Poema para uma Amiga que se Mudou

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⁠Pergaminho Sagrado
de um Protagonista
da Própria Vida

essa é uma
das vantagens,
de viver uma vida livre
de compromissos,

eu nunca me importei
com quem estava observando,
ou o que iam dizer ou pensar.

a única coisa
que me importa,
é a única coisa
que sempre me importou,

ser o protagonista
da minha própria vida.
vivê-la integralmente,
em plenitude.

meu único, exclusivo,
personalizado
e definitivo compromisso
é com ela.

ela me ensinou
que a simplicidade genuína
e honesta, vence qualquer
complexidade.

nunca olhei
a vida passar,
sempre agarrei ela
pela cintura e a trouxe
pra junto de mim.

(Michel F.M. - Trilogia Ensaio sobre a Distração - 05/11/22)

[O Lendário Legado de uma Lenda]


foi o conquistador
dos conquistadores,
com tuas cobiçosas
conquistas.


o imperador dos
imperadores,
em tuas imperiosas
perícias.


construiu o reino
mais caro e luxuoso
de todos os robustos
reinos.


obteve o fim digno
de uma lenda.
e neste exato momento,


os restos mortais
do maldito, apodrecem
num caixote de madeira.


o mais cobiçoso,
imperioso e robusto,
o mais caro e luxuoso,
de todos os caixotes
de madeira.


Michel F.M. - Ensaio sobre a Distração
Bruno Michel Ferraz Margoni
13/12/23

[Cromossomos]


Mesmo sabendo que não é muito,
Eu só posso te dar uma coisa,
Absolutamente
tudo.


(Michel F.M. - Altas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)

[Sheury]


Uma imagem, pode até valer mais que mil
palavras, mas, uma porção de palavras,
posicionadas com sensibilidade, podem
descrever o inimaginável.


(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)

[Ingredientes Súbitos
de uma Receita Improvisada]


Neste molho encorpado, as essências,
Cumprem ardentes, tua tarefa insistente,
Para com o paladar.


Salpicados destemperos minúsculos,
Num vasto cardápio variado.


Eu não entendo nada de balanços,
Só sei que a medida de nós,
Resultará num montante adequado,
Compenetrante, descalibrado.


Suculentos aperitivos flambados,
Sempre engolidos, jamais degustados.


Servidos assim de repente,
Um banquete em louças prateadas,
Ingredientes súbitos
De uma receita improvisada.


Cristais luminosos, castiçais,
Toalhas em fibras douradas,
Mesa de mogno, brasões entalhados,
Deixados de herança às criaturas noturnas,
Que coabitavam a construção desolada.


A sarjeta não discrimina,
Nos acolhe, nos apadrinha,
Igualmente materna e azinhavrada,
Para com repulsivos, escorraçados.


Somos suntuosos borrões,
Corajosos apavorados,
Expostos assim de repente,
Na vitrine um vapor dispersado.


(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)

[Mechas de uma Gueixa]


Uma garota me foi comovente,
Era da terra do Sol Nascente,
Herdeira de um trono desde criança,
Hoje mulher renegava a herança,


Inconformada com tanta tristeza,
Ajudava os mais fracos, verdadeira nobreza.
Deixou o seu lar o Vale dos Samurais,
Mas levou em seus atos o amor de seus pais,


E nos campos rasteiros das tulipas puras,
Me envolvi com a gueixa das mechas escuras,


As lembranças que ela me deixa,
São as mechas de uma gueixa,
As lembranças que ela me deixa,
São suas mechas minha gueixa.


As colinas azuis não esquecerei,
O código de honra eu cumprirei,
Os riachos gelados me fortificaram,
As folhas secas me aqueceram,


Os olhos da gueixa me enfeitiçaram,
Seu sorriso e sua boca me converteram.
Os fogos das festas desenham no ar,
No Oriente pretendo estar,


Mas uma lacuna cresce dentro de mim,
O medo da gueixa nunca mais me encontrar.


As lembranças que ela me deixa,
São as mechas de uma gueixa,
As lembranças que ela me deixa,
São suas mechas minha gueixa.


Ela me levou até os confins,
Desde a muralha aos pequenos capins,
Ela me mostrou a força dos anciãos,


E jovens budistas ensinando cristãos,
Tanto as regras quanto as tradições,
Me ensinou a amar, transcender emoções.


As lembranças que ela me deixa,
São as mechas de uma gueixa,
As lembranças que ela me deixa,
São suas mechas minha gueixa.


(Michel F.M. - Áspera Seda: Volume Único - 2012)

Floresta de Cactos


Talvez uma única vez
Isso tudo não tenha a ver
Somente conosco.


Independente
do que você espera de mim,


Me antecipo às suas
Expectativas,
Ajo inesperadamente.


Mesmo parecendo óbvio,
Artífice de ilusões,
Operário de angústias,
Artesão da alma.


Pesquisador da profilaxia,
Busco certa toxicidade salutar,


Acidez sonhando alcalina,
Desejando ser benigna.
Blá blá e blá.


Desbravador do espírito,
Um trabalhador braçal
Que lavora com tinta e papel.


Palavreados
Ambicionando
Palavrões.


Possuo todas as perguntas
Fundamentais e universais
E nenhuma resposta.


Talvez esta única vez
Isso tudo só tenha a ver
Conosco.


Pois é,
Sou sim um poeta,
Sou só,
Poeta.


Esse é meu ofício,
Meu karma,
Maldição
E magia.


Não posso te oferecer nada,
Além de poesia.


13/01/23
Michel F.M.

[O Próximo Capítulo]


Parar
ou
retroceder,
nunca foi
uma
opção.


Portanto,
só há
uma direção
que
nos interessa,
que
nos sobra.


Em frente.


Não podemos
ficar
ou
voltar,


só podemos ir.


03/05/23
Michel F.M.

[Bilhete Premiado]


O que chamam de sucesso na sociedade contemporânea, nada mais é que uma loteria. E como toda loteria, se fundamenta na exploração do outro. Não tem relação alguma com "trabalho duro" ou a "sorte" de uma pessoa, tem a ver com o azar de milhões.


Michel F.M.

[Fissão Nuclear]


Ela acelerou
na minha direção,
Uma força motriz
despreocupada.


Meteorito carregado
de intenção,
Liquefazendo rocha
petrificada.


O que será de mim ?
Um mero átomo isolado,
Absorvido enfim,
por teu calor descontrolado.


Não vou retroceder
ou abortar a missão,
minha espera descabida,
meu intuito a colisão.


18/06/23
Michel F.M.

A finitude da vida..... não é só a perda da presença; é uma pessoa inteira que vira silêncio e matéria. Isso faz todas as renúncias sem sentido parecerem gritantes.


Isto leva a uma reflexão: a de identificar o que já está morto dentro da sua rotina e o que ainda pulsa.


Pare e pense: do que você sente mais falta em você? Quem era você antes de virar só sustentação? Então não é sobre um sonho isolado. É sobre sentir que a sua existência inteira virou manutenção.


Você trabalha. Aguenta. Resolve. Entrega. Sustenta. Segura os outros.


Mas internamente existe um ser olhando para a própria vida e pensando: “em que momento eu vou começar a viver para mim?”

Aerodinamicamente o corpo de uma abelha não é feito para voar; o bom é que a abelha não sabe ".
Isso é o que todos nós podemos fazer, voar e prevalecer em cada instante diante de qualquer dificuldade e diante de qualquer circunstância apesar do que disserem.
Sejamos abelhas, não importa o tamanho das nossas asas, erguemos voo e desfrutaremos do pólen da vida.⁠

A verdade e a Mentira!

Vou contar uma história
Que o tempo nunca apagou,
De uma tal Verdade pura
Que o mundo não suportou.
É dessas que a gente escuta
Mas nunca se aprofundou.

Na pintura antiga e forte,
Que o pincel eternizou,
A Verdade Saindo do Poço
Foi quem tudo revelou.
Obra de Jean-Léon Gérôme,
Que esse enigma pintou.

Diz a velha parábola
Que um dia, sem previsão,
A Verdade e a Mentira
Se encontraram na amplidão.
Uma cheia de malícia,
Outra cheia de razão.

Disse a Mentira, ligeira:
— “Que dia lindo, afinal!”
A Verdade desconfiada
Olhou o céu natural,
E viu que havia beleza,
Que o dia estava especial.

Andaram juntas por horas,
Conversando sem parar,
Até que acharam um poço
De águas boas de banhar.
Disse a Mentira, sorrindo:
— “Vamos juntas mergulhar!”

A Verdade, cautelosa,
Na água foi encostar,
Sentiu frescor e pureza,
Resolveu então entrar.
Se despiu da sua essência
Sem pensar em se guardar.

Mas eis que a Mentira, astuta,
Saiu ligeira do chão,
Vestiu a roupa da outra
Sem qualquer hesitação,
E fugiu pelo mundo afora
Levando sua ilusão.

A Verdade, revoltada,
Do poço veio sair,
Nua, crua e sem disfarce,
Tentando se redimir.
Mas o povo, ao vê-la assim,
Preferiu dela fugir.

Viraram rosto e desprezo,
Ninguém quis a encarar,
Pois a Verdade despida
É difícil de aceitar.
Mais fácil é a Mentira
Bem vestida a circular.

Triste, a Verdade retorna
Pro fundo do seu lugar,
Se esconde no escuro d’água
Sem mais querer se mostrar.
E o mundo segue enganado,
Sem vontade de acordar.

E assim segue essa história
Que o tempo só confirmou:
A Mentira anda vestida
Do que nunca lhe pertenceu,
E a Verdade, envergonhada,
No poço se recolheu.

Ciclo
Uma após a outra
num balé de veste e despe
lá se foram as flores dos ipês
que venham as águas
as folhas verdes
e as flores da primavera
em outras árvores
os ipês já cumpriram o seu papel...

⁠A vida é uma roda viva.
A gente perde, ganha,
ri, chora,
bate ou apanha.
O importante é fazer
a roda continuar a girar.
E a situação sempre vai mudar.

A vida não é um plano de voo.
É uma dança.
E pra dançar é preciso deixar fluir...

Cada vida é um colar. Pérolas!
Cada momento é uma conta. Valores, costumes, realizações, dores, alegrias, conhecimento, histórias…
Quem parte lega sua jóia. Algumas ficam bem guardadas. Quase esquecidas.
Outras são passadas de geração em geração. Com o passar do tempo muitas se arrebentam.
E as contas ficam por aí, perdidas nas frestas dos assoalhos.

E depois de uma longa espera e muito cuidado, minha Rosa do Deserto floriu.
Flores são poemas coloridos.
É poético saber que uma rosa “decidiu” morar no deserto, local que carrega uma simbologia de tempos difíceis, escassez e luta.
No deserto ela cresce livre.
Presa em pequenos vasos ela se adapta e o poema vira haikai.

Despedir-se do que te atrasa também é uma forma de amor-próprio. E de fé.


Janice F. Rocha

Não é só uma frase. É parte de mim. Se tocou seu coração, não apague o nome de quem a escreveu.


Janice F. Rocha