Poema Passei para Deixar um Beijo
Contudo, se o ato de amar liberta,
Cumpro minha pena livre.
Sou um condenado,
Obrigado a responder em liberdade.
Absolvição de um Pecado Imperdoável
Perdoe-me Pai.
Peço desculpas Senhor todo poderoso,
Peço que me absolva Deus meu, porque errei,
Um erro imperdoável (inaceitável).
Transgredi o mais importante,
Grandioso e definitivo mandamento
E como se não fosse o bastante,
Violei também o segundo maior,
Aquele que o teu próprio filho proclamou.
Mas não espero que me perdoe,
Não espero perdão, por cometer
A mais grave dentre todas as faltas,
Porque meu pedido não é sincero,
Não, não o é.
Se me entregasse à sinceridade,
Expondo-lhe tudo aquilo que interiorizo,
Lhe confessaria que descumpri
Os mandamentos mais sagrados,
Pois acurralado por meus sentimentos,
Não pude defender-me e cedi.
Cedi ao que me foi avassalador,
Dominante, devorador, atropelante,
Predominante, preponderante.
Cedi a Ela.
Entreguei-me a Ela.
Vendi-me a Ela.
Engrandeci, amadureci, desfaleci,
Me restitui por Ela.
Te amei mais do que me amei.
Te amei mais do que ao próximo.
E em meu pecado imperdoável
Te amei mais do que a Deus
E sobre todas as coisas.
Contudo, se o ato de amar liberta,
Cumpro minha pena livre.
Sou um condenado,
Obrigado a responder em liberdade.
Te amei mais do que me amei.
Mais do que ao próximo.
Mais do que a Deus.
Mais e sobre todas as coisas.
Ps. Absolvição de um pecado imperdoável,
concedida a um condenado respondendo em liberdade.
Esmalte Craquelado
Faiscava mais
Que um colar de strass,
Vinha embriagante
Pruma mente sã.
Vestindo um tubo
Monocromado,
Equilibrando
Em teu scarpan.
Teu esmalte craquelado
É tão vivaz,
Expondo claramente
Aonde estás.
Teu todo abrilhantado
É tão particular,
Expondo claramente
Onde pretende estar.
Vestindo um tubo
Monocromado,
Equilibrando
Em teu scarpan,
Vinha embriagante
Pruma mente sã.
Teu esmalte craquelado
É tão vivaz,
Expondo claramente
Aonde estás.
Teu todo abrilhantado
É tão particular,
Expondo claramente
Onde pretende estar.
Ter sensibilidade
em um terreno brutal,
é caminhar na linha tênue
entre o sofrimento
e a libertação.
Um Homem tão Bom Quanto qualquer Outro
Eles estavam vestidos de anseios,
Haviam tido embebidos desejos,
Enfrentamento corporal, desespero,
Ocasionando apreciações e desprezos.
Foi um homem tão bom,
Quanto todos os outros.
Jamais compreendeu esse tom,
Afinal, foram tratos entre insanos e loucos.
O preço a pagar por aqueles
Pensamentos revoltos,
Decisões conflitantes fizeram
Seres perturbados e sorridentes.
Foi um homem tão bom,
Quanto todos os outros.
Jamais compreendeu esse som,
Afinal, foram garras entre chutes e socos.
Ensurdecedores teus olhares,
Permita-me outra vez coletá-los,
Obelisco erigido às beldades,
Quando há quem possa apreciá-lo.
Uma mentira encantadora,
Nos faz suportar inúmeras verdades.
Rima sobre Rima
(ou a Monografia Senil
de um Inovador Ultrapassado)
Do barulho infernal,
Ao brilho cegante,
Energia estridente,
Dissipada em instantes.
Nós somos as massas
E as minorias,
Saboreamos o bônus
E as consequências.
Fomos barbárie em harmonia,
Trouxemos uniformidade e conflitância.
Regamos os buquês floridos da melancolia,
Eufóricos desenfreados, anatomistas.
Portamos as causas e as epifanias.
Éforos da argumentação,
Baboseiras intimistas,
Infinitas.
Estratagemas, pilherias,
Ardis e trapaças,
Emboscadas, astucias,
Arapucas, ciladas.
Declives severos
Nessa nossa investida,
Um passo atrás,
A cada novos passos,
Florida Idiotice Alada Na Era dos Rasos.
Somos suntuosos borrões,
Corajosos apavorados,
Expostos assim de repente,
Na vitrine um vapor dispersado.
Reviravolta
Um exaustivo
Sobe e desce
E vice versa.
Segue acima,
Prossegue abaixo,
Degraus disso,
Degraus daquilo.
O impacto dos calçados,
Em madeira, taco compensado,
Concreto, piso emborrachado,
Sortidos revestimentos e tal.
Perdurou assim por um longo tanto,
Antes e após, punhados de anos,
Até que a escada se cansou
De ser solo, chão ignorado,
Prostrado em desencanto,
Estática imutável vegetante.
Esperou um instante,
Levantou renovada,
Um atrevimento repleto,
vibrante,
Chocando paredes e teto,
Saiu dando cambalhotas,
Escada arrojada,
Escada rolante.
Se existe coisa mais bela no mundo,
Que um sorriso bobo,
Inda não encontrei.
Caso não queira-me como teu,
Deixe-me ficar com tua pena,
Já que não voo, nem me vou,
Poderei ao menos permanecer,
Respirando
Alto,
Floreando
Amores.
Principessa minha.
Ela ainda não sabia,
Mas era dona da matéria-prima,
Com que os encantamentos eram feitos.
Permita-me,
Converter-te no próprio amor
E o amor próprio,
Que se ame.
O Ser e a Luz
(ou um Ótimo Aluno em Jogos de Azar)
Percorri cada milímetro na escuridão,
O Vale das Sombras foi meu Bosque Encantado.
Diversão, na tortura psicossocial.
Campos verdejantes virando caatinga,
Florestas corpulentas se tornando cerrado.
Banalidade corriqueira no ato casual.
Nunca fomos bons em geografia,
Mas temos noção de onde devemos estar.
A sorte foi cruel, nessa vilania,
Nos demos bem apenas em jogos de azar.
Não sabemos calcular com maestria,
Mas a expectativa é de poder somar.
Ainda que o fracasso subtraia vida,
As lições tiradas dele vem acrescentar.
Nunca fomos muito bons em história também,
Não compreendemos tempo, nem cronologia.
As memórias vão além, da vã pedagogia,
Aprender é um recurso bendito,
Requisito definitivo para ensinar.
Na Terna Brandura do Cárcere
O Último Avo de um Amor Extinto
Em qual formato desconexo,
Depositamos desta vez,
Encharcadas expectativas ?
Quão afastados de nós mesmos
Pudemos chegar, sem ferimentos
Graves ou pesares terminais ?
Vislumbres precisamente balizados,
Experimentos da farta engrenagem,
Tudo estaria certo, exceto por nossa
Irrecuperável disposição à auto sabotagem.
Falências agendadas
Com antecedência,
Decompostos em
Nossa compostura célebre.
Resta-nos septos pútridos,
Hábitos promíscuos
E a terna brandura do cárcere.
Arrepios raivosos percorrem
Cada processo das vértebras,
Pálpebras aplaudem frenéticas,
Cãibras confirmam o torpor faminto.
(Se por um acaso,
Nem todos quisessem)
Viver para sempre
Desprenda-se,
Da ideia de
Céu E Inferno.
Descole-se,
Do Paraíso,
Tártaro ou
Repartição,
Satisfação ou
Punição perene.
O maior triunfo,
Que podemos obter
Com a Morte,
É o fim,
Definitivo,
Da Estupidez.
Quase um Bóson de Higgs
Admito aqui,
Diante deste
Colisor de Hádrons,
Uma ampla pretensão,
De exclusivamente embriagar,
Os espaços vagos
Em minha mente,
Com majestosas imagens;
De um vívido passado,
Prum suposto futuro,
Descompromissado.
Que de anteontem
E do instante-em-diante,
Tudo seja presente.
[A lição de Biel: Sorrir ao partir]
Simplesmente um pássaro que não podia voar,
Raramente se queixava, se empenhava em insistir,
Particularmente nunca o vi reclamar,
Sua grande qualidade era sorrir ao partir.
Jamais partilharia a sensação de voar,
Estar no alto das nuvens e dali acenar,
Mas ele podia sem nenhum impedimento,
Sair da atmosfera só com seu pensamento.
Sabia que esta condição, Não o impediria
De buscar a mais longínqua sabedoria.
Simplesmente um pássaro que não podia voar,
Raramente se queixava se empenhava em insistir,
Particularmente nunca o vi reclamar,
Sua grande qualidade era sorrir ao partir.
Se um pássaro sem asas aprendeu a lutar,
Quem somos nós para duvidar,
Da vida só o máximo devemos extrair,
E se tivermos que ir, vamos sorrir ao partir.
Simplesmente um pássaro que não podia voar,
Raramente se queixava se empenhava em insistir,
Particularmente nunca o vi reclamar,
Sua grande qualidade era sorrir ao partir.
Da vida só o máximo devemos extrair,
Quando tivermos que ir, vamos sorrir ao partir.
Marinheiro do Farol
Um velho marinheiro
em sua última viagem,
Sem nenhum dinheiro,
rico em camaradagem,
Juntou as suas tralhas
pra desembarcar,
No convés a residência
que devia abandonar.
O mercado a direita
e a taberna à esquerda,
Foram sua família
na época das cheias,
E encostada num barril
estava á jóia mais cara,
A conquista de um pirata,
a mulher que ele amara.
Saindo da labuta,
No abrigo marítimo,
Ele ditaria
serenamente seu ritmo.
O amor é tão lindo,
Que fez aquele velho,
Se sentir um menino.
O amor no farol,
Fez aquele marinheiro
se orientar melhor.
O amor no farol,
Fez daquele marinheiro
um homem melhor.
É que as vezes (em quase todo tempo, o tempo todo) bate uma saudade que dá um nó na garganta e sinto como se fosse um “beliscão” lá no coração e sobe aquela pressão aos olhos se transformando em lágrimas.
Posso estar em qualquer lugar do Mundo, mas o meu Mundo de fato, são vocês.
Que saudade, família!
Amo vocês!
Um olhar perdido.
Um olhar perdido
Uma mente insana
Um suspiro fundo
Um sorriso que engana
Muitos não percebem
Na verdade não vêem
Por fora tá lindo
Mas dentro explodindo
A destruição se fez
O semblante engana
O cabelo arrumado
A roupa deslumbrante
O perfume abstrato
O batom vermelho
Cabelo chapiado
Unhas feitas
No pé um salto
Mas por dentro um caos
Tudo acabado
Uma desolação
Um verdadeiro trapo.
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