Poema sobre Existência
Somos o breve despertar da matéria para si mesma. Por um instante, átomos dispersos pelo cosmos se organizam, ganham forma e consciência, e ousam perguntar: 'o que sou?'. Mas não há um centro fixo, nem um propósito evidente — apenas o fluxo contínuo da existência, que se dobra sobre si em miríades de formas. A humanidade, nesse contexto, é uma metáfora do próprio universo: instável, transitória, mas plena de significado enquanto acontece. Existimos como quem sonha, e talvez a vida seja apenas o modo como o cosmos se contempla, silenciosamente, antes de adormecer novamente.
O início de tudo não foi um momento, mas uma ausência: a ausência absoluta, onde nem mesmo a ausência podia ser concebida. Antes de qualquer tempo, qualquer espaço, qualquer lei, havia apenas o impensável — aquilo que nem o nada consegue nomear. E então, sem porquê, sem finalidade, sem testemunha, o ser se insinuou: não como um estouro, mas como uma inevitabilidade silenciosa, um gesto que não pôde ser contido. O que chamamos ‘início’ não é o princípio de algo, mas a fratura do impossível — o ponto em que a inexistência já não pôde mais se sustentar e, ao ceder, deu lugar à possibilidade. O tempo nasceu junto com o espaço, como dois gêmeos siameses, costurados pela necessidade de que algo se transformasse. A matéria não veio depois: ela sempre foi o desdobramento desse impulso primordial, o eco daquela primeira vibração sem origem. O início não aconteceu, ele ainda está acontecendo, a cada respiração, a cada pensamento: o universo segue começando, incessante, em nós, através de nós, apesar de nós. E talvez seja esse o maior segredo: que o início nunca terminou.
Todos os dias travamos uma luta silenciosa dentro de nós: entre pensar de forma consciente ou simplesmente viver no automático. O inconsciente nos empurra para hábitos repetidos, respostas impulsivas e uma existência guiada pelo conforto da rotina. Já a consciência exige presença, reflexão, escolhas intencionais. Viver conscientemente é mais desafiador, pois requer coragem para questionar, mudar e evoluir. É perceber que não somos apenas o resultado do que nos ensinaram, mas também criadores da nossa própria trajetória. A luta interna é, na verdade, um convite: sair da dormência e assumir a responsabilidade pela própria vida. Quanto mais despertos estivermos, mais sentido terá cada passo, cada decisão, cada encontro. O desafio é constante, mas a liberdade que nasce da consciência vale cada esforço. Afinal, só quem desperta consegue, de fato, viver plenamente.
A verdade não é um destino, mas uma jornada constante que se revela apenas aos olhos de quem busca, sem temer o desconhecido.
A calmaria é o maior estado de loucura. O silêncio absoluto, a vontade de não falar, de não ouvir, é torturante. Você se perde nele como num mar sem fim. Mas então surgem sons abafados ao longe, ostinados que quebram o silêncio. Pessoas ao seu redor começam a chamar seu nome. Aos poucos, te puxando de volta, forçando você a abandonar o conforto do silêncio. O mundo não tolera a paz por muito tempo, e te obriga a responder, a existir...
Não somos senão artífices do invisível, forjando sentidos na vastidão do incognoscível, enquanto o tempo escapa pelas frestas do ser.
Nada mais triste que os pensamentos, os poemas e os momentos, que aqui não estarão, pelo esquecimento, erros do sistema, temor ou peso. Porém, nada mais alegre, até porque minha existência não pode ser contida em tão pouco.
“O tempo não é uma linha reta, mas um espelho que nos obriga a confrontar o que realmente valorizamos na imensidão do universo.
Não existimos como entidades fixas. Somos apenas arranjos temporários de partículas, unidos por interações fundamentais, emergindo por um instante no vazio quântico do universo.
Às vezes, o que chamamos de 'eu' é só um abrigo improvisado que a mente construiu para suportar o peso de ser.
A essência do ser reside na simplicidade do sentir, onde o tempo é mera ilusão e a plenitude, a única métrica.
Sim, você deseja ser desejado, e que outros desejem o quanto você é desejado. Não a essência do fenômeno, mas a aparência potencial.
Fechamos o tempo com o sorriso da Graça, mesmo que nos aprisionem dentro do nosso eu, ainda assim, continuaremos a existir no silêncio da nossa honestidade.
"...O mais raro do amor, é encontrá-lo com a intensidade das almas, que se tocam e confabulam, para além das dimensões aparentes da existência...
