Poema Passei para Deixar um Beijo
Há dois móveis de madeira
Que não é brincadeira
Um com amor é presenteado
O outro contra a vontade é comprado
Um traz felicidade que tonteia
O outro tristeza e cara feia
Um enche de paz e alegria
O outro de sofrimento e agonia
Um vem com futuro e pujança
O outro vai com sonhos e esperança
Um anuncia uma nova aurora
O outro avisa que chegou a hora
Um é luz e imensidão
O outro é treva e solidão
Um mostra que da terra viemos
O outro comprova que pra terra voltaremos
Um representa vida e nascimento
O outro demonstra morte e falecimento
Um construído em madeiras trabalhadas
O outro é feito tábuas mal serradas
Um é continuidade e perpetuação
O outro finda um geração
A cada dia que se passa
De um agente se afasta
E na mesma proporção
Do outro é a aproximação.
Morte te faço um pedido
Peço pra morrer em serviço
Desprezo o dia e a hora
Suplico apenas pela forma.
Que seja heroicamente!
Afogado numa enchente
Socorrendo minha gente
Asfixiado por fumaça
Doando oxigênio de meu recipiente
Soterrado nos escombros
Buscando sobreviventes
Queimado num incêndio
Protegendo inocentes
Sou Bombeiro
Pelo destino forjado
O pedido já foi feito
Esperando apenas o chamado.
Deus pegou Maria pela mão
José trouxe pelo pé
Para formar um casal em Nazaré
O resto do mundo aplaudiu de pé
Maria na certa não sabia bem pra que é
Mas o arcanjo explicou pra virgem de Nazaré
José na santa ignorância bateu o pé
Mas assumiu o papel de pai que é
Formando a Sagrada Família de Maria e José
Contemplando com a vinda de Jesus de Nazaré
A Família crescia em graça, sabedoria e fé
Sabe-se da chegada de outros filhos, mas não se sabe quais que é
José da arte da madeira sobrevivia
Maria cuidava dos afazeres do dia-a-dia
Jesus seguiu seu destino do jeito que a escritura dizia
Realizando a Santa Profecia
José morreu primeiro, cumprindo a ordem estabelecida.
Jesus foi crucificado, morto e sepultado, mas foi ressuscitado no terceiro dia
Maria da sua morte não se sabe a origem até hoje em dia
O mais comum é dizer o trânsito da Virgem Maria
Em um pseudepígrafo cristã
Foram 33 homens e 23 mulheres
Frutos do pecado da maçã
Num conflito de geração
Filhos e filhas deram continuidade
A família de Adão
Dez homens ficaram na contra mão
Esperando mais cem anos
Pela próxima geração
Seth e Azura iniciaram a confusão
Foi quando Adão de pai
Passou a ser o primeiro avô da criação
De geração em geração
O primogênito perdeu a ponta do cordão
Noé foi o último dos cristãos
Causando a maior confusão
Casam-se homens com homens
Definhando de uma vez a linhagem de Adão
Num certo dia
Num certo lugar
Um galo na goiabeira
Cantava pra se esfolar
Atrapalhando um belo casal
Que estava a namorar
O galo no seu fole a cacarejar
Acordava a todos daquele lugar
O namoro do casal que muito tempo atrasado estar
Aperreava-se com o galo a cantar
Vendo a hora a mãe da moça se acordar
Beijos pra lá
Beijos pra cá
Mãos acolá
Continuava o namoro sem parar
Mas antes das três
O galo resolveu se alevantar.
E, se, pois a cantar.
Demarcando o seu lugar
Ordenando as galinhas a se acordar
Demonstrando que estava ao casal invejar.
Insistiu tanto no seu cantar
Que sua dona fez acordar
Acabando o namoro que estava a melhorar
Depois desse dia e desse lugar
Onde houver um galo
Jamais irei passar
Nem tão pouco namorar
Missa do Galo pra mim vai se acabar
O Galo da Madrugada não irei mais brincar
A Torcida do Galo Mineiro vou vaiar
O horóscopo do Galo chinês vou rasgar
O Galo de Barcelos vou quebrar
E canja de galinha vou comer em qualquer lugar
Pra o galo pagar a raiva que me fez
Naquele dia e naquele lugar.
MEU MUNDO
Um grão de areia perdido
Um coração recém-nascido
Um olhar despercebido
Um caminhar sem sentido
Um grito oprimido
Um amor divido
Um cristo vivo
Um dilema vivido:
De onde vim
Pra onde irei
Antes de
Teres-me
Consumido.
TERRA!!!!!!
TERRA!!!!!!
TERRA!!!!!!
... Por aquele pensador ao crer
Em um único Deus supremo de paz e amor
Será condenado e morto
Por um Rei cruel e ditador.
"Nave Negreiros não tarda a chegar
Muitos morrem sem te encontrar".
A PELEJA DO SAPO
Me falaram de uma história
Que minha imaginação
Não acreditaria
Falavam de um Sapo
Que um certo dia
A lua engoliria
Fiquei tão impressionado
E imaginando
Como isso aconteceria
Um Sapo tão pequeno
E a lua tão grande
Como ele conseguiria
Falavam que era noite
E o Sapo na lagoa
Pela Lua se apaixonaria
Vendo o reflexo da Lua na lagoa
O Sapo planejou um plano
Que logo em pratica colocaria
Dando um mergulho na lagoa
Com a boca bem aberta
A Lua, ele engoliria
Prosseguindo o plano da sua vida
Saltou pra dentro da lagoa
Bebendo toda água que podia
Bebeu tanta água
Que sua barriga pequena
Nunca conseguiria
Saiu da lagoa boiando
E passou semanas rolando
Por que saltar não podia
Coitado do Sapo
Recebeu uma lição
Para o resto da sua vida.
SEGUNDO DOMINGO DE MAIO
É um grande Dia e muito especial, mas é pequeno e insignificante comparado com Aquela que perdemos.
MULHER!
(Autoria: Otávio Bernardes)
“Toda e qualquer mulher tem um quê de fantasia e de sublimidade!”
Otávio Bernardes
"Não se deve vender os "frutos"... e sim as sementes, para que cada um plante à sua maneira!"
(Otávio Bernardes)
JOVEM GUARDA: era um tempo "divino": cantávamos com alegria e colocávamos um sentimento verdadeiro nas músicas...
"Houve um tempo em que o céu era mais azul... o mar também... e havia mais paz no mundo e nos corações! Por que será!?"
Otávio ABernardes
Goiânia, 14/09/'24
"Existem músicas... canções... que são um verdadeiro bálsamo
para a nossa alma!"
Otávio ABernardes
Goiânia, 29 de junho de 2025.
"Muitas vezes, um pensamento positivo pode e deve mudar a sua vida amanhã!"
Otávio ABernardes
Goiânia, 12 de abril de 2026.
BENDITA A MÃE!
(Autoria: Otávio Abadio Bernardes)
Bendita seja, mãe querida,
que, um dia, me ensinou
o significado da vida!
Sua força e seu amor me guiaram
para o caminho do bem...
procurando sempre enfatizar
sem nunca olhar a quem!
E ainda devo dizer
sem nunca desmerecer
ensinou-me a voar também...
Seus braços sempre se abriam
pra mim e pros seus...
quando eu só queria um abraço
só meu!!
Seu coração compreendia
tanto de noite como de dia
quando necessitava de um amigo...
para estar sempre comigo!
Seus olhos ternos se endureciam,
mesmo com semblante divino...
cada vez mais me deixava menino!
Ao precisar de uma lição,
sempre tinha muito amor e confiança
na sua bendita mão!
Receba, mãe, os cumprimentos
da sua família inteiro,
que teve sempre com afeto
a beleza do amor, primeiro!
Vejo no amor um véu de silêncio e incerteza... figura que se insinua entre o sensível e o inteligível, como a sombra nas paredes da caverna: ora abrigo que consola, ora ilusão que se desfaz ao se voltar para a luz.
E, paradoxalmente, reconhecer esse véu é, por si, uma forma de clareza... como se a própria dúvida fosse um indício de profundidade, e o enigma, uma morada possível para aquilo que não se deixa capturar por inteiro.
Meu coração bate de forma distinta,
Um ritmo novo, mais ofegante.
Ele me deixou pulsando,
Uma vibração que há muito não sentia.
Vivemos em mundos que não se tocam,
E, no entanto, encontro-me envolvida,
Sentindo algo por alguém
Que desafia o meu conforto.
Como é possível, pergunto-me,
Que a diferença possa gerar tal atração?
Que a alteridade possa despertar
Essas profundezas em mim?
Talvez seja na divergência que reside,
Onde a alma encontra um espelho
Em um reflexo inesperado.
Bosch e eu: entre a crítica e a ferida colonial
De todos os artistas europeus, há apenas um que ainda me atravessa: Hieronymus Bosch. Ele me coloniza — não pela forma, não pela técnica, mas pela crítica feroz que carrega. Bosch é o único colonizador que ainda habita meus delírios, talvez porque a acidez do seu olhar sobre o mundo medieval encontre eco no que eu também preciso denunciar.
Ele pintava o colapso moral da Europa — os vícios, o poder podre, a queda da alma. Eu pinto outro colapso: o da terra invadida, dos corpos silenciados, da memória arrancada pela violência da incursão portuguesa.
Se Bosch mostrava o inferno como consequência do pecado, eu mostro que o inferno chegou com as caravelas. Não há punição futura — o castigo já está aqui: na monocultura do eucalipto, na esterilização do solo, na morte do camponês brasileiro , no apagamento dos povos indígenas.
Há em nós uma fúria semelhante, mas nossos mundos são outros. Ele critica o homem que se perde da alma. Eu denuncio o sistema que rouba a alma dos povos. Bosch pinta o desejo que conduz à danação. Eu pinto a resistência que surge depois do desastre.
E, mesmo assim, ele me coloniza. Como assombro. Como espelho invertido. Às vezes penso que sua crítica me provocou antes mesmo de eu saber meu nome. Ele habita uma parte do meu gesto. Um inimigo íntimo. Uma fagulha que queima, e que às vezes me ajuda a incendiar o que precisa cair.
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