Poema Nao Ame sem Amar
Invisível — mas sentindo tudo
Tem lugares em que eu estou, mas não estou.
Estou com o corpo presente, o sorriso contido, a intenção boa.
Mas dentro de mim… um vazio.
Eu observo, ouço, me esforço pra caber —
mas é como se o mundo à minha volta seguisse sem me perceber.
Sou uma pessoa introspectiva.
Não sou de grandes conversas, nem de me jogar nas rodas com facilidade.
Mas isso não significa que eu não sinta.
Na verdade, talvez eu sinta até mais do que a maioria.
Cada olhar que não cruza com o meu.
Cada palavra que não me inclui.
Cada cumprimento morno.
Cada silêncio que me cala ainda mais.
Ontem, mais uma vez, eu me senti invisível.
Estava ao lado dele… mas parecia tão longe.
Ele, tentando ser pai, homem, presente —
sem perceber que, aos poucos, eu me apagava ali.
Esperando em um canto.
Andando sozinha.
Me escondendo por dentro pra não mostrar o quanto doía.
Eu não quis reclamar.
Não quis parecer frágil demais, exigente demais, dramática demais.
Mas a verdade é que eu só queria pertencer.
Só queria que alguém percebesse que eu também estava ali.
E que estar ali era um esforço meu. Um gesto de amor.
Eu não quero ser o centro de nada.
Só quero ser alguém que importa.
Que é vista. Que é acolhida.
Mesmo que quieta, mesmo que na dela.
Porque ser introspectiva não é ser ausente.
É só amar em silêncio, sentir em profundidade e querer, de verdade, fazer parte.
Não era dia de encontro, nem de encantos, mas, de repente, ali estava você.
Quando entrei no ambiente, seu olhar me percorreu por completo.
Eu já sabia quem você era.
Te conhecia de nome, de rosto, dessas coincidências da vida.
Só não fazia ideia
de que um dia você me veria assim,
com esse tipo de olhar,
com esse tipo de interesse.
Você pediu ao garçom uma bebida para mim.
Um jeito antigo de se aproximar,
uma gentileza rara hoje em dia, que nunca havia recebido, pelo menos, não desse jeito.
Um completo cavalheiro.
Logo depois, e de forma natural, você pediu meu número.
Como quem sabe exatamente o que quer
e não tem medo de ir atrás.
E eu disse meu número, ansiosa para ver onde aquilo iria dar.
Foi uma noite inesperada,
daquelas que a gente não planeja,
mas que ficam na memória.
Depois daquela noite, confesso, não esperava ver suas notificações chegando ao meu celular ao longo do dia.
Aqui estamos nós.
Mas, como nada é perfeito, e nessa história não seria diferente,
existe um passado meu que se esbarra em você.
Um passado que, querendo ou não, faz parte do cenário.
Como seria, por exemplo, se um dia eu me reunisse com a sua família?
Todos estariam confortáveis?
Ou memórias antigas ocupariam um lugar à mesa?
Não tenho todas as respostas,
e talvez nem precise ter.
Não sei se isso vai longe,
nem se deve.
Mas foi diferente. Foi marcante.
Foi, acima de tudo, inesperado.
E como eu amo o inesperado.
Sigo sem pressa, sigo sem saber,
mas aberta para me surpreender.
Viver assim; sem ciúmes nem saudades simplesmente não é para mim. Quando olho sua boca fico louca, anseio por ti perto de mim, anseio teu abraço, anseio pelo nosso passado. Viver assim com certeza não é para mim.
Te vejo pelos corredores; te olho, tu me olhas, amantes antigos se olham. A chama do amor ainda é a mesma? Eu te encaro - você nem percebe -, admiro seu sorriso, sua risada escandalosa, e o seu jeito de olhar de forma amorosa que transborda amor aonde passa.
Saudades sinto do teu jeito. Saudades sinto do teu beijo. Saudades sinto dos momentos felizes que tive com um tal sujeito que anda por aí com o resto da minha fita vermelha em seu dedo mindinho; ah, meu garotinho... sentes saudades da mesma forma que sinto?
Simplesmente não consigo viver sem ti.
Jesus chamou Judas de amigo, não por conveniência ou falsidade, mas porque a traição do outro nunca teve poder para alterar a Sua essência.
A falta de caráter de Judas não foi capaz de contaminar a dignidade de Jesus.
Então, deixe que falem, deixem que traiam...
Mas não permita que a maldade alheia transforme a mulher de valor que você é.
Continue firme, doce, forte e inteira.
Seja luz, mesmo quando o mundo tentar apagar você.
Não desista de ser você mesma.
"A verdadeira inteligência não se exibe — ela observa.
Não grita para provar razão, escolhe o silêncio como estratégia.
Ser sábio não é parecer ignorante, é saber quando calar, quando agir e quando deixar o ego de lado.
Quem pensa diferente de você não é burro — é um espelho que pode ampliar sua visão.
O problema não é a discordância, é a arrogância disfarçada de lucidez."
A vida não se importa com o que você acha justo.
Muitas pessoas passam toda uma vida reclamando das
dificuldades, das barreiras e das injustiças. Mas a
verdade é que a vida não está nem ai para isso.
O mundo não vai se adaptar para facilitar sua jornada.
O que importa é a sua decisão: Ou você se adapta e age,
ou vai passar o resto dos seus dias chorando pelo que
perdeu, o que não tem, e ainda pelo que não conquistou.
"Você Ainda Está Aí?"
Eu te vejo…
mas não te enxergo.
Seu rosto é o mesmo,
mas o olhar —
não sei,
parece feito de ausências.
Você fala,
mas a voz vem de longe,
como eco em corredor vazio.
Tantas palavras,
e ainda assim,
um silêncio entre nós.
Caminha ao meu lado
como sombra apagada,
presença que não preenche,
presente que não fica.
Mudou.
Eu sei.
Mas ninguém me avisou
que mudar também podia ser
ir embora
sem sair do lugar.
Procuro por você
nas lembranças que não doem,
nas piadas que ainda conto,
mas seu riso já não volta
como antes voltava.
E às vezes, te encontro.
Ou penso que encontro.
Mas é só a casca,
o vulto,
o nome sem alma.
Dói saber
que alguém que foi abrigo
virou labirinto.
Você está aqui…
mas onde?
Há palavras que não salvam.
Há silêncios que gritam tão alto que rasgam a pele da alma.
Escrevo para não explodir.
Porque falar não adianta — já tentei.
As cicatrizes que a luz não cura… essas eu guardei.
Não para serem esquecidas.
Mas para que, ao serem lidas, alguém perceba que ainda existe dor disfarçada de normalidade.
Fingir estar bem é uma arte. E eu me tornei um artista.
O nome é Purificação.
Não porque estou limpo, mas porque me tornei consciente da sujeira que o mundo despejou em mim.
Este é o começo.
Que venha a escuridão, porque aqui, ela encontra palavras.
Mesmo que não apareças
Me lembre das suas promessas
Que nunca foram eternas
Me colocando no sol quente
Como um soldado ardente
Saia não quero escutar
Onde estou
Quem é você
Vá embora
eu vou me bater
Você vai parar de responder
Quem esta aí
Você vai me estremecer
E esses olhares ao entardecer
Me tire desse consultório
Não estou louco para enlouquecer
Não quero morrer ao lado de você
Me falaram
Relacionar
Socializar
Amigar
Falaram é só chegar
Não entendi porque tudo começou a acabar
Porque tudo de ruim acaba com "ar"
Não existe "ar" bom para mim
Acho que vou sufocar
Aqui vai tudo acabar
E eu vou desabar
Não posso acreditar
Será que algum dia o "ar" pode mudar?
3 de julho
21h48
hoje acordei sem querer.
não por escolha.
não por esperança.
acordei porque o mundo faz barulho demais
e meu quarto não é à prova de dor.
o sol invadiu meu rosto como se eu fosse casa vazia.
fiquei deitada por um tempo,
me perguntando se morrer
é mais calmo que viver.
pensei na morte como um alguém.
alguém que talvez me acolhesse
sem pedir versões melhores de mim.
alguém que não se importaria com o fato de
eu sempre me sentir insuficiente —
até pra mim mesma.
tomei café.
com gosto de nada.
sorri pra algumas pessoas,
mas senti meu rosto falso.
às vezes acho que estou treinando ser um holograma.
e sou boa nisso.
fiquei observando meus amigos —
e essa palavra sempre me soa estranha,
como um sapato bonito, mas que nunca serviu direito.
eles riam.
eu também ri.
mas pensei:
se eu desaparecesse,
eles iam sentir?
iam lembrar?
ou só ia ser mais um nome esquecido nas notificações?
acho que hoje só queria
não existir um pouco.
descansar do peso de tentar parecer bem.
dormir sem prometer
acordar amanhã.
amanhã.
se eu quiser.
—
escrito com a barriga vazia
e o peito cheio demais.
era só um amor.
mas me fez esquecer
onde deixei minha dignidade.
não era fome.
mas parei de comer.
não era febre.
mas tremi quando ele disse que não sabia o que sentia.
eu, que sempre fui boa de ir embora,
fiquei.
como quem erra de propósito
só pra ver até onde aguenta.
abri mão do sono,
da lógica,
da escova de dente,
do aviso que dizia “não ultrapasse”.
troquei o arroz com feijão
por silêncios indigestos.
troquei o básico
por tudo que me fazia doer
mas que me fazia sentir.
e eu, no fundo, prefiro o que machuca
ao que não faz nada.
ninguém me avisou que
o amor que a gente aceita
diz mais sobre o nosso vazio
do que sobre o outro.
ele nunca prometeu.
mas também nunca foi embora.
e essa presença que não assume.
foi o que mais me corroeu.
me deixei amar como quem se deixa atropelar devagar:
primeiro a perna,
depois a vergonha,
por fim, a parte que ainda dizia
“isso não é amor”.
não é que eu não soubesse.
é que eu já tinha aceitado morrer bonita
na beira da estrada.
Juliana Umbelino
ela deixou o básico porque já tinha provado o real
ela não amava com urgência.
amava com gravidade.
não pedia reciprocidade
mas também não ficava
se precisasse explicar o óbvio.
nenhuma palavra dela era dramatismo.
nenhuma ausência, punição.
ela era do tipo que permanecia
só onde o tempo não fosse desperdício.
não fazia promessas.
fazia chá.
abria espaço.
sabia quando não falar
era a forma mais limpa de amar alguém.
tinha deixado o básico anos atrás.
não por desprezo,
mas porque aprendeu a reconhecer
o que não a fazia crescer.
o amor, quando chegou,
não teve explosão.
foi como quem abre uma janela
e percebe que o ar sempre esteve ali,
mas ninguém ousava respirar fundo.
não era o amor da falta.
era o da medida certa.
o que sabe a hora de tocar
e a hora de recuar sem ser ausência.
nele, ela não virou poema.
não virou museu,
não virou fuga.
virou só o que sempre foi:
corpo que sabe sentir.
voz que não vacila.
alma sem dívidas.
ninguém a chamou de intensa.
ninguém a disse demais.
porque quem chegou tarde
não teve nem tempo de nomear.
o amor bom,
quando a encontrou,
soube que não precisava salvá-la.
só precisava
ficar.
Juliana Umbelino
Caminhos Invisíveis
Há passos que damos sem ver o chão,
movidos por algo que não tem nome.
Às vezes é fé, outras é fuga,
mas sempre há um porquê que só o tempo revela.
O mundo ensina com mãos ásperas,
e nem toda dor vem para ferir.
Algumas vêm para abrir janelas
em lugares que julgávamos muros.
Carregamos perguntas como bagagem,
algumas pesam, outras sustentam.
E no vaivém das estações da alma,
descobrimos que nem tudo precisa resposta.
A vida é feita de curvas e quedas,
mas também de olhares que nos levantam.
E mesmo sem saber para onde ir,
o mais bonito é seguir e sentir.
Quando o mundo se sustenta
Há forças que não têm nome
mas sustentam o que somos
como raízes ocultas na terra
nutrindo sem serem vistas
O visível é breve
como reflexo na água
mas o invisível permanece
feito essência que não se apaga
O tempo não caminha em linha
mas se curva em espirais de sentido
e o amor, quando profundo
não precisa provar que existe
Não é o saber que acalma
mas o sentir que acolhe
há luz nas pausas do pensamento
e abrigo nos vazios do entendimento
Tudo o que escapa ao controle
ensina o valor da entrega
e o silêncio que parece ausência
é, muitas vezes, o lugar mais cheio de presença
A traição amorosa não é só um defeito de carácter, uma pilantragem, uma sacanagem!
Ela é também uma brecha no relacionamento que encontrou uma oportunidade.
Eu não Te troco por nada
Não há espaço pra mais nada
Todo vazio que havia em mim
Hoje é Sua morada
Vejo a maldade se multiplicando
Não estou surpreso, a promessa cumprirá
O mundo, em trevas, se afundando
Ouvi dizer que o amor se esfriará
Ainda que o inimigo ruja procurando a quem tragar
Ele não é o Leão de Judá
