Poema o Amor segundo Carlos Drummund de Andrade
Tem algumas peças na vitrine brilhando, etiquetadas com o nome amor, você pode adquirir no valor de liquidação, o preço real paga-se depois.
O amor é como um café, não deixe esfriar, se requentar perde o verdadeiro sabor, melhor jogar fora e fazer outro.
O amor virou adereços, até alegorias,e tudo isso me deixa indisposto, desconfiado de tanto exposto.
Parece que eu mudei, mas continuo o mesmo,mudei algumas prioridades de lugar, amor próprio primeiro.
Sou intenso e profundo,transbordo amor,se você tem medo,providencie um bote salva vidas,ou se afogue só.
Até pensei que fosse amor, mas era uma cópia de um rascunho mal feito,uma piada sem graça,uma intimidade não autorizada,um esculacho no coração,uma esculhambação não interpretada.
As pessoas andam tão cheias de si, e tão vazias dos outros, porque esquecem que amor recebe e se doa.
So proponha viver um amor, se usar toda sua sinceridade, se a outra parte não foi verdadeira, saia isento de culpas, ileso de arrependimentos.
Não deixe o tempo levar para longe o seu amor como folha seca ao vento, não deixe no relento quem deseja dormir no seu abraço, um gesto pode mudar os rumos.
.Se um amor foi grande e se foi, outro não vai conseguir minimiza-lo, cada um tem sua intensidade particular.
