Poema Passei para Deixar um Beijo
A meia lua
Um lugar tão longe.
Ao ser, um vazio.
Uma lua ao distante.
Um distante tão sombrio.
Foi da lua tal o brilho
Que do ser, um lugar
Um vazio tão distante
Foi-se longe ao luar.
O homem sente por sentir vontade
E quem me dera um dia ver-me diferente, encontrando sentido além das razões por trás da mente, sendo coração que pulsa apressadamente, apenas por saber que é verdade. E se é verdade, dou-te tudo o que encontrar no caminho do meu eu; do apego à solidão, que habita nessa imensa vastidão desconhecida, à medida dosada da paixão.
Máscaras do apresentável
Há sempre uma oportunidade, um convite à observância do nosso homem interior, pois se o deixarmos ao tempo, o tempo o tornará estranho até mesmo para nós.
Quem não molda seu interior acaba se acostumando às máscaras do apresentável, passando a viver em uma constante emulação do subjetivo, ou seja, uma intimidade oportunista e concomitantemente contraditória.
Novo amanhecer
O arrependimento não nos permite voltar a um momento desejado para realizar-mos uma mudança almejada, contudo, o ato de arrepender-se nos liberta do loop punitivo da consciência diante daquilo que é absurdo até mesmo para nós. Acredito que essa é a força de um novo amanhecer; o prazer de vivermos um novo dia em nosso mundo interior e, assim, sermos transformados pela renovação da nossa própria consciência. Um novo dia não é garantia de mudança, tampouco o arrependimento, porém ambos são ferramentas para tal, diferentemente do remorso, que nada pode fazer, exceto reviver a dor em um ciclo de culpa.
Fragmento IV - Conação
Entre corpo e alma, eu.
Um entre-espaço, dito maneira, que tange a esfera transcendental da mística à relação lógica e contemplativa do abstrato.
Assim, o corpo existe apenas como relação meramente espacial da afirmação, ao passo que, a mente flutua, introspectivamente, em busca de sua intuição.
Nesse radiante e permeável oaristo, de um ao outro, eu.
Nella città II - Meu véu
Todos dizem ter a verdade, como se fosse um objeto que se guarda no bolso, ou algo a ser fatiado, repartido em porções individuais: este pedaço é meu, aquele é seu. Mas a verdade... a verdade não se deixa possuir. Ela apenas é. Está lá — livre e inteira — mesmo quando ninguém a vê.
Eu a sinto, às vezes, num instante que passa, incapturável pela compreensão. Ela não se deixa ressignificar. Não cabe em palavras, não se curva à vontade alheia. É. Como a luz que atravessa uma janela, mesmo quando o vidro está empoeirado. O que vejo... é sempre manchado pelo que sou.
Mas o erro — o erro é pensar que a verdade é minha só porque a vi. Não é. Ela não é minha, não é tua, não é de ninguém. É só dela. Minha é a percepção. E percebo com mãos trêmulas, com olhos que mentem, com o silêncio do que ainda não entendi.
Nella città V - Vestal
Ergui-me entre autos, decretos e selos,
um número, um nome à pena do Estado.
Eis-me: carne julgada em papel amarelo,
alvura que a ferrugem envelhece.
Mas tu, que és fogo, sê chama sem dono,
não te prostres à mão que molda o aço.
Pois só no caos é que o homem tem sono,
sonhos, alma e pés.
A doente.
Eu sempre fui um tipo de gente.
Sabe aquela pessoa que nunca sai do hospital?
Eu sempre era ela.
Sempre estava me sentindo mal.
Até que eu pensei:
-Se nessa vida eu sempre vou ser esse tipo de gente, eu não quero viver.
Porém, quando eu olhei para a janela lá estava ela.
A criança que eu sempre quis ser.
Tão livre e bela.
Ela não tinha que andar por aí com uma bombinha ou remédios.
Ela corria, pulava e fazia tudo do jeito dela.
Meus olhos brilharam.
Eu não sabia se era pelas lágrimas ou pela admiração.
Meus pais entraram no quarto e também viram.
E sem saber oque eles podiam fazer.
Apenas me abraçaram.
Vista-se a cada dia com otimismo e alegria, assim o seu
estilo e a sua roupa terão o brilho e um “quê” de encanto
e de magia que nunca sairão de moda.
(Lorenzo Li)
Tempo de recomeçar...
Existe barulho lá fora.
Existe barulho aqui dentro.
O silêncio é um oceano.
Mar de meus pensamentos.
Após a noite escura
A luz põe fim a amargura
Brilhando feito um farol
Dourado um raio me guia
Parece que o mesmo sol
Mas sei que é um novo dia
Um brinde as afinidades que ainda irão brotar, os pensamentos são
árvores balançando com o ar; são troncos rudes ali mas contam histórias
sem fim e algo assemelha-se a mim.
Brindemos a afinidade que bem sei que já existe; os galhos entrelaçados
carregam sonhos alados e os meus ainda resistem.
A essa bela empatia que jamais possa faltar: afeto , amparo e assunto para
nos conectar.
CICLOS
Na dança dos dias, um ciclo se fecha,
O sol se despede, a lua viceja em sua graça.
Como as marés que beijam a areia na praia,
A vida flui, em constante ebulição, sem pausa.
Nascer, crescer, florescer, morrer,
Um ciclo perpétuo, difícil de entender.
Como as folhas que caem no outono,
Assim também seguimos, em eterno abandono.
A cada fim, um novo começo desponta,
Como a aurora que anuncia a nova jornada.
E nos ciclos da vida, encontramos a magia,
De nos reinventarmos a cada novo dia.
Assim como a lua em sua fase crescente,
Crescemos, evoluímos, seguindo em frente.
E no ciclo sem fim que nos envolve,
Encontramos a essência do que nos resolve.
Na dança dos dias, um ciclo se fecha,
E em cada partida, uma nova ponta se desenha.
Que possamos abraçar cada ciclo vivido,
Com a certeza de que em todos somos nutridos.
Somos um mundo à parte.
Somos uma construção única. Um caminho que só nós trilhamos.
Aprender a ser uma pessoa melhor, mais justa, mais bondosa e humana, é um caminho longo, uma linha reta em direção ao desconhecido.
Olhar para trás é necessário, mas para se perdoar, por não ter conseguido e entender que fez tudo o que podia fazer.
Andar para frente,levando a esperança de dias de paz, tentando não errar, vivendo sem se culpar.
Viver é caminhar.
Nildinha Freitas
A gente tem o péssimo hábito de se automutilar, de pegar um chicote e bater nas nossas costas para se punir. É bem verdade que em alguns momentos somos os anti-heróis na vida de outras pessoas. Isso não significa que somos vilões malvados e perversos, só não conseguimos ser na vida do outro, a poesia que esperavam e nem sequer verso, mas isso não fala só sobre a gente, é como a outra pessoa sente.
É preciso jogar o chicote e curar as feridas que alimentamos dentro de nossas cabeças, pois o endereço da felicidade mora na casa do perdão e do autoperdão, é seguir tirando as pedras do coração.
Nildinha Freitas
Parei de contar o tempo e de fazer dele um inimigo.
Parei de olhar no espelho procurando as marcas que o tempo deixou.
Parei de olhar o passado como sendo algo macabro, malvado, ao contrário, ele é meu aliado e não tem como andar sem esse aprendizado.
Parei de fazer da vida um jogo, onde as cartas jogadas são as minhas feridas.
Vou sair vestida de sorriso e colocar uma roupa descolada, um tênis que não aperte o pé, vou seguindo sempre em frente, cansei de andar de ré.
Nildinha Freitas
Ih Assumi!
Ih Assumi! Que o amor não tem um gênero definido, e que nele nada é proibido. Ele é soberano, supremo na vida da gente e que não importa o caminho, a estrada que a gente tenha que seguir, só é preciso sentir.
Ih Assumi! Que amar não tem maturidade para enfrentar pretextos impostos por essa gente insana, que julga, condena e carrega na mala um amontoado de preconceito.
Ih Assumi! Que o amor não tem uma idade definida e não importa se eu tenho sessenta, e ela, trinta e poucos anos de vida.
O amor é o equilíbrio na balança da existência e é ele quem define a nossa essência.
Nildinha Freitas
Nosso amor
Eu, sendo um Gustavo que já tinha acreditado e desacreditado do amar, encontrei nessa vida a esperança de dias de paz, passei a ver sentido no azul do mar, no querer ir, sem voltar mais.
Eu, que sendo um menino, encontrei o meu ninho num lugar igual a mim. Eu vi no Geovane, não a rosa, mas, um jardim.
A gente se encontrou, mas não foi igual tantas outras vezes, foi encontro de almas, foi reencontro de vidas e no lugar da dor, brotou o sentimento do amor que cura toda ferida.
Hoje, já não somos apenas um, mas somos só um, e inteiramente prontos para espalhar a semente do amor da gente.
Nossa jornada começou, e vamos trilhar sem medo, e sem temer o amanhã. Vamos viver o agora, o acordar toda manhã.
Nildinha Freitas
Em homenagem a Gustavo e Geovane
O simples fato de acordar, muitas vezes, tem um peso gigante, sem limites sobre nós.
Viver exige muito mais do que imaginamos.
Exige paciência, e a gente nem sempre tem.
Exige planejamento, e a gente nem sempre sabe a rota.
Exige foco, mas a cabeça nem sempre consegue focar.
Viver é bem mais que acordar
Nildinha Freitas
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