Poema Nao Ame sem Amar
Tenho atitude afrodisíaca de sobra,
não me levo por nenhuma onda,
não permito-me invadir, e nem ser invadida,
Não quero iludir, nem permito ser iludida:
sempre que faltar amor, coloco poesia.
A calma não tem a ver com fraqueza,
e sim, a paciência da espera por você
que a vida não me trouxe ainda;
Se não for espontaneamente,
não permaneço nenhum dia;
viver mais um Dia dos Namorados
à sua espera não me desanima.
Se é para fazer parte de ti, que seja
o amor lei, grei, festa e poema,
sob qualquer coisa que aconteça;
O peso que a maioria não aguenta,
sabendo dividir, vira academia,
assim se é um para o outro a alegria.
Sempre que entre nós silêncio houver,
que não haja o que temer, e sim tudo
o que o coração se inspire em acolher.
Não somos tentativa, e sim o próprio padrão,
para você ser meu homem, e eu sua mulher;
porque mesmo perto do inverno, nada esfria.
Sem permissão, a gente se pertence,
privilégio para o mútuo desfrute,
sem precisar jamais que a gente lute,
com convicção a gente se merece.
Onde quer que se encontre, floresce
com as variações das orquídeas cymbidium,
ignorando o que dizem ser o fim do mundo.
Não declamo poemas.
Escrevo sobre a Amazônia,
e é ela quem me declama.
Não declamo poemas.
Escrevo sobre o Cerrado,
e é ele quem me declama.
Não declamo poemas.
Escrevo sobre Caatinga,
e é ela quem me declama.
Não declamo poemas.
Escrevo sobre a Mata Atlântica,
e é ela quem me declama.
Não declamo poemas.
Escrevo sobre o Pantanal,
e é ele quem me declama.
Não declamo poemas.
Escrevo sobre o Pampa,
e é ele quem me declama.
Não escrevo sobre o amor,
Escrevo sobre a tua existência
que é chama e me incendeia.
Não nego que penso com atrevimento,
de delíquios em delíquios mantenho
a chama acessa à tua espera que
sei que acontecerá no tempo certo.
O que você busca é o que mais desejo
com o coração, a alma e o pensamento
afetivamente educados para o cortejo
e a sã obediência às ordens do amor.
Além de junho de Jacatirão-açú em flor
em Santa Catarina com fortuna melífera,
deixo nas tuas mãos o que nos destina.
Porque a tua existência inteira fascina,
hipnotiza, escreve me molda com poesia,
e sei que em mim a tua busca se afina.
Não preciso de passaporte,
porque para você, anjo meu,
jamais serei estrangeira,
O amor é a bandeira,
e para ele não há receita.
Mas há um interminável
banquete sobre a mesa,
e não é apenas um poema.
Os bailes das auroras do mundo
encontram a vulnerabilidade
escolhida para não desperdiçar
nem por um segundo
quando o tempo de amar chegar.
Onde habitar na insensibilidade
e na ironia virou segunda pele
para adornar a rotina,
Escolhi habitar na rebeldia,
e nadar contra as correntes,
porque quero permanecer viva.
Os jogos ainda não estão definidos,
algo diz que seremos surpreendidos.
Embora conversamos mesmo
apenas pelos sinais percebidos;
como se fôssemos velhos conhecidos.
Neste junho com os camboatás floridos
refazendo o chão que está mostrando
a diferenciação trazendo benefícios melíferos,
por causa de você a anunciar o Ano Novo,
devagarinho, e que me tem no coração.
Não me tirem como feminista, não sou feminista e nem anti-feminista, apenas não sou feminista e tenho apreço pelo meu idioma sufocado pela contemporaneidade.
A palavra poetisa é substantivo feminino e a fantasia contemporânea suprimiu ela dos espaços femininos.
O complexo de inferioridade e a ignorância de algumas mulheres que escrevem poesia que ideologicamente pregam que usar a palavra poetisa nos coloca numa condição de inferiores, é prejudicial no mundo digital para muitas outras que também escrevem.
Conclusão prática: Os marcadores do Google sempre acabam me marcando como se eu fosse do gênero masculino. Eu considero isso apagamento digital do meu gênero.
Eu sou mulher que escreve poesia e tenho apreço pelo Português Brasileiro. Eu sou poetisa e ponto final.
Não te quero como dependente,
desejo-te como território livre,
tão livre que escolha ficar ou ir,
e que só possa morar o amor
até quando pensar em desistir.
Tal qual as petúnias-nativas
nas encostas serranas do sul a escalar,
e pelos campos de planalto
a me espalhar, pouco a pouco,
em ti tenho feito o meu lugar.
O solstício de inverno dança
hoje sobre o Hemisfério Celestial Sul,
Rendo-te a sagração inaugural,
por perceber a aproximação primal,
é inexplicável sentir pairar o inevitável.
Imparável diariamente tem sido
ler os olhos e os detalhes bonitos,
em todos tenho-me reconhecido,
e em vez de sentir inquietação:
sinto tudo muito mais tranquilo.
Que não há alma?
Existe a nossa - que é única.
Insensatos! Eu a vi: é de luz...
Nos teus olhos - inequívoca.
Com relação à minha luz:
(Assoma às tuas pupilas
quando me olhas tu.)
Quem me disse foi
o poeta Rubén Darío, e não tu!
(As "Rimas XII" são dele e minhas.)
Nasci orgulhosamente
nesta terra austral,
Não nego que carrego
na minha amorosa alma
de tudo um pouco
das caravanas ancestrais:
as bibliotecas perdidas
e os percursos mais
antigos da Rota da Seda.
Quando a tua alma gentil
encontrou e roçou na minha,
No dilúculo da existência,
percebi que eu comecei
a ser realmente lida;
Senti, sem dificuldades,
que a gente se combina.
Na doce viração entre
a aurora matutina
e a aurora vespertina,
passei a desejar fazer
parte da sua vida linda;
E venho percebendo
que tens cobiçado a fazer
parte da minha vida,
Há sinais claro que
somos, enfim, além da poesia.
Fazendo da palavra a joalheria,
não busco o atalho do desejo;
E sim, insisto ser todo o universo
para recebê-lo potente e íntegro.
Não nos temos no momento,
mas me vejo sendo o teu riso,
o seu lidar com todas as artes
com domínio e pedestrianismo.
Enquanto não me tens mesmo,
sou a maior fonte de endorfina,
Tornei-me a sua grã liberação
com toda a calmante poesia.
Como afelandra em flor e raízes
imortais na amada Mata Atlântica,
não sou apenas enfeite ou pista,
assumo que sou a protagonista.
Porque descobri ser a alma da tua,
e a recíproca tem sido verdadeira;
Habitamos a transcendescência
com apego e sem interferência.
Não fui a única testemunha,
sob o sol e sob a chuva,
que vi os 50 gols do Vini JR.
Enquanto a vitória estava ali,
a um palmo, para se agarrar,
no primeiro tempo,
o pênalti foi espatifado no ar —
mas no final a honra foi salva
ao menos com um gol do Neymar.
As lições desejáveis que ficam
são que, além de aprender a remar,
é preciso aprender a domar
a atenção, para não se dispersar.
Quem persiste em se achar,
perderá, inevitavelmente na vida,
a oportunidade de golear.
Em plena florada invernal
do camboim-da-serra
nesta bela terra austral,
que o frio não encerra
o calor do meu coração.
Mesmo muito de longe
os teus sinais reconheço,
Nunca será pedir demais
que além da companhia,
desejo a sua presença
com absoluta energia;
Amar é o topo da crença
que fortalece e enargeia.
O domínio e o talento
sobre o que há de mais
selvagem e inato dentro,
que no tempo e o vento
não podem fazer doma.
Somados à plena sincronia
envolvente e terratenente
entre o tangível, o intangível,
a dopamina e a adrenalina,
não somos nenhuma fantasia.
A presença e o pensamento
perceptíveis ao meu redor,
Tu mantém com todo o fulgor
forte e vivo a chama do amor
para não perder o encantamento.
Caiam sobre nós as pétalas
da chuva-de-ouro nativa,
Não podemos negar
que do pensamento um
do outro a gente habita,
Nós temos o tom certo
que afina o coração um
do outro do jeito que ninguém
nesta terra sequer imagina,
Estamos certos que não
tem nada a ver com fantasia.
Não há jogo da conquista,
porque o mundo é nosso!
Tudo em nós nos alinha
com grandeza magnífica.
Estão reservados o seu ser,
o seu querer e a vontade
que sussurrada irá dizer
"Que o seu equilíbrio magnífico
está em vir a me pertencer";
Eu sei que sou com todas
as grandezas a sua mulher.
Não é preciso o inverno cessar,
porque sabemos o que queremos,
Sem subterfúgios e sem adereços,
só pertencemos a nós mesmos.
Não é a primeira vez, e nem será a última,
que peço para olhar para o nosso céu.
Estar com os olhos atentos é preciso,
onde não nos foi ensinado a nos conhecer
e nos manter, em nome daquilo
que importa, indestrutivelmente unidos.
Não é a primeira vez, e nem será a última,
que falo que Condor só voa com Condor
e que desejo mostrar a América do Sul profunda.
Quem conhece a profundidade
e a extensão da Elevação do Rio Grande
sabe que somente ao Brasil pertence;
mas isso é assunto para hora entre a gente.
Não é a primeira vez, e nem será a última,
que falo que as Malvinas são argentinas.
E porque de fato elas são, estou aqui
para recordar os Yaghan e Kawésqar,
enquanto uns não fazem questão de lembrar;
porque negam que a Argentina nasceu
graças à vontade do povo que quis se libertar.
Não é um peso levar
para o mesmo caminho
o seu melhor amigo,
É só ele que nunca
vai te abandonar,
Não importa o quanto
tempo for durar.
O meu coração é coração de palmeira
quando se trata de revolução.
Queira ou não, a primeira revolução
se começa com a barriga cheia.
Não importa o tempo e o quanto,
a vida de cada um tenha mudado,
Se no presente ainda é cobrado,
para nenhum de nós é passado.
Aqui quem vos fala é a poesia brasileira:
- Seja na dispensa ou na mesa,
voltem a plantar a palmeira Juçara!
Se a vida está cara, é porque foi
deixado para trás a alimentação originária,
e que até hoje ninguém se atentara.
Não existe o momento errado,
apenas o endereço errado.
No coração há o sentimento certo,
nos amamos e ainda nos amamos:
só ainda não não nos encontramos.
Escutando o canto da Jacutinga,
lentamente a aurora vespertina
beija docemente a Mata Atlântica,
o vento com leveza balança
a Juçara-de-espinho e a esperança.
Para recebê-lo, tenho preparado,
certamente a mais doce festança;
O que quero para nós é o que há
de mais raro e pleno de temperança
para viver do amor que jamais se cansa.
Do mesmo jeito dos místicos,
quebrando os arcos e flechas dos cupidos
e rasgando os manuais contemporâneos
de sedução que dizem ser estabelecidos
com o orgulho de ser os últimos românticos.
Até por espelhamento
sei o que está destinado
na vida para mim ou não.
O que flui neste coração
tem a ver o curso do rio.
Talvez cada reflexo seu
seja para mim ou não.
Sou primavera gradual
se enraizando dentro,
e com pertencimento.
Tenho virado o plano
silente de madrugada,
A rota de flutuação
onde teus pés resistirão
buscar voltar ao chão.
Viveremos pelas rotas
do açaí-do-amazonas
na amada América do Sul,
O calendário será aliado,
e se sagrará o amoroso laço.
Não sabia a quem
havia pertencido o quimono,
Não sabia da onde
tinha vindo,
Não sabia nem que
era o escolhido,
Não sabia qual seria
o próprio destino,
Ao final pela escuridão
e pelo mistério foi absorvido.
O amor não exige
de nós hierarquia.
Onde há encaixe,
serei o seu tijolo;
se fores o tijolo,
serei o seu encaixe.
Se for de verdade,
construção e sintaxe:
entre nós tudo vale.
