Poema Nao Ame sem Amar

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Não consigo me acostumar a ti, meu companheiro de caminhada que levo em meu pulso. Tua verdade é brutal. Cospes os segundos como balas de uma metralhadora. E teu arsenal é suficiente para te servir, leviano Nada.
Teus números são os números de mortos. Teu pulsar é frio como a foice.

Se saio de casa bem vestido, não vejo nenhum conhecido, mas quando estou que nem um mendigo, encontro metade dos meus amigos.

Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar. Mas, quando estiver comigo, seja todo você. Por favor, não me apareça pela metade.

Brena Braz

Nota: Trecho de um texto de Brena Braz.

Tudo o que te peço (a única coisa que te posso pedir ainda) é não saltar uma só destas linhas tão difíceis de serem escritas. Se é árduo viver, o é muito mais explicarmos a nossa própria vida

E que você sinta vontade de precisar de mim. Mas não só quando houver necessidade, que você sinta isso mesmo tendo passado um dia inteiro comigo, que não veja e nem sinta as horas passando quando estiver ao meu lado, e que nunca seja o suficiente o tempo que passarmos juntos, que você sempre sinta vontade de mais, mais e mais.

Não sei mais o que dizer para te agradecer, por isso toda vez que eu quiser te mostrar o quanto eu te adoro e o quanto te sou grato por tudo, eu sairei por aí a saltar e a virar cambalhotas! E, por favor, não me interne!

A vida não vale a pena se não for vivida no presente. Passado já era e o futuro ninguém sabe, mas o presente é você quem faz. Então não fique se preocupando com o que falam de você, com a sua aparência, com coisas insignificantes. Se preocupe com quem realmente te ama. E verá como tudo ficará mais feliz.

Não é porque uma mulher está sorrindo que ela está te dando mole! Aprende uma coisa: Mulher sorri até pra passar blush. Aprendeu?

É assim o mundo: falam como se conhecessem tudo, e se você ousa perguntar, não sabem nada.

Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre.

Clarice Lispector
Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1998.

Nota: Trecho do conto Perdoando Deus.

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"Não existe GPS que assegure que estamos no caminho certo. Só nos resta prestar atenção."

Se for pra me abandonar, não se aproxime. Eu pareço muito forte por fora, mas sou completamente frágil por dentro. E eu me apego muito rápido a carinhos, palavras e sentimentos.

Não sei se em algum momento cheguei a ver você completamente como Outra Pessoa, ou, o tempo todo, como Uma Possibilidade de Resolver Minha Carência. Estou tentando ser honesto e limpo. Uma Possibilidade que eu precisava devorar ou destruir.

Quando eu ficava sozinha não havia uma queda, havia apenas um grau a menos daquilo que eu era com os outros, e isso sempre foi a minha naturalidade e a minha saúde.

Clarice Lispector
A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Perdoe-me a sinceridade, mas se você vive olhando pra trás, o que termina com torcicolo não é seu pescoço, e sim seu coração!

Todos moramos numa casa em chamas. Não podemos ligar para os bombeiros, não temos saída... Só podemos olhar pela janela do andar superior, enquanto o fogo queima a casa e nós ficamos presos... trancados!

Se eu pudesse mudar o tempo, eu não voltaria no passado para te conhecer antes, ao contrário… Eu faria o tempo correr mais rápido o possível e assim provar para você que o infinito e além ainda pode ser pouco para nós.

A terra possui recursos suficientes para prover às necessidades de todos, mas não à avidez de alguns.

Não consigo deixar de pensar nos tempos em quartos solitários, quando as únicas pessoas que batiam à minha porta eram as senhorias cobrando o aluguel atrasado ou o FBI. Vivia com ratos e camundongos e vinho, meu sangue escorria pelas paredes em um mundo que não conseguia compreender e ainda não compreendo. Em vez de levar a vida que eles levavam, eu passava fome. Fugia para dentro de minha própria mente e me escondia. Fechava todas as cortinas e ficava olhando para o teto. Quando saía, era para ir a um bar onde eu mendigava por bebida, andava a esmo, apanhava nos becos de homens bem alimentados e confiantes, de homens idiotas e com vidas confortáveis. Bem, ganhei algumas lutas, mas só porque era louco. Fiquei anos sem mulher, vivia de manteiga de amendoim e pão amanhecido e batatas cozidas. Eu era o idiota, o estúpido, o louco. Queria escrever, mas a máquina de escrever estava sempre penhorada. Então eu desistia e bebia...

Melhor assim. Não quero mais depender de ninguém. Quero é o "Danúbio Azul". E não "Valsa Triste" de Sibellius, se é que é assim que se escreve o seu nome.

Clarice Lispector
A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1998.

Nota: Trecho do conto Dia após dia.

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