescer interminável
enxerto na bolsa do teu alicerce
segura pelo meu desastre
neste jogo de semente em algodão
demora na construção da pá
empresa escalando rendições em teu poço
em teu mito do desinteresse
auxiliado pela repetição (elo-azar)
essa mancha patinada — geração
quilha substituindo o céu
nó da surdez e os crimes da natureza
enquanto escapa de mim em fundura
rumo ao que se emenda com desistência
com o uso excessivo de lembranças
adesivo da chegada ao outro
esse arpão que BUM e descasca o excitamento
de centro do mundo e menos a enraizar
sumindo dentro dos crimes da natureza
esse tiro guardado dentro da flor
mudez que empresta aos teus olhos o voar
no rosto imerso no espelho
a confirmação de que o meu superpoder
é colocar carroças na frente dos bois
tablado batendo o susto
no compro ouro corriqueiro
onde o ferro volta à carne
e no reflexo do caixa o olhar de máquina
jornada duma luz que não aceitei –
metragem cansaço inesperado
(razão preenchimento do odiar)
e uma voz na cópia me dizendo
nunca foste tu o salvador
desfazendo o refrão dos que lutam
e são imprescindíveis
as lágrimas da passeata
e invadido pela esperança que alastrei
sem encontrar a guerra santa
que havia dentro do poema e da canção
removo as verdades estampadas
nas camisetas
alinhavo o que se rasgou no heroísmo
admito que o tempo é maior (e dá repuxo)
que são intermináveis os sonhos
apesar da evasão que nasce deles
já atingido pela chance do amor
(jarro terrível)
falho escudo imprescindível
então numa festa com uísque de graça
uma bonitinha de cabelo curto
chega bem perto de você
e diz que sente pena de você
diz que você está se tornando
tão patético quanto as personagens
que inventou
A sua concepção da história [do analfabeto político] é, pois, puramente mecanizada e, por vezes ao mesmo tempo, fatalista. Para ele, a história pertence apenas ao passado; não é o que evolui hojeou o que evoluirá amanhã. O presente é qualquer coisa que deve ser normalizada, e o futuro, mera repetição do presente, deve ser também normalizado, isto é, o status quo deve ser mantido.
Por vezes, o analfabeto político apercebe o futuro como não sendo exatamente a repetição do presente, mas como alguma coisa de preestabelecido, de dado antecipadamente. Mas uma e outra concepção são concepções "domesticadas": uma escraviza o futuro ao presente, o qual deve repetir-se; a outra reduz aquele a qualquer coisa de inevitável.
...Desse amor estocado
Vai aos poucos se desfazendo
Não é um exagero
E sim as marcas dos seus erro
Que tudo isso pode ser passageiro...
" O amor está em extinção"
Ame enquanto há tempo de amar
Porque se for verdade com dinheiro não se pode comprar
"Seja recíproco que assim você pode conquistar"
Mas jamais deixe de amar.
Olhos Cerrados
Um dia quisera eu sonhar
Com a brisa do teu sorriso,
Com o leve pulsar da alma
Inebriando meu juízo...
Quisera eu sonhar
Com a fonte dos teus desejos...
Um dia quisera eu sonhar
Que teus olhos nos meus fariam música...
Que nossos corpos não resistiriam
E, em brasas,
Se entregariam...
Quisera eu sonhar...
Mas ao acordar,
Percebi que tu não estavas ali...
Seus olhos,
Olhavam para olhos distantes,
Não obstante,
Se entregavam
A olhos cerrados,
Destemida,
Falavas em paixão reprimida...
Eu apenas senti...
As pessoas perguntam: Até quando o medo vai prevalecer sobre as chances da felicidade?
Um sábio disse: até quando querer realmente ser feliz sem medir esforços.
A Declaração
Meu amor por ti já foi verdadeiro e minha paixão já foi profunda.
Eu declaro aqui que o meu sincero desejo é do meu pé na tua bunda.
Felicidade
Onde se encontra a tal felicidade?
Talvez ela mude conforme a idade
Mas sempre houve a sua presença
Que talvez não notada por conta da desavença
E você se encontra evoluindo
E sua cabeça vai se abrindo
Aprendendo a observar onde ninguém vê
E quando enxerga se pergunta, por quê?
Ela estava ali o tempo todo na lição
Mas o mundo chega com muita informação
Fazendo-o apenas enxergar um padrão
E é esse padrão que você precisa se dizer não
Pois a busca mais profunda que o próprio mar
Talvez esteja embaixo do seu olhar
E quando se aprende a valorizar
Tudo aquilo se torna o seu lugar
E mesmo que demorar para ver
Quando enxergar, não se deixe perder
Pois é cliché e todos vão falar
"É preciso perder para valorizar"
Sabendo desse ditado sincero
Não se preocupe ao sair do zero
Pois todos a encontramos em um lugar bonito
E que acaba nos levando para o infinito.
Ancestrais
É lamentável ver uma história apagada
Se encontra séculos depois, homem na estrada
Como um dia frio e estrela ofuscada
Que nunca subiu, só desceu escada
Nunca me explicaram que alguns quilômetros daqui
Havia um quilombo forte difícil de destruir
E a luta vem de antes, estou falando dela
Mulher forte e poderosa, Tereza de Benguela
Se alguém falasse à Luiza Mahin
Que "mulher é sexo frágil, vai por mim"
Ela daria risada desse nobre revel
E aboliria a escravidão antes da Princesa Isabel
Nossa eu contei, esquece
É só um lado da história que a gente conhece.
Sorriso Amarelo
Sempre tão indeciso
Mas levava um belo sorriso
E a vida veio café quente pra ensinar
E deixando infelizmente o sorriso amarelar
A lenha ao queimar, se transforma em cinzas, ora, as cinzas são os restos vegetais da lenha. Não é mais a lenha que está no fogo; apenas a cinza que foi da lenha.
Quando você morre, seu corpo se transforma e entra em decomposição; não é mais você que está no cemitério, apenas os restos mortais que foi seu.
Por isso, com exceção a velórios, não vejo motivo para ir ao cemitério. Não há nada meu lá.
"Por que eu andaria com as minhas próprias pernas se tenho as pernas dos outros pra andar?"
Assim pensa o aleijado emocionalmente.
Ruim é quando os outros resolvem levar suas pernas embora...
Hoje se está dificéis fazer verdadeiras amizades.
Por que quando você não tem,não querem está perto.
E quando você tem muito,eles vão querer que você retroceda.
Me amar não é assim tão fácil
Vem aqui meu mapa é seu espaço
Diz pra mim se é bom o que eu te passo
Eu já sei, eu já li nos astros
