Poema o Amor segundo Carlos Drummund de Andrade

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O silêncio não é ausência ou negação
como ensinam os antigos
é privação

José Tolentino Mendonça
A Papoila e o Monge. Lisboa: Assírio & Alvim, 2013.

⁠Eu não sei o que quero,
Mas quero muito alguma coisa que ainda não sei.
E apesar de não saber
Já sei que quero!
Será que eu quero???
Talvez eu não saiba que isso me move a querer esse algo que quero mas que não tenho ideia do que seja...
Deve ser algo muito bom,
Muito gostoso de sentir ou tocar,
Não sei se é de comer ou chorar, não sei se tem sabor ou cor
Mas sei que pode ser algo além disso
Só não sei o que é...

⁠Mundo perdido

Vivo em um mundo perdido
Onde ninguém quer saber sobre ninguém
E ao mesmo tempo se preocupam com alguém.
Vivo no mundo onde todos se preocupam,
Mas ninguém se preocupa com todos.
O sodomita só quer saber do sodomita,
O enfermo só quer saber do enfermo,
O homem só quer saber do homem,
A tribadia só quer saber da tribadia,
A mulher só quer saber da mulher,
O branco só quer saber do branco,
O pobre só quer saber do pobre,
O preto só quer saber do preto,
O rico só quer saber do rico,
Mas ninguém quer saber de ninguém.
Vivo em um mundo perdido
Onde o mim é mais importante que o tu
E onde o outro não tem vez.
Enquanto o Eu existir
E enquanto o outro não mais existir,
O mundo que vivo
Vai sempre ser perdido.
Vivo perdido em um mundo perdido,
Tentando me encaixar
Em algum lugar,
Mas nada posso encontrar,
Pois vivo em um mundo perdido.

⁠a arte de
renascer

só se dá
a partir
das cinzas
de nós
mesmos,

outra vez
feito
em cinzas,

renasço,

as dores,
no
renascimento,

cessam...

cessam no novo ser..

**Renascer

lembrei...
sorri...
sorri feito bobo!

lembranças são assim,
colocam sorrisos bobos
no rostos das pessoas...

lembrei...
ri...
ri como um louco,
eufórico!

lembranças são assim,
fazem as pessoas gargalharem
assim do nada...

lembrei...
chorei...
chorei feito criança!

lembranças são assim,
desmancham as pessoas

em lágrimas..

**Lembranças⁠

Plenus Gratia (Pleno da Graça)
Oração Diária

Senhor, concede-me a graça
De nunca ter pressa,
Pois um minuto a mais não me aliviará,
Tamanho o meu fatigar pelo correr;
Auxilia-me, antes, para que eu possa,
Sempre que possível, me antecipar.

Ampara-me, para que eu nunca tenha medo
E sempre confie firmemente na Tua proteção.
Ajuda-me a encarar a vida com coragem,
Ciente dos riscos que ela encerra,
Mas repleto de sabedoria e tranquilidade,
Pois neste mundo tudo é efêmero,
E a eternidade é a minha salvação.

Cuida para que o ódio não habite o meu coração,
Para que eu viva com os meus alegremente,
E esqueça que há pessoas que não me querem bem.

Ajuda-me a
Não ser supersticioso,
Pois isso atrapalhará o meu raciocínio claro;
Além disso, quem anda com Deus está guardado.

E que eu sempre fale com sensatez,
Para não magoar ou ser magoado.
Que eu nunca discuta longamente,
Pois, ainda que vença a contenda,
Terei perdido minha quietude.
Que eu nunca discrimine ninguém,
Pois isso tirará, de algum modo, a minha paz interior.
Que eu evite coisas pecaminosas, como músicas, filmes, livros e revistas
Que idolatram a matéria,
Pois isso maculará os meus pensamentos.

Ajuda-me, Senhor,
A exercitar meu corpo e minha mente,
Pois o seu equilíbrio me trará segurança e serenidade.
Dá-me determinação para descansar, para meditar,
E para fazer as coisas organizadamente;
Ajuda-me a acreditar na minha capacidade;

Dá-me o sorriso, quando diante de uma criança,
Do sol, da lua, de um pássaro, de uma flor,
Enfim, faz-me sentir tua presença,
Em tudo que nos deste sem nada cobrar.
Ajuda-me a contemplar-Te em tudo que existe.

Dá-me uma oração firme e vigorosa,
Para que sempre Te tenha em meu auxílio.
E nunca me deixa esquecer de agradecer
Tuas bênçãos recebidas, como o dom maior,
Que é o dom da vida.

Obrigado, Senhor!
Amém!

⁠Flertes

flertava com a dor
como a criança que
pisa em poças d'água,

por vezes tal flerte
era como uma valsa
dançada sobre nuvens,

vestes nuas
à brilhar
à luz da lua...

flertava com a dor
nos ventos dos tempos
de amaguras de distâncias,

flertava com a dor
até esquecer-se
de si mesmo,
perder-se no tudo

do nada que; no que nunca encontrou,
e não procurar-se mais..

⁠você é uma
miscelânea rara
de lindos poemas
e contos inéditos.
porque perder tempo
com quem lê apenas
os best-sellers
do momento..

⁠Por que a vida está tão triste, se as manhãs estão tão lindas?
Por que os pássaros ainda cantam, se estão tão sem vida?
A lua brilha tanto, e eu ainda não entendo o porquê de tanta euforia.
Mas a vida não é isso? É achar que sabe de tudo e ainda assim, não saber de nada.
É tentar pegar o vento com as próprias mãos e acariciar este em seus braços.
É sonhar com o futuro e desejar mudar o passado.
É entender que a felicidade está nas coisas mínimas e não nas máximas.
É querer gritar pro mundo quem tu és e ainda assim empunhar uma máscara.

⁠Certamente a primeira vez
Em que vivenciei
O afeto não o reconheci.
Entretanto, meus olhos lagrimejados
O Observaram em cada
Carinho, Sorriso e cuidado
Colo de mãe é ninho
Seu filho o pássaro.
Até mesmo migrando para tão
distante Voltarei em direção
Aos teus, abraços.

⁠tempestade

Uma chuva de verão
no princípio do inverno
E a sã superstição
diz que vaga no Eterno

um espírito pagão
implorando por perdão
na entrada do inferno...

⁠Vinte e três de abril

Guarde a lança, cavaleiro!
No outro lado do alforje
vai a espada do guerreiro.
Eu não sofro mal algum!

Nem sei bem-dizer se Ogum
é devoto de São Jorge
ou Jorge é filho de Ogum...

⁠ode a odé

A imagem no andor
Sete flechas, dor serena
Na cabana, o benzedor
junta folhas de jurema

Na vontade de compor
sete linhas de louvor,
toda arte ainda é pequena...

⁠dois dois

É menino feito santo;
olha a luz dessa criança!
Escondido no seu pranto
um sorriso de esperança

Quando ouve o povo banto
entoar seu doce canto,
faz ciranda, grita e dança...

⁠zi fi

De visita a uma dama
que mexia com o além,
perguntei: como se chama
esse velho sem vintém?

Rindo, disse a tal mucama:
preto-velho não se chama;
se precisa, ele vem...

⁠⁠Maldição de Lilith

Detentora do crepúsculo
Seu cerne angustiante, fará dela meu abrigo
Presenteada com marca condenável
Desafiando a ordem, a natureza proclama
Lilith, a falha proclamada
Jaz solitária, escondida no lado negro
Até a minha porta encontrar, benção melhor não há
Semblante curiosa, a me observar
Com sua beleza macabra, o coração a palpitar
Sem necessitar de permissão para entrar
Desprovida da luz, busca a morte, sem importar

Jogada ao chão, sem nenhuma tensão
Fugaz choque a me vincular
Tentativas desesperadas adornada ao frio
Seu sucumbido corpo a quase ficar
Sem nada mais imediato para ofertar
Minha vida em prol da liberdade, eu desejar
Acionando extrema inquietude
Pois vida já não há
Em obsessão, rezas ao amanhecer, crédulo a ofertar
Amanhecer que nunca chegara
Amanhecer que nunca chega
Agora há de se mostrar
Pois sua maldição não mais jaz em mim
No corpo dela, há de retornar.

⁠AGENDA DE POETA:

Agradecer pela vida. Feito;
Cantar uma canção. Feito;
Desejar felicidade ao mundo. Feito;
Escrever um poema. Feito;

⁠As armas de um poeta:
são uma caneta e um papel
E com elas conquistamos
o nosso próprio céu

O poeta é aquele
que escreve a voz da alma
Como se fosse um dom...
Aquele dom que acalma

Ele fala da vida
de sonhos e de alegrias
Pois se não falar dos mesmos
dele o que seria?

Ele tem o seu mundo
repleto de fantasias
Mas é lindo, é belo...
E você entrando nele
Sair jamais deveria

Nesse mundo ele toca
Sua alma e coração
Sua vida interior
É tudo luz, é canção

Como também ele grita
chora como criança
Mas depois é tão incrível...
renasce sua esperança



(MARQUES, Iraci. Mundo-poeta. In: GONDIM, Kélisson (Org.). Vozes Perdidas no tempo. Brodowski: Palavra é Arte, 2020. p. 56).

⁠Sou filho: mas que filho sou?
Como nasci e como vou crescer?
Onde meu sangue está instalado?
Que lição na escola irei aprender?

Será que a vida me espera
com lápis e pincel pra eu pintar?
Com brincadeiras, musiquinhas
junto a colegas compartilhar?
E, se eu morar numa rua à margem
do coração desta periferia,
poderei contemplar a paisagem
do que hoje ainda é fantasia?

Tenho medo de ir à escola
e logo assumir responsabilidade
Mas quero conhecer o alfabeto
e outras proporções da cidade
para o meu futuro dar certo

Não, não! Não quero pensar!
Eu quero é me divertir.
Quero brincar no parquinho.
Quero cantar e também sorrir.
Quero fazer muitos rabiscos.
Quero meu mundo colorir.

Que não tardando me chegue,
o que prevê a Lei do Brasil:
creches, praças, cinema...
Quando a Magna sair do papel
se fará nosso justo sistema


(MONTEIRO, A. L. Pensamento Infantil. In: GONDIM, Kélisson (Org.). Vozes Perdidas no tempo. Brodowski: Palavra é Arte, 2020. p. 33).

⁠O brilho das estrelas nos olhos de uma dama

O brilho que o sol traz no meu dia
Se assemelha ao brilho dos olhos daquela garota
Sua dança me lembra do balançar
Que o vento faz quando passa
Entre as folhas de um orvalho
No amanhecer de um belo dia
E no anoitecer me lembro desses mesmo olhos
Brilhantes como um feixe de luz
Em meio à escuridão
Esse brilho no olhar
Que me encantou e me fez pensar
No qual fascinante é a beleza humana
Aquele lindo brilho no seu olhar.