Poema para uma Amiga que se Mudou
No mar de cristal
conseguimos olhar
a profundidade,
Vamos submergindo,
olhos nos olhos,
as tuas mãos me coroam
com uma coroa
feita de Acropora tenella,
a fé nos guia
e o amor nos governa.
Enquanto uns espalham guerra, eu espalho poesia.
Mesmo que você ainda não escreva, e no momento você só aprecie e sinta, com certeza você já está fazendo o mais importante.
Notícias de guerra
não vencem a poesia
que em mim habita,
Notícias de guerra
não caçam a vontade
de mergulhar nos
teus olhos invencíveis
absolutos e oceânicos.
Notícias de guerra
jamais serão capazes
de me fazer esquecer
que nasci poeta,
porque mesmo que
eu pare de escrever
a sua linda existência
não me deixa esquecer.
Notícias de guerra
jamais serão capazes
de tombar os poetas
pelo mundo afora,
porque com as trevas
e luzes temos uma
sedutora intimidade,
e com certeza tens
um pouco de cada uma.
Porque ao reler os teus
códigos poéticos,
Entendi perfeitamente
que se tratavam de dizer
de uma forma diferente
de vir a morrer
de amor nos meus braços.
Agora sou eu e quem
retribuo com a vontade
sereia de no coral de mesa
Acropora selago muito
bem portado pelos teus
olhos envolventes
que entregaram não só
para mim que o seu
coração vive apaixonado.
A minha existência
é no seu pensamento
como o mar alisando
a costa sob o reflexo
das luzes da cidade,
Sereia sou na verdade
e com contentamento
mergulhado com dois
Acroporas samoensis
nas mãos se erguendo
como catedrais no giro
do mundo dançando
sem parar no ritmo
da balada de amor
orientada pela magia
do desejo do seu
peito colado no meu.
Esperar a chuva passar
e o céu glorioso se abrir,
com você eu sei como
e para onde devemos ir
seja no topo da montanha
com o som do carro
ligado nas alturas
enquanto tocamos estrelas
ou estar presente sempre
quando lê os meus poemas
com você sempre sei onde
ir porque olhos nos olhos
o fluir de um pertence
ao fluir do outro a impelir
rumo a direção ainda
mais alta ou a mais profunda
que nos leve a colocar a expectativa
sobre uma Acropora subulata
esférica potente para que nada
nos alcance e tudo em nós
seja mantido sob proteção oceânica.
Quanto mais você
busca me tirar
de dentro de você,
permaneço ainda
mais forte porque
sou toda a multidão
de estrelas iluminando
o seu humano desejo,
que você não consegue
mais manter em segredo.
És de oceano profundo
abrigando solene
um Acropora spicifera
de muitos andares
erguendo o poema
a ser lido pelos lugares
imaginados a ser visitados
como se visita santuários
com todo o entusiasmo.
Em ti fiz conhecer a tua
humanidade não temer
o quê é de liberdade,
coragem e compaixão,
com o meu amor fiz teu
corpo fechado e capturei
com a minha discrição
sedutora o seu coração.
Enquanto uns zombam
e outros lutam por um
país e para ter uma bandeira,
sem luta em ti fixei Pátria,
tenho no teu sorriso
a bandeira mais perfeita
e na tua existência altaneira
tudo o quê me mantém
convicta que para ti nasci feita.
Todos nós somos suscetíveis a radicalização e para evitar este tipo de conduta é preciso silenciar a mente e distrair-se com assuntos diferentes e que dão prazer.
A paz é responsabilidade individual e coletiva.
A poesia pode ajudar a exorcizar fantasmas e trazer satisfação num mundo que oferece muitas coisas e ao mesmo tempo nos oferece quase nada.
A noite escura
contada por
Heba Abu Nada
que da vida
foi arrancada,
Faz a poesia
na escalada,
A voz da guerra
não tem poder
sob a voz do poeta
mesmo que
seja mortalmente
encerrada,
A poesia segue
ainda mais ecoada
e se torna incapaz
de ser capturada.
O antigo colar
de coral palestino
como recordação
caiu na minha mão,
o teu precioso
coração ainda não.
Quando chegar
o tempo tomaremos
a mediterrânea direção
tocaremos os astros
com a nossa convicção.
Ser como a canela
sobre o doce ou sobre
a sua fruta predileta,
Ser o doce ou a sua
fruta predileta
enquanto escolhe
com ou sem creme.
Dominar os teus
meridianos e ser
a parte mais selvagem
dos teus oceanos,
Te colocar em ponto
de fogo e rebelião,
e sem luta te ganhar
com o poder de sedução.
Ser poesia e persuasão
por corais negros
coroada para tomar
posse dos teus segredos
e me divertir com eles
quando as luzes da cidade
as estrelas forem acesas
pelos meus poemas. Assim seja.
O Sol e Lua ao redor
do mundo testemunham
o absurdo do século
e toda a diplomacia
que se cala por covardia
sobre as bombas de Israel
em Gaza na Palestina.
Os jornais anunciam
a possibilidade de uma
invasão terrestre sem data
e sem hora marcada,
acontece que neste
mundo ninguém está
a fim de resolver nada.
Sou como a palmeira
que balança e resiste,
as bombas e as rajadas assiste,
não há como fingir que não vejo
um povo sendo levado ao limite
e sem ter o poder de fazer.
Apenas sou a poesia que não
se cala porque não admito
ver um povo sendo vítima
de uma devastação apocalíptica,
a cada dia ando testemunhando
mais e mais ruínas no chão,
e toda Humanidade escorrendo
entre os dedos das palmas das mãos.
Pelo caleidoscópio
deste século contemplo
o mundo perverso,
Povos ainda em guerras
desprovidas de nexo.
Nem mesmo que
eu tente ensaiar
mil dramas nenhum
destes papéis não
têm nada a ver comigo.
O meu coração está
vivo e segue pela corrente
do rio Apurímac,
O meu olhar está vivo
seguindo por Carhuasanta.
Ainda tenho fôlego
em Lloqueta e posso
levar comigo um poema,
e solta pelo Ene continuo
firme sendo eu mesma.
O meu pulmão ganha
fôlego pelo Tambo
e ganha impulso
em Ucayali sem temer
adiante nenhum desgaste.
E minh'alma e a memória
param no Amazonas,
chocam com o Madeira,
murmuram com o Negro
e enfrentam o degredo.
Sigo pedindo força ao Japurá,
clamando com o Tapajós,
chorando doído com o Juruá
e soluçando com o Purus.
No final de tudo vou encantar
o seu coração, ser lar
e o mais lindo refúgio sem par
onde você possa sossegar
sem vir novamente a se preocupar.
O meu lado é indomável
sob o Céu vermelho,
Para ti sou irreversível
sob a Lua e a estrela guia.
O meu balanço vai
no ritmo do Mar Negro,
O teu amor por mim
de longe eu percebo.
Das minhas mãos
brotam corais vermelhos,
Segredos e desejos
fazem festas em nós.
Os olhos e as entonações
sem esforços se declaram
do jeito que o amor doce
e a paixão se fundem no infinito.
Amor sublime amor,
você tem feito planos comigo,
Amor bonito amor,
você me quer o tempo todo contigo.
Confesso que tenho
o hábito de conversar
com o Céu sobre a paz
que busco para o mundo
enquanto caço desenhos
nas nuvens travessas
que por aqui têm se mostrado
ultimamente espessas,
Depois de muitas chuvas
o tempo nos brindou com
um entardecer colorido
que não alcança a beleza
dos olhos mais lindos
que para mim estão
escritos pelo destino.
A tua existência nos
une ao fio do destino,
a vida e a morte,
inscrito está o romance
e o desejo flamejante
que não têm a ver
com o senso comum
ou com o quê dizem
ser fator de sorte.
Gigante, inabalável
e imensurável,
é assim que te vejo
mesmo no oculto.
Você me pertence
no ritmo eterno
da seda do céu noturno
descida solene
sobre a Terra dando
passagem a procissão
de estrelas que
se funde ao oceano.
Na tuas mãos vestida
de Acropora speciosa
me vejo comprometida
e sem pensar em regresso.
Nas minhas mãos e pés
estão as estrelas-do-mar
que guiam na escuridão
na tua busca mesmo sem
saber qual é o seu nome
e quem você é na realidade.
Do esplendor magnífico
do Acropora subglabra,
O meu coração dispara
porque na vida só fica
tudo o quê dinamiza.
Declaro que o meu doido
amor que não é suficiente,
é Lua Crescente em busca
de tentar encontrar todos
os caminhos que reúnam
os meus caminhos com os seus.
Porque te amo sem saber
quem você e sem saber a hora
do amor que chegou entre nós .
Para fugir deste mundo
louco que fez o meu
rio secar busco me distrair
na vida um pouco
para a tristeza não dominar.
Tudo o quê vem acontecendo
mudou até cor do meu
boto que antes era rosa
e acabou ficando roxo
por não ter mais água para nadar,
resolvi escrever porque
não me permito me afogar.
Fazendo penquinhas de Inajá,
cortando discos de Côco
fatiando Jarina e bordando
com canutilhos de açaí
porque na vida tenho que acreditar.
Com o meu Artesanato Brasileiro
tenho muito o quê mostrar,
porque em mim vive um país inteiro
e da minha Terra nesta vida
ninguém vai conseguir me desgostar.
Na cesta encantada
feita de Arumã onde
guardo a memória
de um tempo de glória
Busquei o meu colar
de escamas de Pirarucu
trançado com Tucum
para me enfeitar
e contigo fazer História,
Seremos um do outro
porque com a tinta
do destino o amor
está escrito e consagrado
com festa e a poesia inevitável
sob o desígnio do Universo
com romantismo imparável
que abriram caminhos
para o encontro o interminável.
Na nossa bela cidade
de Rodeio beleza sublime
do Médio Vale do Itajaí,
No dia seguinte o Sol
e a ventania estão por aqui
percussionando as matas,
Sigo capturando leveza
das flores azuis do tempo,
mantendo viva a poesia
como as águas encontram
a rota do Rio Itajaí-açu
numa paz ímpar, profunda
e amorosa como busco
nesta vida ainda ser sua.
Trancei o meu cabelo,
enfeitei amavelmente
com flores de Babaçu,
para ir em busca de Murumuru,
Não existe ninguém
no coração maior do que tu.
Além da cesta de Tucumã
carrego o orgulho que
tenho de amar esta terra,
Ainda não perdi a mania
de continuar sendo poeta.
Seja sob o Sol ou sob a Lua,
sob dias com ou sem chuva
continuo sendo a mesma
a artesã das palavras que
me levarão a ser somente tua.
Resolvi separar a Piaçava
para trançar um colar
com pingente de Jatobá,
Vou fazer também
um bracelete e um
brinco para me enfeitar,
Porque quem quer um
amor tem que se preparar.
Se a Piaçava sobrar vou
fazer um enfeite de cabelo
porque ainda tenho uma
Mutamba para pendurar,
Porque com poesia artesã
gosto sempre de inventar.
Ainda hoje hoje num
Pau-pereira este poema
vou pendurar para ver
se você passa a me notar.
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