Poema o Amor segundo Carlos Drummund de Andrade
A condição de todo debate, com efeito, é alguma intimidade com a mente do adversário, alguma compreensão das percepções que o levaram à sua visão do mundo. Isso pressupõe a disposição e a coragem de deixar-se permear pela sua influência, confiando na própria força de superá-la depois.
Mas quem sobrou vivo entre os 'intelectuais públicos' deste país para absorver e, se possível, superar ou contestar o que ensinei em O Jardim das Aflições, em Aristóteles em Nova Perspectiva, em O Futuro do Pensamento Brasileiro, em A Filosofia e seu Inverso e em nada menos de quarenta mil páginas de aulas e conferências transcritas, sem contar uns quinhentos artigos publicados na mídia desde 1998 e os trezentos e tantos programas de rádio em que traduzi (ou talvez deformei) um pouco do meu pensamento na linguagem do mais acessível esculacho popular?
No Brasil a vida intelectual superior, mesmo na sua expressão mais tosca, que é o debate ideológico, acabou. Se nos testes internacionais os nossos estudantes tiram sempre os últimos lugares, não é sem razão: o exemplo vem de cima.
Portanto, o conteúdo da minha obra, ou de qualquer outra que pareça detestável, não interessa mais. Basta a rotulagem superficial, passada de pata em pata entre bichinhos assustados para mantê-los a uma profilática distância de uma influência ameaçadora.
Enquanto a bondade assumir a progressão aritmética e a maldade, a progressão geométrica, só se terão resultados negativos.
O ESQUECIMENTOS DOS ESQUECIDOS
Três policiais foram assassinados no Rio de Janeiro, agora fazem parte da estatística, não queremos saber quem os mataram, não interessa saber se deixaram famílias, nem seus nomes queremos saber e nem interessa, pois amanhã terá mais, afinal eles estavam apenas defendendo a população com míseros salários, o que é muito para colocar em risco suas vidas e pouco para ser reconhecidos por aqueles que estavam protegendo e também por aqueles que são chamados de "Direitos Humanos". Assim continuamos a admirar e endeusar as pessoas "certas".
Só existe apenas duas maneiras de aprendizados: "A primeira é errando, a segunda e vendo vendo os erros dos outros".
Uma das principais ocupações daquilo que vulgarmente se entende por ciência é tomar como realidade de um ente e sua simples definição nominal.
Nossa consciência tem um centro vital, localizado no miolo do coração, inalcançável pelo mero 'pensamento'. Ele domina os opostos como o jovem Mercúrio segurando as duas cobras e, entre as contradições e perplexidades da vida, orienta o pensamento que, em vez de se afirmar como soberano, consente em obedecê-lo docilmente.
Somos criados para viver como anjos, mas forçados a crescer como selvagens para sobreviver entre demônios.
O conhecimento é um prato cheio. A sabedoria é saber saboreá-lo. A ignorância é cuspir no prato que comeu.
De vez em quando é bom dar um polimento na própria vida e deixar o brilho interior irradiar para fora de si.
O tempo é como o vento. Ele pode apagar a paixão; quando menos esperar, reacendê-la; e, até mesmo, inflamá-la.
Todo aquele que não se apresenta diariamente diante do Trono do Altíssimo, com o coração trêmulo de vergonha não só pelos seus próprios pecados mas pelos de todos os seus irmãos, consciente de que, em face da perfeição e da onissapiência divinas, CADA UM dos seus atos foi errado, mesmo aqueles que sua vaidade considerou os melhores, e sentindo até o fundo da alma que o Perdão é o ÚNICO bem valioso a ser ambicionado, -- esse NUNCA saberá o que é sinceridade, nem muito menos honestidade.
O Bem não é um universal abstrato. O Bem é uma Pessoa, é Deus. Só se assimila o Bem por contato pessoal e impregnação no amor divino. O resto é filosofice uspiana. Só a prece infunde nas almas o amor ao Bem, na medida em que O vão conhecendo aos poucos, muito acima do que podem pensar ou expressar. Estudar Ética só é bom para ludibriar os trouxas.
"O mundo entrou na era do caos sangrento a partir do instante em que os homens deixaram de ser julgados por seus atos e passaram a sê-lo pelos ideais que alegam. Impor esse novo critério a toda a sociedade foi a maior vitória do espírito revolucionário sobre a normalidade humana. Enquanto essa distorção monstruosa não for eliminada da atmosfera cultural, o mundo não terá um momento de paz."
"Leiam as vidas dos grandes santos, dos grandes heróis, para vocês verem as possibilidades humanas superiores. Se você conhecer algum, melhor, mas se você não conhece, pelos menos pode ler e imaginariamente participar daquela experiência. A experiência estética e a experiência moral selecionam o que há de melhor, melhor e mais elevado. Você não vai analisar, não vai estudar, você vai simplesmente contemplar e deixar que aquilo se impregne no teu imaginário o máximo que der. Do mesmo modo, na tua vida diária, fuja da vulgaridade, da estupidez. Por exemplo, se uma pessoa te convida: 'Ah, vem no meu aniversario'. Você vai lá, os caras estão tocando pagode, enchendo a cara de cerveja, falando besteira. Para que você vai engolir esse veneno? Não vou não! Evite as más companhias. Se não tiver nenhum amigo, melhor, fica sozinho em casa. Fuja das pessoas que irão te dispersar, te rebaixar, te vulgarizar, te banalizar''
