Poema Nao Chora mais ele vai Voltar

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O tempo não cura tudo, apenas muda o lugar onde a dor se acomoda. Às vezes ela se torna menor, às vezes muda de forma, às vezes se transforma em sabedoria. E em raros momentos, vira força. Mas nunca desaparece totalmente.

Não nasci para ser inteiro, nasci para ser verdadeiro. E a verdade, por vezes, é feita de fragmentos difíceis de aceitar. Mas são eles que compõem quem realmente somos.
E isso basta para caminhar.

Há perguntas que não fazem sentido hoje, mas salvarão o futuro. Perguntas que parecem punição, mas são preparação. E quando a resposta finalmente chega, percebemos que o caminho era necessário. Mesmo quando doía.

Quem atravessa a noite com os olhos abertos aprende que a aurora não é escolha, é promessa escrita nas frestas da madrugada.

Não existe fracasso, existem histórias mal lidas, esperando a luz exata para revelar seu sentido.

A dor não é fim, é página espessa que engrossa a letra da coragem e nos obriga a reler a vida.

Esperar não é inércia, é plantar coragem todos os dias no terreno instável do tempo.

Aos tolos, eu gritei que não sabem que o silêncio cresce e se espalha de forma destrutiva, como se fosse um câncer social.

Se o destino não me permitir este amor, que o rio da desilusão me engula por inteiro.

A luz que espero não é a do sol, mas a que brilhará no momento em que eu te fizer minha.

Cada batida do meu coração é uma nota em luto pela vida que não terei se não for a teu lado.

A dor que não cala transforma-se em matéria-prima da compaixão oferecida ao outro.

Há músicas que não se ouvem: vibram nos ossos, correm nas veias e repousam no silêncio da pele.

Não carregue o passado como fardo, transforme-o em trilha que ensina onde pisar.

Acordo com a sombra de um ontem na garganta, onde palavras não ditas fermentam como feridas abertas. Seguro o silêncio entre os dentes, conto as batidas do escuro, e aprendo que a esperança às vezes nasce de uma cicatriz que respira.

Quando chego ao limite, finjo que não sinto o frio. O corpo anestesia, a alma não, esta última é outro animal. Ela late na escuridão, pede por pão e silêncio, e eu aprendo a oferecer o pouco que tenho: o meu tempo.

Há noites em que minha voz se perde como folha na chuva, cada palavra desfia-se em gotas que não alcançam ninguém. O quarto vira um navio naufragado de memórias, e eu mergulho por coisas que nem sempre merecem resgate.

Fé não é salto, é costura: remendo por remendo, dia após dia. Não prometo milagres, prometo presença, um gesto raso que salva. Nos momentos em que falta chão, seguro tua mão como um prego, e juntos improvisamos um caminho em tábuas trêmulas.

Sorrio por economia de forças, para que o rosto não quebre. Por dentro, há um mercado de lembranças em liquidação: tudo pela metade. Compro apenas o necessário, memórias que me sustentem até o amanhã, e guardo o resto numa caixa que só abro quando a noite me desafia.

Deixei de pedir certezas, aprendi a colecionar pequenos salvamentos: uma palavra que não corta, um prato quente, um olhar que não julga. Se a vida é pouca para tudo, guardo migalhas de bondade, faço delas panos com que limpo as janelas da alma.