Poemas com Rimas de minha Rua

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Há que, na medida do possível, prestar favores a todos: quantas vezes não precisamos de quem é menos do que nós.

Sem as ilusões da nossa imaginação, o capital da felicidade humana seria muito diminuto e limitado.

A ignorância dócil é desculpável, a presumida e refratária é desprezível e intolerável.

Parece, na verdade, que nós nos servimos das nossas orações como de um jargão e como aqueles que empregam as palavras santas e divinas em feitiçarias e em efeitos de magia.

Os conselhos dos moços derivam das suas ilusões, os dos velhos, dos seus desenganos.

As pessoas importantes fazem sempre mal em se divertir à custa dos inferiores. A troça é um jogo, e o jogo pressupõe a igualdade.

Só se pode conversar duas horas com uma mulher quando se lhe diz sempre a mesma coisa.

As obras de caridade que se praticam com tibieza e como que a medo, nenhum mérito, nem valor têm.

A estirpe herda-se e a virtude conquista-se; e a virtude vale por si só o que a estirpe não vale.

O interior das famílias é muitas vezes perturbado por desconfianças, ciúmes e antipatias, e enganam-nos as aparências de satisfação, calma e cordialidade, fazendo-nos supor uma paz que não existe; poucas há que ganham em ser aprofundadas.

Os filhos seriam, talvez, mais caros a seus pais e, reciprocamente, os pais aos filhos, sem o título de herdeiros.

Os empregos que por intrigas e facções se alcançam, por facções e intrigas se perdem.

Os homens são sempre mais verbosos e fecundos em queixar-se das injúrias do que em agradecer os benefícios.

A verdade é tão simples que não deleita: são os erros e ficções que pela sua variedade nos encantam.

Uma boa recordação talvez seja cá na Terra mais autêntica do que a felicidade.

Há grandeza mais verdadeira numa boa ação do que num bom poema ou numa grande vitória.

A imperfeição é a causa necessária da variedade nos indivíduos da mesma espécie. O perfeito é sempre idêntico e não admite diferenças por excesso ou por defeito.

É tão fácil o prometer, e tão difícil o cumprir, que há bem poucas pessoas que cumpram as suas promessas.

Há tantos vícios com origem naquilo que não estimamos o suficiente em nós, como no que estimamos mais.

Há muita gente boa e feliz, porque não tem suficiente liberdade para se fazer má e desgraçada.