Poemas com Rimas de minha Rua

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Minha mente é um território hostil após a meia-noite, lembranças andam armadas e a esperança raramente faz o turno da noite.

Minha esperança é uma sobrevivente teimosa, mesmo ferida e sem fôlego, ela insiste em se manifestar nos escombros.

Minha trajetória não é estética, é ética. Há uma beleza ferida na honestidade de assumir que nem tudo está bem.

Exauriu-me a tarefa de legendar minha dor para quem não sabe ler sentimentos. Prefiro o silêncio de quem escreve.

Minha mente é um canteiro de obras infinito, sempre há algo sendo demolido para que uma nova versão de mim tente nascer.

Minha alma suplica por trégua, enquanto a vida exige movimento. Passo os dias negociando minha sanidade com o relógio.

Minha dor é um texto longo, cheio de notas de rodapé e silêncios estratégicos que nenhuma frase curta consegue resumir.

Sou vítima de cenários hipotéticos, sofro por tragédias que minha mente cria com a perfeição de quem já viveu o pior.

Sinto saudades de uma versão minha que talvez nem tenha existido, apenas a ideia de quem eu poderia ser antes de tudo.

Minhas cicatrizes criaram relevos na minha alma, elas limitam meu alcance, mas definem a singularidade da minha jornada.

Não busco salvadores, busco testemunhas. Alguém que valide minha travessia sem tentar consertar o que é, inerentemente, humano.

Minha alma tem a textura de uma casa abandonada, onde o vento sopra entre as frestas de memórias que eu deveria ter enterrado.

Às vezes sinto que minha alma é um piano de cauda abandonado sob a chuva, onde cada gota que cai sobre as teclas evoca um acorde de saudade que ninguém mais sabe tocar. A música que resta em mim não é para os ouvidos do mundo, mas para o silêncio dos que já se perderam de si mesmos.

O mundo exige uma produtividade que minha dor desconhece, pois ela opera em um fuso horário onde o segundo é uma eternidade de esforço apenas para respirar. Sou um desertor dessa guerra pela felicidade compulsória, preferindo a paz de ser apenas um resto de esperança.

Não me peça para sorrir para a foto quando minha alma está ocupada demais tentando não desmoronar sob o peso de um céu que hoje resolveu pesar toneladas. A melancolia é o meu estado de repouso, o único lugar onde não preciso fingir que a vida é um comercial de margarina.

A solidão é uma amante fiel que nunca reclama do meu mau humor ou da minha falta de apetite para a vida social de fachada. Ela senta-se comigo à beira da cama e, no escuro, somos dois velhos amigos discutindo o que restou de luz nas frestas da janela.

Minha alma tem o cheiro de livros antigos, daqueles que ninguém mais abre porque têm medo do que as páginas amareladas podem revelar sobre o passado. Sou um acervo de histórias que ninguém quer ler, guardado em uma biblioteca que o tempo esqueceu de demolir.

No meio do barulho que me cerca, minha alma inquieta chora baixinho, soluçando ao ver meu coração dividido em quatro pedaços.

Ao longo da minha trajetória, muitos se foram, mas não sinto falta, o que partiu, na verdade nunca me pertenceu.

A escrita me encontra na noite, instante em que a melancolia se aproxima e se torna minha mais fiel companhia.