Poema Nao Ame sem Amar

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Destino Não É Acaso


Diante dos meus olhos, o mundo virou de novo.
É estranho como tudo muda tão rápido… ontem eu era uma versão de mim, hoje já sou outra — moldado pelo tempo, pelas dores, pelas escolhas… e principalmente pelo amor.
A vida é imprevisível, sempre foi.
Ela tira, ela devolve, ela confunde…
Mas, no meio desse caos bonito, ela sempre encontra uma forma de nos colocar frente a frente outra vez.
Entre idas e vindas, quase despedidas e reencontros improváveis, eu aprendi uma coisa:
quando é verdadeiro, não se rompe — se transforma.
Não sei se é bênção ou se é prova.
Só sei que cada vez que a gente se reencontra, a gente volta diferente… mais maduro, mais forte, mais consciente do que sente.
É como se o destino dissesse: “Ainda não acabou. Ainda não é o fim.”
Talvez eu seja o incerto que nasceu pra provar que pode dar certo.
Talvez o amor não seja sobre estabilidade imediata, mas sobre resistir ao tempo, às dúvidas e ao mundo que gira rápido demais.
E no meio dessa mudança toda, eu encontrei alguém que me ama no máximo. (YOU)
E isso não é pequeno.
Isso não é comum.
Isso é raro.
Se for pra ser luta, eu luto.
Se for pra esperar, eu espero.
Se for destino… então eu abraço.
Porque fugir do amor nunca foi minha especialidade.
E, se for você, eu escolho ficar.

Refém do Teu Olhar


Ela não faz esforço nenhum…
mas quando olha, me desmonta por completo.
Existe uma calmaria no rosto dela, quase inocente…
mas os olhos contam outra história.
São grandes, profundos, cheios de uma presença que não se explica — se sente.
Não é só beleza.
É intensidade escondida em silêncio.
É um brilho suave que, mesmo tranquilo, tem força suficiente pra atravessar qualquer barreira.
Quando ela sustenta o olhar, o tempo parece diminuir o ritmo.
O mundo fica menor.
E tudo que existe é aquela conexão invisível que prende sem pedir permissão.
Tem algo ali que é diferente…
não é um olhar distante como estrela fria.
É quente.
Íntimo.
Viciante.
E eu, que achava que tinha controle sobre mim,
descobri que me perco fácil nesse universo que mora dentro dos olhos dela.
Se existe magia nesse mundo,
ela vive exatamente ali.

Carrego em mim palavras não ditas,
guardadas no silêncio de um olhar.
Promessas esquecidas ou perdidas,
que podem fazer sorrir ou chorar,
ou até florescer no ar.


Carrego rabiscos sem destino,
tímidos, sem coragem de sair.
Esperam virar traço e caminho,
virar cor para o mundo construir,
e alguém poder sentir.


Carrego canções ainda caladas,
vivendo em perguntas sem fim.
Leves melodias, meio guardadas,
que passam e voltam em mim,
e fazem o dia assim.

Recálculo da Rota


Isso tudo,
Era tudo
O que eu queria,
Mas agora,
Não quero mais.


Michel F.M.

[Doce Prazer da Queda Livre]


a felicidade
não é real,


bem como
todos os outros
sentimentos
e emoções.


ela é apenas
uma percepção
criada por nossa mente,


através de um coquetel
hormonal
e uma poderosa dose
de neurotransmissores,


que ludibriam
nossa consciência,
nossas memórias
e projeções.


nada além de bioquímica.


mas apesar da física
ser impiedosa,
nem todo corpo
respeita a gravidade.


e te digo outra coisa,
é absolutamente fabuloso
estar entorpecido.


ainda que provavelmente,
estejamos equivocados.


10/04/23
Michel F.M.

[Sobre Fábula e Fé]


Acredite em mim, quando digo,
Que não acredito em quase nada
E não acredito em quase ninguém.


Eu não tenho religião,
Nada credito aos deuses,
Nenhum mérito ao onipotente.


Não creio em evangelhos,
Parábolas, conselhos, sermões,
Depoimentos, escrituras,
Sacramentos, santidades ou visões.


Mas reconheço milagres,
Quando os vejo.
E minha única crença
É a poesia.


Ela é a única explicação que especulo,
A única expectativa que tenho,
Única conclusão que espero.


Entre as lacunas incalculáveis,
Sei que ela, é a única coisa que resta,
Única substância, que sou.


19/05/23
Michel F.M.

[Mestre dos Pretextos]


Um indivíduo sociável
Em estabilidade pueril.


Não subestime a descrença,
Tudo que decorre é premeditado,
Ainda que subitamente.


Há muito, mas muito tempo,
Cerca de trinta ou quarenta minutos,
A verdade veio à tona,
Necessidade incontrolável
De mentir para ti.


Tem sido assim
Desde Eras imemoriais,
Surtos acalorados
De falsas promessas.


Uma culpa minha,
Particular e exclusiva,
Talento nato, lapidado,
A pedra bruta esculpida.


Então essa conversa fiada,
Contrastou em meus ouvidos afiados,
Combinações de palavras belas, ocas,
Dentes e bocas, um banquete aos canibais.


Comigo não, mademoiselle,
Deixe de amadorismos,
Estás num campo a desbravar,
Onde comandam generais.


Dialoguemos pois,
Frases curtas em longos textos,
Não me venha com desculpas,
Está diante do Mestre dos Pretextos.


(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)

Floresta de Cactos


Talvez uma única vez
Isso tudo não tenha a ver
Somente conosco.


Independente
do que você espera de mim,


Me antecipo às suas
Expectativas,
Ajo inesperadamente.


Mesmo parecendo óbvio,
Artífice de ilusões,
Operário de angústias,
Artesão da alma.


Pesquisador da profilaxia,
Busco certa toxicidade salutar,


Acidez sonhando alcalina,
Desejando ser benigna.
Blá blá e blá.


Desbravador do espírito,
Um trabalhador braçal
Que lavora com tinta e papel.


Palavreados
Ambicionando
Palavrões.


Possuo todas as perguntas
Fundamentais e universais
E nenhuma resposta.


Talvez esta única vez
Isso tudo só tenha a ver
Conosco.


Pois é,
Sou sim um poeta,
Sou só,
Poeta.


Esse é meu ofício,
Meu karma,
Maldição
E magia.


Não posso te oferecer nada,
Além de poesia.


13/01/23
Michel F.M.

Parábola Esquecida do Último Pagão


nos deixe
cair em tentação,
nós não queremos
ser salvos,
nós nunca
quisemos ser.


não queremos
que vosso reino
venha a nós,
desprezamos
toda e qualquer
ambição monárquica.


tua vontade não será
feita aqui,
sobre esta terra
ou sob este céu,
pois jamais perdoaremos,
quem nos têm ofendido.


sim senhor,
em vosso elevado
e santo nome,
conhecemos bem
a impiedosa
misericórdia divina.


ainda nos safamos quase
ilesos, dos tantos males
que nos assolam.
tudo o que buscamos
é ir até o limite
e depois cruzá-lo.


não desejamos
a salvação,
sempre
estivemos perdidos,
nos encontramos,
na perdição.


04/10/23
Michel F.M.

Desfoque Gaussiano


a vida
é a consequência
do que não foi.


porque
se tivesse sido,
de outra forma


(nas inesgotáveis
probabilidades
que não resultaram),


jamais seria
esta causa
que se perdeu.


19/10/23
Michel F.M.

Fugiu numa noite gélida,
Logo caiu nas poções encantadas,
Não imaginou as ruas tão violentas,
Mais uma usuária viciada.

Emprega(dores)


a façanha destes
espécimes tão exóticos,
é o fato deles não
somente desejarem
lhe escravizar,
com requintes de
extrema crueldade
e um acentuado
sadismo,
mas também
desejam, que sejamos
todos gratos,
pela generosa
oportunidade
ofertada, de sermos
brutalmente
escravizados.


Michel F.M. - Ensaio sobre a Distração
Bruno Michel Ferraz Margoni
07/12/23

[Sorvete de Cicuta]


todos têm um preço,
mas a maioria se vende
por quase nada.


não me julgue
com severidade,
sou só mais um
ser humano falho,
falhando.


movido pelo esforço
incessante na
busca por descanso.


tomar veneno ou
servi-lo, eis a questão;
que bebamos juntos.


incendiamos o Éden
e traímos a confiança
divina, para isso.


pelo nobre direito
de pecar, e ser
açoitado, receber
o mais furioso
castigo.


minto, distorço,
mato e destruo
qualquer coisa,


para colher
o tão adocicado
fruto;


para obter
meu tão merecido
conforto.


Michel F.M. - Ensaio sobre a Distração
Bruno Michel Ferraz Margoni
12/12/23

[Maroto]


aonde você vai?!
eu vou ali.
ali onde?!
onde não é aqui,
é ali.


13/12/23


Michel F.M. - Ensaio sobre a Distração
Bruno Michel Ferraz Margoni

[Cromossomos]


Mesmo sabendo que não é muito,
Eu só posso te dar uma coisa,
Absolutamente
tudo.


(Michel F.M. - Altas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)

Eu não entendo
como um amor começa,
mas hoje compreendo,
como ele se eterniza.


(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)

⁠Sonolento não dormia,
Expelia amônia.
Dura resenha de um
Sonâmbulo com insônia.

⁠Não cobiço carreira,
Não cobiço estabilidade,
Sou a ameaça sociopata,
O risco perigosamente presente;

⁠Se a cachaça não alterasse a perspectiva,
Certamente garimparia a definitiva
Identificação com a confissão
De que este causador fora
Outrora sóbrio.

⁠Sendo um bom colecionador,
Daquilo que me desfavorece,
Não promovo a preocupação,
Ela ocupa a posição que merece.