Poema Nao Ame sem Amar
Talvez não haja Absurdo Maior do que Mulheres precisarem de leis para protegê-las de quem deveria Respeitá-las.
É um daqueles paradoxos que expõem, sem rodeios, as falhas mais profundas e medonhas da sociedade.
Leis deveriam existir como garantia de justiça, não como escudo contra aquilo que, em essência, nunca deveria acontecer.
Quando o respeito precisa ser legislado, algo essencial já se perdeu no meio do caminho — e não foi por falta de aviso, mas por excesso de negligência.
A existência dessas leis é, ao mesmo tempo, necessária e constrangedora.
Necessária porque a realidade insiste em violentar o que deveria ser inviolável.
Constrangedora porque revela que, para muitos, o básico ainda precisa ser imposto, vigiado e punido.
Como se a Dignidade Feminina fosse um conceito opcional, condicionado a regras externas, e não um Princípio Inegociável.
Há uma pavorosa Ferida Coletiva nisso tudo.
Uma cultura que, por séculos, relativizou o respeito, naturalizou o desrespeito e, em muitos casos, silenciou quem ousava denunciar.
E o mais inquietante é perceber que, mesmo diante de leis, campanhas e discursos, ainda há quem questione o óbvio, como se o problema fosse exagero e não repetição.
Talvez o verdadeiro avanço não esteja apenas em criar mais leis — ou Criminalizar algo que nem deveria existir — mas em tornar essas leis obsoletas — não por desuso jurídico, mas por Superação Moral.
Um mundo em que o Respeito não precise ser exigido, porque já esteja enraizado.
Em que a Proteção não seja uma necessidade constante, mas uma lembrança de um passado que não se repete.
Até lá, cada Lei é um remendo em uma estrutura que ainda precisa ser reconstruída.
E cada reflexão, por mais incômoda que seja ou pareça, é um convite para que essa reconstrução comece dentro de cada um de nós.
Não
há
Crime Grave
o bastante para relativizar outro.
Em tempos de tantas justificativas vazias e malabarismos morais, parece que a régua da ética se elastificou — estica conforme a conveniência de quem julga, de quem fala, quiçá de quem tenta se eximir.
Como se a existência de um erro maior tivesse o poder mágico e poético de diminuir ou até absolver um erro menor.
Mas definitivamente não tem.
Um crime não anula o outro.
Não o equilibra.
Nem o compensa.
Apenas revela o quanto estamos dispostos a negociar princípios quando eles deixam de nos favorecer.
É o velho impulso de apontar o dedo com uma mão enquanto a outra esconde aquilo que não queremos ver.
Relativizar o erro alheio com base em um erro maior é, no fundo, uma forma forçosamente elegante de aceitar o inaceitável.
É transformar justiça em comparação, quando deveria ser compromisso.
É escolher lados quando o certo seria escolher valores.
A lógica da compensação moral é sedutora porque alivia consciências.
“Perto daquilo, isso nem é tão grave.”
E assim, aos poucos, vamos rebaixando o que deveria ser inegociável.
Vamos nos acostumando com pequenas concessões que, somadas, constroem grandes e medonhas distorções.
O problema nunca foi apenas o tamanho do crime, mas a disposição em aceitá-lo quando convém.
Porque quando a indignação depende de contexto, ela deixa de ser princípio e passa a ser estratégia.
E é nesse ponto que tudo se fragiliza, tudo se perde.
Quando começamos a pesar erros em balanças seletivas, já não estamos mais buscando justiça — estamos apenas escolhendo qual incoerência, qual injustiça estamos dispostos a defender.
No fim, não é sobre quem errou mais nem menos.
É sobre quem ainda se recusa a tratar o erro como erro, independentemente de quem o cometeu e como cometeu.
Não há mau comportamento de um que possa ser tomado por indulgência poética para relativizar o do outro.
Ainda assim, é exatamente isso que fazemos, quase por instinto.
Criamos metáforas generosas para os erros de quem nos convém defender e reservamos o rigor nu e cru para os deslizes de quem já decidimos condenar.
Transformamos falhas morais em “contextos”, agressões em “reações”, incoerências em “complexidades humanas”.
E, assim, vamos esculpindo versões mais palatáveis daquilo que, em sua essência, permanece inalterado.
O problema não está apenas no erro em si, mas na régua elástica que utilizamos para medi-lo.
Quando a ética deixa de ser princípio e passa a ser instrumento, ela já não orienta — apenas justifica.
E uma ética que serve para justificar tudo, no fundo, não sustenta nada.
Há um conforto quase sedutor em relativizar.
Ele nos poupa do desconforto de admitir que, às vezes, estamos do lado errado — ou, pior ainda, que não existe um “lado certo” tão nítido quanto gostaríamos.
Mas essa indulgência seletiva cobra um preço alto: ela corrói a coerência e, aos poucos, dissolve a credibilidade de qualquer discurso moral.
Se o erro de um é sempre suavizado pela indulgência poética, enquanto o do outro é amplificado pela indignação seletiva, o que resta não é justiça — é conveniência.
E a conveniência, quando travestida de consciência, se torna uma das formas mais silenciosas de desonestidade.
Talvez o verdadeiro exercício de maturidade não esteja em apontar culpados, mas em sustentar critérios.
Em reconhecer que o desconforto da coerência é, muitas vezes, mais honesto do que o alívio da parcialidade.
Porque, no fim, não é o erro do outro que nos define — é a forma como escolhemos interpretá-lo.
Não fosse a ideia tão medonha de pejorativar, talvez feminilizar fosse a maneira mais carinhosa e poética de elogiar alguém.
Mas a linguagem, como espelho imperfeito da sociedade, carrega em si os vícios de quem a molda.
O que poderia ser sinônimo de sensibilidade, delicadeza, intuição e força silenciosa acabou sendo distorcido, reduzido a uma tentativa de diminuir, de enfraquecer e de ferir.
Como se o feminino fosse, por si só, algo menor — quando, na verdade, é origem, é sustento, é reinvenção constante.
Feminilizar alguém, em sua essência mais pura, poderia ser reconhecer sua capacidade de sentir o mundo para muito além da superfície.
Seria destacar a habilidade de acolher, de perceber nuances, de transformar dureza em cuidado e caos em significado.
Seria elogiar a coragem de ser vulnerável em um mundo que confunde rigidez com força.
Mas vivemos tempos em que o elogio é frequentemente travestido de ataque, e o que deveria ser exaltação vira ofensa.
Não porque as palavras sejam ruins, mas porque os valores por trás delas ainda estão desalinhados.
A sociedade que teme o feminino — seja em corpos, gestos ou ideias — é a mesma que ainda não aprendeu a lidar com sua própria complexidade.
Talvez o problema nunca tenha sido feminilizar, mas o medo profundo de reconhecer o valor daquilo que foi historicamente silenciado.
Porque, no fundo, elogiar alguém aproximando-o do feminino exigiria admitir que há beleza naquilo que insistiram em chamar de fraqueza.
E isso, para muitos, infelizmente ainda é revolucionário demais.
A legitimidade da nossa Falibilidade não nos desobriga da Correção, fugir disso é desperdiçar a Grandiosa Oportunidade de tornarmos Mais Humanos.
Há um conforto bastante perigoso em admitir que somos falhos e, a partir daí, transformar essa constatação em salvo-conduto para permanecer no erro.
Como se reconhecer a imperfeição fosse suficiente, como se a consciência, por si só, já nos redimisse.
Mas definitivamente, não.
Há uma distância essencial entre admitir a falha e se comprometer com a mudança — e é nessa travessia que a humanidade se reconstrói de fato.
Errar é inevitável, quase estrutural à nossa condição humana.
Mas corrigir-se é escolha, é esforço, é enfrentamento do próprio ego.
Exige encarar o desconforto de rever certezas, de admitir que aquilo que defendíamos talvez nunca tenha sido tão sólido quanto imaginávamos.
E esse movimento, embora incômodo, é profundamente transformador.
Quando utilizamos a falibilidade como justificativa para a inércia, deixamos de evoluir.
Tornamo-nos versões repetidas de nós mesmos, presos a ciclos de erro que já não nos ensinam mais nada.
A falha, então, perde seu caráter pedagógico e passa a ser apenas um hábito mal resolvido.
Ser mais humano não é errar menos — é corrigir melhor.
É assumir responsabilidade sem se esconder atrás de desculpas romantizadas e sofisticadas.
É entender que a imperfeição não é um ponto final, mas um ponto de partida.
No fim, talvez a verdadeira desumanização não esteja no erro em si, mas na recusa em aprender e reaprender com ele.
São muito louváveis as opiniões que não precedem a arrogância de tentar deslegitimar todas as outras,
sobretudo num mundo habitado por mais de oito bilhões de pessoas.
Há uma diferença muito silenciosa, mas profunda, entre sustentar uma ideia e erguê-la como única possibilidade de verdade.
A primeira exige reflexão, experiência, escuta; a segunda, muitas vezes, apenas medo — medo de que o outro, ao existir com suas próprias convicções, revele a fragilidade das nossas.
Talvez por isso, em tempos de tanto ruído, o que mais falta não sejam argumentos, mas humildade intelectual.
Opinar deveria ser um exercício de construção, não de aniquilação.
Quando alguém sente a medonha necessidade de invalidar tudo ao redor para que sua visão pareça sólida, o que se revela não é força, mas o exato oposto: a ideia que só se sustenta se estiver sozinha.
E ideias que precisam de isolamento raramente são maduras — são frágeis, ainda em defesa.
Num planeta onde cada existência carrega um conjunto irrepetível de vivências, crenças e contextos, discordar não deveria ser uma guerra, mas uma oportunidade rara de ampliar horizontes.
Afinal, cada opinião que nos confronta traz, em alguma medida, a chance de enxergar além do limite confortável do nosso próprio pensamento.
A verdadeira maturidade intelectual talvez não esteja em convencer, mas em coexistir — em sustentar aquilo que se acredita sem a urgência de silenciar o outro.
Porque, no fim, não é a uniformidade que enriquece o mundo, mas justamente a tensão criativa entre perspectivas diferentes.
E talvez seja esse o grande desafio do nosso tempo: aprender que ter voz não implica calar as outras, e que a solidez de uma ideia não se mede pelo número de adversários que ela derruba, mas pela serenidade com que ela permanece mesmo diante deles.
Dizer que a indenização é irrisória não seria relativizar o crime — descaradamente — continuado
pelo Estado?
Pois há indenizações tão ínfimas que acabam se tornando outro crime.
Há algo de profundamente perturbador quando o reconhecimento de uma injustiça vem acompanhado de uma reparação que mal arranha a superfície do dano causado.
É como se o Estado, ao mesmo tempo em que admite a falha, tentasse reduzi-la a uma formalidade contábil — um número lançado para encerrar um processo, não para restaurar uma dignidade.
Indenizar não é apenas pagar.
É reconhecer a extensão de uma violação, é dar peso concreto àquilo que foi abstratamente destruído: o tempo perdido, a dor acumulada, as oportunidades interrompidas, a confiança dilacerada.
Quando o valor é irrisório, a mensagem implícita é cruel: o sofrimento cabe em cifras pequenas; a injustiça, afinal, não foi tão grave assim.
E nesse gesto aparentemente técnico, instala-se uma perversidade silenciosa.
O Estado deixa de ser apenas autor do erro inicial e passa a ser também agente de sua banalização.
A indenização insuficiente não repara — ela reitera.
Não encerra o crime — prolonga-o em outra forma, mais sutil, porém igualmente ofensiva.
Talvez o mais grave não seja o valor em si, mas o que ele revela: uma régua moral distorcida, incapaz de medir o impacto real de suas próprias falhas.
Porque quando a reparação não corresponde ao dano, o que se perpetua não é apenas a injustiça passada, mas a certeza de que ela pode — e talvez vá — se repetir.
E assim, entre números gélidos e decisões protocoladas, o que deveria ser justiça se aproxima perigosamente de um novo tipo de violação: aquela que, sob o pretexto de reparar, ensina que certos crimes são, na prática, precificáveis e toleráveis.
Não há mulher abaixo ou acima do peso, fora do padrão, que macho idiota algum foi autorizado a impor ou validar.
A verdade é que o “padrão” nunca foi sobre beleza — sempre foi sobre controle.
Um molde invisível, moldado por olhares apressados e opiniões rasas, que tenta enquadrar o que é, por natureza, múltiplo, diverso e indomável.
O corpo feminino, ao longo do tempo, foi tratado como território público, sujeito a julgamentos, comparações e sentenças proferidas por quem jamais foi convidado a opinar.
Mas quem define o que é excesso ou escassez?
Quem mede o valor de um corpo como se fosse mercadoria em prateleira?
Há uma arrogância silenciosa em acreditar que se pode nomear o outro — como se a experiência de existir coubesse em números, curvas ou expectativas alheias.
Cada corpo carrega histórias que não se veem.
Cicatrizes que não se explicam.
Forças que não se medem.
Reduzir uma mulher a um “padrão” é ignorar a complexidade de tudo que ela é — e, mais ainda, de tudo que ela enfrentou para ser.
Talvez o verdadeiro desvio não esteja nos corpos que fogem às regras fabricadas, mas na necessidade insistente de sustentá-las para aquilo que nunca precisou delas.
Porque quando se tenta encaixar a diversidade em moldes estreitos, o que se revela não é um erro na forma — mas na visão de quem observa.
E, no fim, a pergunta que fica não é sobre quem está fora do padrão inventado… mas sobre por que ainda insistimos em padrões que não servem a ninguém, a não ser ao ego frágil de quem precisa sustentá-los para se sentir maior.
Não há ausência de sentimento maior e mais medonha do que a dos que se atrevem a julgar o sentimento alheio.
Há uma estranha soberba em quem se coloca como árbitro da dor do outro, como se emoções fossem fatos mensuráveis, passíveis de perícia tão gélida.
Julgar o sentimento do outro é, antes de tudo, ignorar a vastidão invisível que cada pessoa carrega — histórias não contadas, cicatrizes que não se exibem, batalhas travadas no silêncio.
Quem invalida o sentir alheio, muitas vezes, não o faz por força, mas por ausência — ausência de empatia, de escuta, de profundidade…
É mais fácil desqualificar do que compreender; mais confortável rotular do que acolher.
Afinal, reconhecer a dor do outro exige, inevitavelmente, encarar as próprias limitações emocionais.
Mas sentimentos não obedecem à lógica dos tribunais.
Eles não precisam de provas, tampouco de aprovação.
Sentir é, por si só, um ato muito legítimo.
E cada emoção, por mais incompreensível que pareça, nasce de um lugar real dentro de quem a vive.
Talvez a verdadeira humanidade resida menos em explicar o que o outro sente e mais em respeitar que ele sente — mesmo quando não entendemos, mesmo quando não concordamos.
Porque, no fim, a maior pobreza não está em sentir mais ou sentir menos, mas em sentir tão pouco a ponto de negar a existência do sentimento alheio.
Não há desperdício de tempo mais bobo que tentar explicar algo para os que já escolheram em que acreditar.
Porque, no fundo, não se trata de falta de informação — trata-se de decisão.
E decisões, escolhas, quer coincidam com as nossas ou não, devem ser religiosamente respeitadas.
Há quem não busque a verdade, mas apenas argumentos que sustentem o que já foi escolhido antes mesmo da reflexão começar.
E contra decisões disfarçadas de convicção, a lógica se torna quase inútil, como chuva fina tentando atravessar vidro fechado.
Explicar exige abertura.
Não só de quem fala, mas principalmente de quem ouve.
Exige um espaço interno onde a dúvida ainda tenha permissão para existir, onde o desconforto de estar errado não seja imediatamente rejeitado como uma ameaça pessoal.
Mas quando alguém transforma sua crença em identidade, qualquer questionamento deixa de ser diálogo e passa a ser ataque.
E então nascem conversas que não caminham.
Palavras que não encontram abrigo.
Ideias que morrem no ar antes mesmo de serem compreendidas.
Não por falta de clareza, mas por falta de disposição.
Talvez a maturidade esteja em reconhecer esses limites.
Em entender que nem toda verdade precisa ser defendida a todo custo, nem toda discussão precisa ser vencida, nem toda explicação precisa ser dada.
Há um tipo de sabedoria muito silenciosa em saber quando parar de falar…
Porque, às vezes, insistir em explicar não é um ato de generosidade — é apenas um apego nosso à necessidade de sermos compreendidos.
E isso também pode ser um desperdício.
Não há uma frase bem ou mal formulada o bastante para definir uma pessoa, mas alguns comentários só denunciam as cabeças alugadas.
Vivemos tempos tão sombrios em que muitas palavras deixaram de ser pontes e passaram a ser muros.
Uma frase solta, arrancada do contexto, ganha mais peso do que uma trajetória inteira.
E, curiosamente, não é a frase em si que revela quem a disse — mas a forma como ela é recebida, distorcida e devolvida ao mundo.
Há quem já não escute para compreender, mas apenas para reagir.
Não se trata mais de diálogo, e sim de disputa.
Nesse cenário medonho, muitos pensamentos não são próprios: são ecos.
Ideias prontas, repetidas com convicção, mas sem a mínima reflexão.
Como móveis em uma casa alugada, ocupam espaço, mas não pertencem a quem ali está.
As “cabeças alugadas” não são necessariamente menos inteligentes — são apenas menos livres.
Alugam certezas porque duvidar dá muito trabalho.
Assinam contratos invisíveis com narrativas prontas porque pensar exige tempo, coragem e, muitas vezes, até solidão.
E, em um mundo muito barulhento, o silêncio do pensamento próprio pode ser desconfortável demais.
O problema não é discordar — isso é saudável, necessário e humano.
O problema é quando a discordância vem desacompanhada de escuta, quando o outro deixa de ser alguém e passa a ser apenas um rótulo conveniente.
Nesse ponto, qualquer frase vira prova, qualquer palavra vira sentença.
Talvez o verdadeiro desafio não seja falar melhor, mas ouvir melhor.
Não seja formular frases perfeitas, mas cultivar mentes inquietas o suficiente para não se contentarem com respostas prontas.
Porque, no fim, não são as palavras que nos aprisionam — é a falta de autoria sobre aquilo que verbalizamos.
E liberdade, ao contrário do que muitos acreditam, começa dentro de nós.
Sobre o outro, só um julgamento é permitido, urgente e necessário — vale ou não a pena discutir.
Em tempos de tantos julgamentos, talvez este seja o mais sábio e também o mais ignorado.
Não porque o outro não mereça resposta, mas porque nem toda palavra merece palco.
Há debates que não são pontes, são armadilhas…
Conversas que não buscam entendimento, apenas vitória.
E quando o objetivo deixa de ser o entendimento e a verdade para se tornar o aplauso, qualquer argumento vira figurante de um espetáculo já ensaiado.
Discutir, no sentido mais nobre da comunicação, é um exercício de construção.
É lapidar ideias no atrito respeitoso, é admitir a possibilidade de estar errado, é sair diferente de como entrou.
Mas isso exige uma disposição muito rara: escutar de verdade.
E, sejamos honestos, grande parte das discussões hoje não nasce dessa intenção — nasce da pressa de responder, da necessidade de afirmar, do medo de parecer fraco…
Há um custo invisível em entrar em toda e qualquer briga: o desgaste da mente e da alma.
Cada discussão inútil consome tempo, energia e serenidade.
E, aos poucos, vamos nos tornando aquilo que criticamos — reativos, barulhentos e previsíveis.
Não por maldade, mas por contaminação.
Saber quando não discutir não é aceitação nem omissão; é discernimento.
É reconhecer que nem todo campo merece ser cultivado, que algumas terras não produzem nada além de ruído.
É entender que o silêncio, às vezes, é a forma mais eloquente de inteligência.
No fim, talvez a maturidade não esteja em vencer argumentos, mas em escolher quais sequer valem a tentativa.
Porque há debates que ampliam horizontes — e há aqueles que apenas estreitam o espírito dos que insistem.
E desses, o melhor argumento continua sendo a recusa.
Se Deus abominasse os Pecadores e não o Pecado, certamente não haveria Arrependimento passível de Perdão.
Pode parecer uma inversão sutil, mas profunda o bastante para revelar o quanto a esperança humana estaria condenada desde o princípio.
Se o erro definisse o ser, e não apenas o seu agir, então cada falha seria uma sentença definitiva, cada queda um veredito irreversível.
Não haveria espaço para recomeços, nem sentido em reconhecer a própria culpa, pois o arrependimento não encontraria eco — apenas rejeição.
Mas há algo de profundamente restaurador na ideia de que o pecado é reprovado, não o pecador.
Isso separa o erro da essência, a falha da identidade.
Permite que o ser humano, mesmo em sua imperfeição, não seja reduzido ao pior de si.
É essa distinção que sustenta a possibilidade de transformação — não como um apagamento do passado, mas como um ressignificar do presente.
Arrepender-se, então, deixa de ser um ato de desespero e passa a ser um movimento de retorno.
Um reconhecimento de que, apesar das escolhas equivocadas, ainda há um caminho de volta.
E que — o Céu é uma escolha possível!
E o perdão, longe de ser uma absolvição barata, torna-se um convite à mudança genuína, à reconstrução interior.
Talvez o maior perigo esteja justamente em fazer o oposto: quando nós, humanos, passamos a condenar, a desumanizar pessoas em vez de atitudes.
Quando rotulamos, descartamos e definimos o outro por seus erros, nos colocamos na contramão daquilo que dizemos acreditar.
Criamos um mundo onde ninguém pode mudar, porque ninguém é visto além da própria falha.
No fim, a possibilidade do Perdão não revela apenas algo sobre o Divino, mas expõe também um desafio profundamente humano: aprender a olhar para si e para o outro com a mesma medida de Misericórdia que tanto desejamos receber.
Quem tem caráter, engraxa até sapatos do outro lado do oceano; quem não tem, lambe botas.
Há uma diferença muito brutal entre servir e se submeter.
Entre trabalhar e se vender.
Entre a dignidade e a adoração ao poder.
Muita gente confunde humildade com servidão.
Mas não existe desonra alguma no trabalho honesto — mesmo no mais simples, no mais pesado, no mais invisível.
Um homem pode cruzar até oceanos para limpar chão, carregar caixas ou engraxar sapatos, e ainda assim carregar consigo algo que dinheiro nenhum compra: honra.
Porque o valor de alguém não está no tipo de trabalho que realiza, mas na integridade com que vive.
O verdadeiro patriota não é aquele que vive discursando sobre a pátria enquanto despreza o próprio povo.
É aquele que, onde estiver, leva consigo seus princípios, sua ética e sua disposição de construir a vida sem parasitar ninguém.
Às vezes, amar o próprio país significa justamente sair dele para sobreviver ou lutar pelos outros sem perder a alma.
Indigno não é o trabalhador que serve, mas aquele que rasteja por conveniência.
Quem troca consciência por privilégios.
Quem se ajoelha diante de políticos, autoridades, empresários ou ideologias, esperando migalhas de poder.
Engraxar sapatos exige esforço; lamber botas exige ausência de caráter.
Há mais grandeza em mãos cansadas pelo trabalho do que em discursos vazios de quem vive bajulando poderosos.
Porque o trabalho pode curvar a coluna por algumas horas, mas a submissão voluntária corrói a alma inteira.
No fim, o oceano não separa o homem digno da sua terra.
O que realmente afasta alguém de suas raízes é abandonar os próprios valores.
E quem mantém a dignidade intacta, mesmo longe de casa, continua sendo muito mais patriota do que muitos que vivem perto da bandeira, mas ajoelhados diante do poder.
Os olhos verdes de Capitu não são nada comparados aos teus olhos castanhos, castanhos cor de mel, sempre que olho para eles, me sinto no céu
- Patrick Wallace
Orgulho e preconceito,
dois caminhos que o amor não consegue habitar.
Um afasta pelo silêncio,
o outro condena antes mesmo de conhecer.
O orgulho ergue muros
onde o coração queria construir pontes.
O preconceito fecha os olhos
para aquilo que poderia florescer.
E no meio dessa guerra invisível,
muitos amores se perdem
não por falta de sentimento,
mas pela incapacidade de ceder.
Porque amar exige coragem:
de ouvir, compreender, mudar.
E onde existe arrogância ou julgamento,
o amor sufoca antes mesmo de nascer.
Helaine machado
Corri para a janela
à espera do sol,
Uma distração
para não concentrar
a minha mente
nos teus olhos lindos,
como um jeito de tentar.
Desejei boa semana
e saí para passear,
mas com você
no coração de um jeito
que não vai passar,
Comecei a me apaixonar,
não faço a menor
ideia no que irá dar.
Só sei que comecei
a me apaixonar,
e você também tem
me visto por todo o lugar.
Nem tudo que vai embora
dá volta de novo.
Há partidas que o tempo não devolve,
palavras que nunca encontram retorno,
e pessoas que viram apenas lembrança
morando em fotografias da memória.
A vida também é feita de ausências.
De portas que se fecham
sem aviso, sem despedida, sem explicação
Helaine machado
Vida Eterna
Jesus morreu como homem! E como Deus! Não se pode separar uma natureza da outra! Agora quem morreu, por momentos, não foi o Pai, mas o verbo " o Filho"! E porque não nos podia salvar doutro modo! Ou seja, que adiantava termos o perdão dos pecados ( se morresse como homem), mas não tivéssemos a vida eterna ( se não morresse como Deus)?
Sendo assim temos Vida Eterna, pois Jesus morreu como homem e como Deus! Se ele morresse como homem somente, não teria vida eterna! Mas eis que foi Deus que morreu por nós! Ele é eterno e nós dá a vida eterna! Ressuscitou para nossa justificação e nossa Vida Eterna!
