Poema sem Amor Madre Teresa
Deixe um pouquinho de ti
Leve um cadinho de mim
Quem sabe assim
Eu cresça em você
E floresças em mim.
PAI
Pai, quantas vezes fiquei revoltado
Por não deixar-me andar com aqueles "amigos"
Que gostavam de correr perigo
Por não teres me dado aquele tênis irado.
Pai, tantas vezes eu não entendi
O porquê de querer me levar pra escola
Deixar-me de castigo por notas vermelhas
Beijar-me na bochecha sem entender que cresci.
Pai, tantas vezes desprezei seus conselhos
Fugi de casa pra viajar com colegas
Acidentei-me naquele carro sem freio
No hospital virei a cara aos seus beijos.
Pai, hoje sei que você estava certo
Quando queria que eu chegasse cedo em casa
Quando dizia que não fosse tarde pra cama
Quando mandava eu ficar por perto.
Pai, levou tempo, mas agora entendo
Suas lágrimas em minha formatura
Àquela surra quando roubei no mercado
Seus soluços ao ver vovô morrendo.
Pai, como eu queria que você soubesse
Hoje sou igualzinho a você
Meus filhos ainda não me entendem
Como eu queria que seus conselhos desse.
Meu pai, tudo eu daria com toda certeza
Pra ter direito a um último pedido
Pois sem você eu me sinto perdido
Só mais um beijo em minha bochecha.
TROCA
Vamos trocar nossos saberes
Você aumenta meu mundo
Eu aumento o seu
Você me ensina a escrever
Eu te ensino a remar
Peraí! Eu não sei remar
Te ensino quando aprender
Amar eu sei!
Deve ser quase a mesma coisa.
PRECE
Ainda trago na boca
O gosto dos beijos teus
Meu corpo agradece
E quase faz uma prece
Rogando que seja seu.
DIAGNÓSTICO
Quando o olhar te trai
O corpo sua
A língua tem sede
A pele arrepia
Quando as pernas vacilam
Será doença ou paixão?
Indecisão!
Quem sabe são a mesma coisa.
MISTÉRIO
Entre o batom e o perfume
A montanha russa de hormônios
Nos vãos da doçura e da artimanha
Nem mil filosofias explicarão
O que se esconde em uma bolsa
E na alma de uma mulher.
DOS QUE PARTIRAM
Nesse mundo tão grande
Muitos passaram por mim
Uns deixaram saudades
Outros ensinamentos
Teve aquele que não fez diferença
E até quem mudasse minha crença
Você?!
Você ainda mora em mim.
COMPANHIA
Que meus versos que andam por aí
Um dia te encontrem
Te contem segredos
Levem a você um pouco de paz
Que as palavras que escondi em poemas
Sejam companhia depois que eu me for
Seja aqui ou distante
Breve ou eterno
Espero que meus versos te liguem a mim.
Esperança
E que todas as flores mortas
Virem sorrisos
E que todas as lágrimas
Se transformem em sonhos
E que os nossos mundos
Se alinhem talvez
E que nosso amor
Reine outra vez
Andarei sozinha
E não vou olhar pra trás
Irei embora
Por medo de voltar a trás
TECITURAS
Eva tecia em folhas de figueira
Penélope seu longo bordado
As vozinhas costuravam em máquinas onde brincávamos de dirigir
Época em que agulha e linha da vida faziam parte
As mãos teciam
Enquanto a gente fazia arte
Ah! Pena que quase tudo isso acabou
Deixe eu terminar de tecer essas palavras
Vou aliavar esse poema
Antes que nos roubem isso também.
MINHAS ESTAÇÕES
Que nem meus outonos
Quando caírem minhas folhas secas
Nem meus invernos
Quando eu precisar que me aqueça
Tirem de mim a beleza de um novo dia de sol
Nem a delícia de ser visitada pelo beija-flor
Quando eu voltar a florir.
Hoje
Abrigarei soluços no peito
Afogarei o travesseiro
Direi adeus sem palavras
Sem abraços
Sem seu reflexo em meus olhos
Hoje
Dividirei o copo com a tristeza
Tomarei um porre de saudade
Beberei do vazio que ficou
Só hoje
Amanhã passarei batom vermelho
Darei novos sorrisos
Se não der...
Viverei de improviso.
FLOR DA PERIFERIA
Se eu fosse flor
Queria ser flor do caminho
Daquelas que não se vende
Ninguém se preocupa em molhar a raiz
Cresce fincada à terra
Entre espinhos e pedras
Se eu fosse flor
Não gostaria de ser rosa, orquídea
Ou um frágil lírio
Queria ser flor que nasce em ruelas
Em becos
Flor de periferia
Daquelas que passam despercebidas
Rejeitadas
Quando se percebe já se espalhou
Tirou forças da terra seca
Cresceu sozinha
Espalhou sementes
Já não adianta arrancar.
Vida, a vida pode ser cruel,
vida que se queixa sem ter o mel,
para adoçar essa vida,
pode olhar a fauna, flora, mar e céu.
Felicidade, esta é uma peça,
peça esta de um quebra-cabeça,
que talvez não tenha fim.
Pois cada momento feliz
é montado peça a peça por você, por mim.
Porém ela continua incompleta,
sempre buscando ser descoberta,
e pode, nos mínimos detalhes da vida.
A felicidade nunca esta pronta,
mas é constantemente construída.
Vou lhe contar um segredo,
encontre algo que ame fazer,
e de seu máximo, será um prazer, sem medo,
e com certeza, querendo, mudará seu enredo.
Não trabalhe somente pelo dinheiro,
esta é uma cultura criada sem direito,
precisa se realizar no que gosta de fazer,
só então sentirá o verdadeiro prazer.
Concorde que o amor é o que há de mais valioso,
então, ame seu trabalho, pessoas, tudo que puder,
e ai se tornará vitorioso.
A vida é um espelho de sentimentos,
então se remeta a um bom endosso.
Existe um olhar diferente,
A tudo e á todos
Não imagino uma pessoa ínfera á outra,
Somos pedaços,
E nada nos leva a pensar
Que não exista...
Pessoas distintas a cada olhar,
Pessoas distintas a cada pensar,
Pessoas distintas a cada andar,
Pessoas distintas a cada falar,
[...]
Sem dúvidas,
realmente somos diferentes,
Por formas e pelas variáveis feições,
E ao mesmo tempo somos iguais,
Por dentro,
E essa igualdade não nos
fazem pensar que não exista...
Momentos distintos a cada pessoa,
Atitudes distintas a cada pessoa,
Personalidades distintas a cada pessoa,
Cada pessoa distinta a cada pessoa,
[...]
Nem somos forçados a existir,
Muito menos a resistir a essa oposição,
Se não consideramos o Deus
Nossa grande salvação,
Não seremos diferentes,
Não seremos distinção
[...]
Ouvi qualquer voz dizendo: “não sangre tanto”.
e outra, engasgada, que desconfiada de mim
tapava a minha boca com a exausta lama das lamentações.
Ouvir – estou vendo a alta cúpula do Desejo
que minha mão não toca por cansaço.
Deixo-me porque pisar determinada é artifício,
um soluço na câmara lacrada -
toco o vidro e ele se ergue imutável.
Contenho bem pouco em mim
e em redor só vejo o que exalo
um semblante circular em espiral
de uma voz
- só para mim -
sempre incógnita.
Tormenta
Uamor é como flor qui só disabrocha na intimidadi
É como gota quiscurrega na bainha du vento
É como onda qui suspira na saia du mar
É a sinfonia mais pura du Zóio da Alma
Despidida
Meninu
Nuá segredo escondidu
Quando si tem pouco a ser dituai
Silencie púrum instanti...
Agora iscuti...
- É o coração!
Lembri-si o incontru é sempre nu Véu Duoiá
Serpentina Colorida
Ocê nué um sonho,
É existência mais bela,
É a estrela sem nomi,
É fascínio e delírio
É o vazio mais preenchido
É pumodiqui ocê é a morada du Infinitu
Feliniana
Agora penso
Qui boca é essa?
Qui mata a sede e beija Flores
É a porta perfeita dos desejos indiscretos
Iscondi sorrisos di infância
Agora penso
Qui boca é essa?
Quinú fala com palavras
Essa boca é danada ficou mal acostumada
Nú pensava em ouvir nem amá-la
Mas essa boca é encarnada na linha doci du beijo
