Poema Nao Ame sem Amar

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Alguns dizem que o fruto não cai longe do pé.
Mas a semente voa.

Vai com o vento,
vai no bico dos pássaros,
vai rolando sem saber exatamente onde vai parar.

Às vezes encontra um chão bom.
Outras vezes, não.
E está tudo certo.

Quando encontra, nasce.
Vira broto, depois árvore.
Dá flor, dá fruto.
E o ciclo segue, quietinho, fazendo o que sabe fazer.

A vida é assim.
Simples.
Delicada.
Tentativa.

Nem toda chuva ajuda.
Tem chuva que cuida.
Tem chuva que leva embora.

Nem todo vento espalha.
Tem vento que só passa.
Tem vento que machuca.

Talvez a gente não precise ser grande demais.
Nem forte demais.
Nem certo demais.

Talvez baste ser um pouco mais suave.
Um pouco mais atento.
Um pouco mais presente.

Ser como a chuva boa.
Que molha sem machucar.
Como o vento leve.
Que passa e deixa espaço.

E deixar a vida fazer o resto.

O interesse individual não deve se sobrepor ao bem-estar de muitos.


Janeck Tolentino

Nem todo silêncio quer resposta.

Descansar não é desistir, é recarregar o humano.

Há dias em que sobreviver já é produção suficiente.

O corpo também pensa, só mais devagar.

Às vezes a melhor ideia é não ter nenhuma hoje.

Não quero nada demais.
Nem de menos.
Quero somente a medida certa.Exata.
Nada extravagante.Quero calma.Sonhos possíveis.Sorriso leve.Quero ver o pôr do sol.Quero esta paz no coração, que ninguém vai tirar de mim.

SIMPLESMENTE EU.

Quando a emoção toma conta não dá pra segurar, as palavras vêm com força tamanha, estranha, incontroláveis. Neste momento uma avalanche de frases interrogativas, imperativas, exclamativas e conclusivas formam um turbilhão em minha mente e o caminho mais certo é falar. Não há princípios para o certo, incerto, coberto, descoberto e no brilho dos teus olhos busco respostas, justificativas e o que vale é jogo aberto.

⁠Mãe
Desde do dia em que se foi minha vida não é mais a mesma, tudo perdeu o sentindo, eu não sei como seguir, eu tô só vivendo, levando a vida como Deus quer.
Eu tô sozinha, sempre me sentia só, mas hj eu realmente tô sozinha.
Ninguém pergunta por mim, ninguém liga pra saber como eu tô, se estou bem o elo acabou.
Meu único motivo de está aqui ainda nesse mundo é a Laura é por ela que eu ainda insisto em viver.
Talvez só ela que me ame e por ela continuo aqui.

Saio sem mapa...
Sem promessa no bolso...
A noite aberta...
Um talvez no olhar...
Não espero milagres...
Só deixo o vento decidir onde vai dar...

Levo expectativas leves, quase nada...
Pra não pesar o passo...
Nem o coração...
Se vier riso, ótimo.
Se vier estrada, que seja canção...

Talvez um encontro...
Talvez o vento...
Um bar qualquer...
Conversa sem fim...
Ou talvez apenas um simples momento...

Vou assim: “vamos ver o que acontece”,
Sem cobrar do mundo...
Sem pedir um sinal...
Porque às vezes é quando a gente não espera...
Que a vida resolve surpreender no final.

Sandro Paschoal Nogueira

Ele não bebe pra esquecer,
bebe pra lembrar do desejo,
cada gole é um lampejo
do que insiste em acontecer.

O olhar promete e não fere,
Deixa rastro no chão.
A noite sussurra pecados antigos
e ele brinda aos inimigos

Não pede amor, nem perdão,
oferece presença inteira
Boêmio não por costume...
Há corpos que são origem
do incêndio que ninguém assume.

E no fundo do copo escuro
não mora o fim, nem a fuga —
mora um homem que seduz
sem pressa, sem culpa

Na luz fria da calçada,
um olhar firme, sem pressa,
o tempo passa — não pesa...
Há silêncio que revela
mais verdade do que a brisa.

Entre flores da camisa
e o brilho discreto do anel,
O copo erguido não é fuga,
é brinde à própria história...

No rosto, a noite repousa,
não como sombra ou cansaço,
mas como quem fez do passo
um verso que não se ousa.

Quem olha vê só a imagem,
quem sente entende o sinal:
há homens que viram poema
sem pedir permissão ao final.

Sandro Paschoal Nogueira

"Hoje sou um intervalo.
Não estou triste o bastante para gritar,
nem inteiro o suficiente para seguir.
Sinto demais, penso demais,
e vivo nesse cansaço elegante
de quem acreditou com seriedade.
Não peço explicações ao mundo.
Apenas descanso do que sou,
até voltar a caber em mim."


Isaías Freitas
09 Jan. 2026

Eu passei toda a minha vida com medo.
Medo do que podia acontecer... e podia ou não acontecer.
Eu passei 50 anos assim.
Ficava acordado até três horas da manhã.
Mas quer saber?
Desde o meu diagnóstico, eu consigo dormir bem.
Eu percebi que esse medo era o pior de tudo.
O medo é o inimigo real.
Então levanta.
Vá pro mundo real.
E bata naquele desgraçado o mais forte que puder, bem nos dentes dele.

(Walter White)

Ela não mudou nada, e eu? Eu voltei.
Mas tal como um espelho estilhaçado, continua sendo um espelho, mas não o mesmo que já foi, e nunca vai voltar a ser.
E isso me frusta de uma forma imensurável. Eu odeio o jeito no qual eu me tornei depois dela.

Existe alguém que sempre foi cobrado por não se abrir. Dizem que é fechado, frio, distante. Mas quando resolve deixar escapar um pouco do que carrega por dentro, o resultado não é acolhimento — é confusão. Palavras atravessadas, julgamentos rápidos, olhares que pesam mais do que deveriam. Aprende, da forma mais dura, que o silêncio incomoda… mas a verdade incomoda ainda mais.
Também fica claro que não é permitido ser quem se é. Não pode gostar do que gosta, nem escolher o que escolhe, nem sentir do jeito que sente. Tudo vira motivo para comentários, apontamentos, distorções. Cada passo fora do esperado parece um erro, cada tentativa de liberdade soa como afronta. Com o tempo, a vontade de explicar vai se perdendo, porque explicar nunca foi suficiente.
Hoje, resta um conceito simples, quase vazio, mas pesado: estar na terra para servir. Não para ser entendido, nem celebrado, nem feliz — apenas para cumprir expectativas, não atrapalhar, não causar ruído. Serve em silêncio, porque o silêncio cansa menos do que lutar contra interpretações que já nascem prontas.
Viver, agora, não faz questão. Não carrega planos nem promessas. É apenas existir no modo automático, respirar enquanto ainda houver fôlego, acordar porque o corpo acorda, seguir porque o tempo segue. Não há desespero explícito, apenas um cansaço constante, desses que não gritam, mas também não passam.
E assim continua: respirando. Não porque a vida seja leve, mas porque ainda não acabou. Não porque exista esperança clara, mas porque o ar insiste em entrar e sair do peito. Está ali — não inteiro, não pleno — apenas presente, enquanto houver fôlego.

⁠O Que Não Te Contaram
William Contraponto

O que não te contaram
É exatamente o que explica tudo,
O que não te contaram
É exatamente o que os complica muito.

No silêncio e no bréu da noite
Existem verdades que estão ocultas,
Sigilosas questões do ontem
Que respondem a maioria das perguntas.

O interesse é esconder a realidade
Por medo do que ela apresenta,
Eles pintam uma tela de integridade
Que diante dos fatos não se sustenta.

O que não te contaram
É exatamente o que explica tudo,
O que não te contaram
É exatamente o que os complica muito.

No agito e na plena luz do dia
Existem verdades que passam despercebidas,
Mas cuja influência grande seria
E mudaria erradas percepções estabelecidas.

O interesse é esconder a realidade
Por medo do que tanto representa,
Ela exporia a teia de falsidade
Que os traz conforto e sustenta.

O que não te contaram
É exatamente o que explica tudo,
O que não te contaram
É exatamente o que os complica muito.

Cativeiro Disfarçado


Não foi no grito que me perdeste,
foi no sussurro que me calou.
Não foi na ausência que me mataste,
foi na presença que me estreitou.


Ergueste paredes com minhas palavras,
e nelas pregaste o retrato do “nós”.
Mas no reflexo, vi que eu era
sombra apagada da minha própria voz.


Chamaste cela de cuidado,
corrente de abraço,
vigília de amor.


E eu, que confundia toque com abrigo,
quase aprendi a chamar prisão de lar.


Até que a porta se abriu,
e percebi que liberdade
era o único nome
que o amor verdadeiro sabia me dar.

Notas Sobre o Que Permanece


por Neno Marques


Há escritores que não precisam de grandes artifícios para mostrar a que vieram. Basta observar o modo como organizam uma ideia, como escolhem um termo em vez de outro, como evitam o excesso para chegar ao essencial. Esse tipo de escrita não exige decorações; exige atenção.


O que me interessa, nesses casos, não é o tema em si, mas a postura de quem escreve. Há autores que tratam a palavra como instrumento de trabalho, não como ornamento. Preferem a clareza ao espetáculo. Trabalham com precisão, mesmo quando o assunto é difícil ou desconfortável.


Também noto que alguns textos ganham força não pelo que afirmam, mas pelo que recusam. Recusar fórmulas prontas, recusar expectativas externas, recusar aquilo que transformaria a obra em produto fácil. Essa recusa, quando coerente, se torna parte da identidade do autor.


Outro ponto importante é o compromisso com a própria voz. Não me refiro a originalidade forçada, mas a algo simples: escrever sem pedir permissão. Quem mantém esse compromisso costuma produzir obras mais consistentes, mesmo que passem despercebidas num primeiro momento.


Por fim, acredito que a relevância de um texto não depende de alcance, e sim de honestidade. Quando o autor sabe o que está fazendo — e por que está fazendo — o leitor percebe. Não precisa concordar, mas reconhece que ali há uma intenção sólida, não um improviso disfarçado.


É isso que, para mim, permanece.

Não se decora a casa com futuro
Nem se pendura o ontem na parede
O abrigo surge do olhar maduro
Que aceita o limite e não excede


William Contraponto

Não deixe que te manipulem
Com dogmas e rituais
Não deixe que te excluam
Pelas suas características essências.


William Contraponto

A verdade não pede altar,
segue exposta, sem proteção;
fere mais quando é direta
do que quando vira ficção.


William Contraponto

Quando o algoz se declara vítima, não busca perdão, mas licença moral para continuar ferindo sem culpa.


William Contraponto

A inveja não deseja possuir o que falta; deseja que o outro não tenha. É a miséria que se reconhece no espelho e chama isso de justiça.


William Contraponto