Poema Nao Ame sem Amar
Dependendo o caso e a ocasião é inadiável.
O amor perfeito é invulnerável,
Não pode tornar-se desagradável,
Ou então degradar-se tornando-se degradável.
Lamentavelmente,
Não sei contar histórias,
Nunca aprendi.
A narrativa que me perdoe,
Mas foi na rima que me perdi.
Gritos de Felicidade
(O Clichê não Basta)
Lembro-me do pátio, da sala, da praça;
Recordo-me da biblioteca, do teatro,
Do parque e Dela.
Imagino seus risos, gestos,
Comentários sem sentido,
Imortais em minha lembrança.
Ouço gritos na cozinha e pra lá do muro,
Querem dizer algo,
Não quero entender o que dizem.
Houve um período
Em que gritos me faziam tão bem,
Precisava deles, esperava por eles,
Me preenchiam.
Gritos de felicidade.
Uma das melhores sensações
Das quais podemos provar.
Gritando qualquer coisa,
Para que todos nos ouçam;
Eles, os outros nos ouçam.
Saborear e sorver nossas vidas.
Encher os pulmões de oxigênio,
Desatar qualquer forma de medo,
Com relação a mais sincera expressão,
Num sopro que nos proporciona existência.
Fiquem paralisados,
Endurecidos, emudecidos e chocados,
Sem reação com tal atitude impensada.
Somos muito pouco espontâneos,
Penso que esse seja nosso grande pecado.
É nisto que acredito.
Vivemos acurralados por nós
E isso também não é novidade.
Não se resume ao que fizeram e fazem,
Mas ao que nós fizemos e fazemos;
Muito já foi dito a esse respeito,
Esse comentário é apenas mais um plágio,
De toda cópia produzida e reproduzida do restante.
Mas é assim, precisamos apenas do clichê,
Para continuarmos.
As demais características
Não passam de adereços.
Gritos de felicidade.
Uma das melhores sensações
Das quais podemos provar.
Gritando qualquer coisa,
Para que todos nos ouçam;
Eles, os outros nos ouçam.
Pois o clichê, nem sempre basta ou bastará.
Ela personificava tua significância,
Ela não levava nada em consideração.
Era o desacordo e a concordância,
Ela não levava nada em consideração.
Num molejo natural e singular,
Dominava o ambiente ao se mover;
Pois ela não andava simplesmente, Marulhava ao navegar pelos espaços.
Distinta das Demais
Seu andar
Não se promovia
Em pisadas convencionais,
Constituíam exímios
Passos coreografados.
Dispunha de algumas manias,
Que a diferenciavam salientemente,
Ainda mais das demais.
Bem como a incapacidade de falar baixo;
Assim como dissera antes,
Ela adorava estremecer os ambientes, Com timbres vocais apurados,
Naturalmente superiores,
Quase que como um sétimo sentido;
Pois o sexto, já fora acima referido, Sendo algo próximo
Da autopromoção inconsciente.
Não que fosse um problema para ela,
Pois parecia tratar-se de uma aliada, D
as atitudes que constrangem outros
E jamais a constrangiam;
Parecia ser desprovida de timidez.
Ela simplesmente alimentava,
Em seu grau mais elevado,
O arbítrio alforriado,
Da adocicada libertinagem.
Senhorita, desprovida de timidez,
Uma em milhões, distinta das demais,
Convertia sutileza em nitidez,
Exageradamente, distinta das demais.
Tristemente, não podemos mudar o que as pessoas são de fato, como elas também não mudam o que somos.
A influência existe, mas a transformação é uma experiência pessoal e solitária.
Não obstante, acredito
Ou ao menos tenho um leve espasmo,
Mas talvez nem isso,
De que foi em minha infância
Que tal patologia me aplacou.
Enquanto não soluciono
Os axiomas do indissolúvel,
Continuo a seguir o conselho,
Daquele supremo vermezinho filosófico Que habita minha psique;
Diz ele, em toda tua sabedoria verminal:
“Caro atarefado, não te sobrecarregues,
Pois do ócio vieste e ao ócio retornarás.”
Vinde a mim motivação findável,
Não se encerre garoada de chuviscos,
Seja audacioso quando ácido banhar-te,
Em riscos permanentes seremos menos cruéis.
- Ainda que não me queiras,
Farei tudo o que quiseres !
Contanto que me permita
A condição de verdes;
Um dia eu ouvi meu Pai dizer:
Só morre de verdade quem não viver,
Porque quem vive e faz por merecer,
Jamais verá o eterno anoitecer.
