Poema Nao Ame sem Amar
NADA COMO ANTES
De onde eu vim,
Lembro com muita saudade.
Ruas e quintais não são mais como antes.
Por lá eu cresci, vi muitas flores se abrindo
No raiar das manhãs. Quantas vozes eu ouvi.
Atrelado ao ar do lugar, Timbó está incravado em mim.
Suas praças me recordam bem, profundas lembranças
Que o tempo marcou.
Não posso esquecer dos amigos que um dia
Comigo sorriram. Aqueles que foram,
Os que me disseram, os que propuseram, os que se fecharam,
Os que se abriram e aqueles que nunca mais vi.
ACENDER O AMOR
Góis Del Valle
Razões pra esquecer você,
motivos quaisquer tentei.
Não adianta fazer com o coração
o que manda a razão,
se o coração está sofrendo por um
amor verdadeiro.
Razões pra fingir, eu fiz;
motivos pra não querer.
Não adianta fugir da emoção
que nos prende ao passado,
aos momentos mais incríveis
que vivemos nos amando.
Amor, só queria entender
um pouco do teu ser,
ver o teu sorriso,
morar em teu peito,
sem pedir e sem mandar,
esquecer os defeitos,
apagar as faíscas
e acender o amor.
FLORES DO JARDIM
Composição: Góis Del Valle
O amor não nasce em vão.
Paixão ou solidão dentro do peito,
palavras lá no chão são frases,
Como rosas no jardim.
Se eu não abro mão
das coisas que criei
aqui por dentro...
Razões pra chorar,
razões pra sorrir:
são coisas que o coração faz.
Momentos assim,
pra mim, são sem fim:
são coisas que o coração faz.
E quando a ilusão
enche o peito e dilacera o coração,
se eu não me amasse, o que seria dos
meus sentimentos?
Razões pra chorar,
razões pra sorrir:
são coisas que o coração faz.
Momentos assim,
pra mim, são sem fim:
são coisas que o coração faz.
FANTASMA NO VAGÃO
Autor: Góis Del Valle
Já não sei dizer quanto tempo faz.
O prazo terminou, final de uma ilusão.
Não posso mentir pro meu coração.
Alimentar a velha dor, a dor de uma paixão.
Não sou mais o mesmo de ser.
Tinha que morrer pra renascer.
Todo tempo é pouco pra viver a
esperança de sentir um novo amor,
nova paixão. Viver feliz é ser feliz com
o seu novo amor.
Não me importo mais com os fantasmas
no vagão, perdidos pela noite em vão, soprando
minha vela então. Não posso mentir, talvez
admitir, alimentar a velha dor... A dor de uma paixão.
EXÍLIO
O pior exílio do Éden não foi Adão levar consigo a serpente, mas esquecer que levava também a árvore da vida que frutificou no segundo Adão, Jesus Cristo
O Paraíso perde-se duas vezes: por quem o nega, e por quem o cerca de doutrinas.
As Escrituras são asas, quem as transforma em cova, expulsa-se do Éden.
António CD Justo
Relação com o Mundo
Descobrimo-nos não apesar do mundo, mas através da nossa forma única de o habitar.
Ser pleno não é ser ilimitado, mas ser conscientemente limitado. E ser autêntico não é ignorar as influências, mas orquestrá-las conscientemente.
A ipseidade não se encontra, constrói-se, dia após dia, escolha após escolha.
MEDO
Um povo com medo aceita quase tudo.
Um povo que pensa o seu medo torna-se perigoso
não para os outros, mas para quem vive do medo deles.
A Lei do Sonambulismo
Chamam-lhe sonambulismo: o sono é pesado e voluntário da sociedade. Não é a ignorância dos factos, mas a vontade férrea de não os ver. É o pacto não assinado: ‘Deixai-me o meu sono, e eu deixar-vos-ei o vosso poder’. Enquanto houver mais medo de acordar do que de ser governado, o ciclo alimenta-se a si mesmo. O embriagado de poder e o adormecido pela preguiça são cúmplices numa dança milenar: um precisa do outro para existir.
“Ai de mim se não continuar.”
Ai de mim se eu parar no meio do caminho.
Se eu deixar o cansaço falar mais alto que a fé.
Se eu permitir que as feridas me convençam de que não vale a pena.
Continuar nem sempre é força, às vezes é sobrevivência.
É levantar mesmo sem vontade, é dar passos pequenos quando o coração está pesado.
É entender que nem todo dia será vitória, mas todo dia pode ser aprendizado.
Ai de mim se eu não continuar acreditando, mesmo quando tudo parece silêncio.
Porque é no processo que Deus trabalha, é no deserto que o caráter é moldado.
Quem continua, mesmo ferido, não perde — amadurece.
Continuar é um ato de coragem.
E desistir não é opção para quem sabe que a promessa ainda está de pé.
“Deus, eu te peço misericórdia pelos meus atos.
Que minhas palavras não sejam armas, mas pontes.
Livra-me da mentira que nasce do ego e do silêncio que foge da verdade.
Que eu fale quando for para curar,
cale quando for para não ferir,
e que a verdade que sair da minha boca venha temperada com amor.
Não permita que eu use a fé para julgar,
nem a razão para machucar.
Endireita meus caminhos, corrige minhas intenções
e faz de mim alguém que reflita a Tua luz
não só no que diz, mas principalmente no que vive. Amém.”
Da vida não espero muito mais de mim,
eu sigo tentando ser inteiro mesmo quando falto em pedaços.
Aprendi que crescer dói,
que nem todo silêncio é fraqueza
e que continuar, às vezes, já é vitória.
Não quero prometer o que não sou,
nem carregar pesos que não me pertencem.
Se eu for verdade no pouco,
se eu for sincero no que sinto,
já estarei indo além do que um dia imaginei.
Da vida, hoje, eu espero coragem.
De mim, eu espero honestidade.
E que, mesmo cansado,
eu não desista de ser quem sou.
Por tanto da vida não espero muito,
mas de mim eu espero tudo.
POLÍTICA NA DIÁSPORA
Não é de novos astros que precisa a astronomia política da emigração, mas da antiga gravidade da vergonha e do peso terrestre da responsabilidade.
António CD Justo
Quem sou eu, pra desprezar o outro,
quando a hora de partir chega e a alma sente?
Não queremos deixar tocar o coração,
mas toca, e sentimos em cada pedaço de nós.
É horrível querer prender o que já se foi,
repetir velhas emoções é se punir,
é negar a partida e voltar à mesma ferida,
buscando tocar o que já não volta.
Quem sou eu pra indagar palavras?
Pra dizer que o outro não vale nada?
Que nunca me serviu? Que já não é o outro?
Talvez só nossos olhos tenham visto
o que ele nunca foi,
e nunca vai ser.
É uma dimensão complexa querendo amar: a solidão.
Quem sou eu pra falar quando o outro grita?
Quem sou eu pra dizer o nome do outro?
Quanto mais falo, mais vejo minha incapacidade
de virar a página.
Que possamos virar páginas, mudar discursos,
aceitar o que se foi,
e viver o novo que a vida traz.
Enquanto nos agarrarmos ao velho,
nunca sentiremos o novo.
Triste não é quem pede reciprocidade,
triste é quem cobra aquilo que nunca soube oferecer.
Quem fala de você na sua ausência revela mais sobre si
do que imagina revelar sobre o outro.
A verdade sempre encontra um caminho,
e ninguém sustenta uma máscara por muito tempo.
Honrar quem me desonra não faz parte de mim.
Se algo que senti hoje já não merece morada no meu peito,
eu me retiro em silêncio —
e o silêncio, às vezes, é a resposta mais justa.
Não volto atrás quando a ausência vira paz.
O mundo gira, ensina, devolve.
Nem tudo que reluz é ouro,
e nem toda companhia merece permanência.
Respeito não se exige, se pratica.
Quem cresce falando do outro para diminuir,
na verdade, nunca cresce —
apenas ocupa espaço onde a consciência não mora.
Sinto muito por tua tristeza.
Não deixes que invada teu interior.
Solta o peso que insiste em ficar,
E deixa a paz teu coração abraçar.
Pensa nas coisas boas que vão chegar,
Nos raios de sol que vêm te iluminar.
A ansiedade é sombra, inimiga da verdade,
Então cultiva calma, acolhe a serenidade.
Deixa ir o que não te faz bem,
Respira fundo, recomeça também.
Que cada instante seja leve e sutil,
E a alegria retorne, doce e gentil.
E o que for embora, deixa ir.
As vezes a angústia vem pra travar o que há de vir.
Não é esforço nenhum me retirar.
Já me levantei de lugares que nunca imaginei sair sem olhar pra trás.
Quem dirá de onde nem me conhece.
Sabem mais de mim do que eu mesma jamais contei.
Incrível como as pessoas sabem destruir mais do que levantar.
Acham que eu sou idiota.
Só a cara.
Segredo é segredo.
Não se revela.
Se guarda.
Isso é respeito.
PRESENTE
É… o tempo que passou, o ontem, não volta mais. Por isso, devemos valorizar o hoje, pois não é à toa que ele se chama…
🎁 PRESENTE.
Não vou te provar quem és,
mas jamais me peça que eu escolha
entre o que sou
e o que você espera que eu seja.
Cada qual vive a sua realidade,
buscando a própria verdade.
Eu fui feita para o mundo,
você, para ser quem almeja se tornar.
Cada um com suas escolhas,
seus motivos,
sem padrões impostos.
Idealizações não são iguais
— e acreditar que todos chegam ao mesmo lugar no fim
é um mito perigoso.
Vamos exatamente
para onde nossas escolhas nos levam.
Esse ano é o ano em que não darei segundas chances.
Pensem bem nas atitudes.
Depois de tanto me quebrar, entendi:
o erro não era sentir,
era permitir que me partissem.
Hoje, quem se parte sou eu —
do que pesa, do que fere,
do que insiste em não somar.
Não manipulo a sorte,
porque a sorte não se deixa tocar.
Ela nasce das escolhas,
dos passos que insistimos em dar.
A vida não é um jogo marcado,
nem cartas lançadas ao acaso.
É um segredo que se revela
a cada coragem, a cada fracasso.
Somos nós que escrevemos o caminho,
entre erros, silêncios e fé.
A sorte é só o nome bonito
do que a alma decide ser.
