Poema Desejos de Elias Jose
Nosso universo
Era só o que queria; Dar-te o universo. Sempre soube que não podia dar-te tudo, mas quis dar tudo que tinha. Não era muito, mas era tudo. Não sei se é errado dar tudo que tenho, mas pode ter sido errado ter dado tudo e nada sobrar. Não é errado por que é de coração. E valeu. Valeu, vale e valerá. Sinta-se abraçada pelo universo. O meu, o seu universo.
Você cresceu tanto, Mariana
E os dias continuam sendo dias
Os meses, soma de alguns dias
Eu te amo: cem dias e cem meses
Sábados, domingos, oh!, são anos
E anos e anos de inventar
Um carinho que vá após o tempo
de qualquer nome, filme ou pensamento
que dia a dia é estar sempre te vendo
e não te ver é ver-me não vivendo.
Eu já vi mulher linda. Mais igual a você só tem duas, você por dentro e por fora. Por que essas duas pessoas.
Ama primeiro a se mesma para que ela não se importa com o que os outros pensam.
Então a palavra certa disso é eu me amo mais que tu se ama. Por que se você se amasse não estaria tomando conta da minha vida.
Não há palavras para descrever as inúmeras emoções que a música gera em nós. Ela tem a capacidade de nos levar a uma alta dimensão sem sairmos do espaço físico.
Mais do que "arte", a música é linguagem, é vida. As notas comunicam, despertam em nós sensações inexplicáveis...
A música é terapia, é um REMÉDIO EFICAZ.
Ódio é
.
Ódio é água que molha sem molhar
é cegueira que enxerga mas não se vê
é uma felicidade de um infeliz porquê
é prazer em dor por não poder amar
.
É um querer muito o que não se quer
é ficar só por não ganhar o coração
é negar o bater sentido do querer
é ganhar nada por perder a razão
.
É desejar um desejo indesejado
é servir um prato frio de sal e sódio
é ser odioso por não ter amado
.
Mas como pode causar lugar no pódio
de um fado tão triste e malfadado
se tão semelhante a si é esse ódio?
Valentia de covarde
É fácil mostrar valentia ante os mais fracos. Algumas pessoas gostam de encher os pulmões de ar e dizer "falo o que penso doa a quem doer", mas só dizem isso quando julgam o destinatário como sendo mais fraco de alguma forma. Quando estão frente a alguém que na sua concepção é mais forte, curvam-se à sua própria covardia e passam a agir com hipocrisia.
Creio que o ser humano insignificante que é, não tem conhecimento suficiente para compreender uma grandeza imensurável, incognscivel, complexa,anfigúrica, que comumente a chamamos de "deus". Nenhuma religião, nenhuma crença ou prática ocultista, esotérica, tem condições de descrever deus, nem tampouco afirmar ou negar a Sua existência (agnose).
José Bitencourt
Mostrarão progressos falsos,
as cidades adiantadas,
enquanto houver pés descalços
em suas ruas calçadas !
"Tão longe estás de mim
Que eu penso ser o fim
Do nosso grande amor
Por não ouvir a sua voz
Mil vales, céus e rios
Ficaram no vazio
Pavor do nunca mais
Somente existe entre nós
O Longe me faz mal
Por que lembra final
E o fim me desespera
Neste tempo de esperar
Que volte aos braços meus
Por que depois do adeus
A dúvida ficou
Se vais ou não voltar
Na espera do será
A gente nunca está
Completamente só
Se olhar num ponto muito além
A Lua na amplidão
A iluminar no chão
De nossa solidão
Os passos meus e os seus também
Se a Lua que te vê
Dissesse o que você
Está pensando agora
Nesta ausência tão cruel
Se já me esqueceu
Ou lembras como eu
E ao nosso juramento
Se mantém fiel"
Melanina, para que te quero?
Quero para resistir à opressão.
Quero para resistir à “miscigenação”.
Quero para resistir ao branqueamento.
Para lutar por liberdade.
Para lutar por sobrevivência.
Para lutar por dignidade.
Para lutar com resiliência.
Para lutar por igualdade.
Para lutar por residência.
Apesar de ter limpado palácios,
Lavado roupas sujas, preparado
a melhor comida, amamentado
o senhorzinho...
Apesar de ter construído casarões,
Igrejas, escolas, estradas e pontes
Hospitais, fortes e até seguros porões;
Apesar de ter servido de piso,
Carregado liteiras e limpado latrinas...
Apesar dessas atitudes humilhantes,
ainda hoje a melanina organiza mutirão global
para garantir reconhecimento da humana igualdade
entre os humanos desiguais,
por direito à vida, sem opressão.
Melanina a fazer história.
José Atailson.
Meu professor
Professor, que sonhos você teve que não realizou ?
Ensinou-me a ler, pensar e escrever... Professor, esse sonho foi seu?
Mas quem bem realizou o sonho, fui eu.
Tratou-me com carinho, respeito e atenção... Professor, esse comportamento foi seu?
Mas quem melhor se comportou, fui eu.
Dedicou tempo aos livros e aos papeis... Professor, esse momento foi seu?
Mas quem se lucrou do tempo de seu filho, fui eu.
Passou dias e noites trabalhando aulas... Professor, você aprendeu?
Mas quem usufruiu desses saberes , fui eu.
Consumiu horas a fio corrigindo o erro... Professor, a sua vista escureceu?
Mas quem se apropriou do certo, fui eu.
Desgastou-se na escola sem se dá conta... Professor, você adoeceu?
Mas quem mais cuidou da saúde, fui eu.
Envelheceu se doando, se doando... Professor, o corpo doeu?
Mas quem cresceu todo saudável, fui eu.
Em fim, o mestre se aposentou... Professor, com que salário?
-- ... --
Tanto que Bíblia ensinou...
“ Deus Trabalhou seis dias; depois, descansou!”
Descansou para sempre!
E você, meu professor, não entendeu?
(Feliz mês de outubro, meus companheiros!
Feliz mês, minhas companheiras!)
Aprendi a dizer não
A lidar com a indiferença
A superar o desprezo
A ver a morte sem desespero.
A gostar de quem gosta de mim
A seguir o meu coração
A tratar todos do mesmo jeito que me tratam.
A confiar mais em mim e em Deus
A ser um homem de fé e não de religião
E a entender que tudo nessa vida passa, inclusive a própria vida.
O ser humano é uma consciência pura, que vai guardando uma bolsa inconsciente de informação emocional, contextual e legislativa.
Ao absorver o contexto vai sentindo o que é prejudicial e vai ganhando medos.
Os maiores medos do contexto são perder dinheiro e influência positiva. Pois existe a vontade de dominar o contexto e torna-lo favorável para si mesmo.
Portanto os setores de poder, acabam por se favorecer e ao seu grupo, absorvendo influência e poder. Deixando escassear esses meios para os restantes.
Ideias novas podem abalar esses contextos de poder. Os seus autores tem medo de perder, tal como todos os restantes. Sendo assim tentam erradicar ideias ou conceitos que possam abalar o seu contexto. Sendo que a prioridade é dinheiro, o significado da humanidade perde-se.
Ideias de ajuda ao próximo não servem porque significa ficar com menos do que aquilo que se pode ganhar.
Este ciclo vicioso corrói e mata o planeta e as maiorias menores.
Quem entra no contexto rico, entra de forma submissa e aprende-o. Fazendo depois com que este se repita de igual modo, independentemente do seu ator, por milhares de anos.
Como bola de neve, milhões ficam de fora e a classe alta distancia-se cada vez mais.
JT
O DIA EM QUE A POESIA ME DEU VIDA
Nasci de forma lenta e inesperada,
A cada dia da minha vida inexistente.
A cada letra, palavra, verso lido da
Esplendorosa Poesia,
Eu me criava um pouco mais.
Todas aquelas palavras
Quebravam as barreiras
Do meu limitado intelecto
E fraca resistência emocional.
A Poesia brigava com qualquer limite
Que o mundo queria impor sobre ela,
Passava por cima da própria língua
E mostrava com simplicidade,
Quem mandava nas palavras.
Nesse mundo de resistência poética,
Me sentia novo a cada vez que acordava,
Nascia!
Sentia um agradável ardor na pele,
Como se um sol me desse vida.
Sentia meu sangue correr
Cheio de vitalidade pelas artérias,
E meu coração começou a bater descompassado,
Sempre ansioso pela vida.
Nascia!
E depois de nascer eu descobri,
Que esse nascimento não foi por acaso,
Foi a poesia que mostrou que a vida
É esmeralda,
Que sai de forma bruta do chão
E é necessário lapidar.
Descobri que a poesia é uma flor,
Que nasce entre as pedras e ferro
Da cidade.
Rebelde, corajosa, cheia de vida.
Depois de nascer...
Vivi pela Poesia.
RUA DO SOL
Recife,
Há quanto tempo não sai do meu pensamento.
Me consome da alma ao coração,
Transborda lágrimas em meus olhos
E deixa minha vida sem cor.
Recife,
Eu que conheci tuas histórias,
Tuas bravas conquistas,
Tuas batalhas incessáveis,
Hoje virei teu prisioneiro.
Eu que conheci tuas belezas,
Do castelo ao teu Marco Zero,
Do rio ao mar,
Hoje só vejo solidão.
Recife,
Tuas pontes só ligam meus desesperos,
Teus museus só contam a minha própria história,
Teus monumentos são retratos de dias que já se foram.
Nas ruas antigas e boemias eu vivo,
Me afundo às vezes no Capibaribe, às vezes nas tuas águas salgadas,
Mas não consigo me encontrar.
Na Rua do Sol,
de eternos escuros,
foi o último beijo,
último olhar.
Foi lá que parti de olhos marejados
e hoje vivo na Rua da Saudade.
(não a Rua do Recife, mas a Rua da Saudade que habita em mim).
Recife,
Há quanto tempo não sai do meu pensamento.
Na minha caminhada
levo o peso do amor falso,
das metas não alcançadas,
da ressaca não curada.
À noite, na boemia,
não tenho sono
e ando de mãos dadas com a lua,
empurrando as estrelas para o noroeste,
nos meus sonhos de bêbado acordado.
Quem nunca perdeu um amor
não sabe o que é carregar
uma pessoa do lado de dentro do peito.
Não sabe o que é se acostumar viver de encantos
e aprender a esquecer dos mesmos.
Não sabe a dor de rasgar as cartas,
limpar o perfume,
se distanciar do beijo.
Não sabe o que é um sábado a noite
no farrapo bar de esquina
e a dúvida na mente
se nas próximas horas virá
a morte, um milênio ou simplesmente um domingo.
Nas noites
em que tenho medo do escuro
meu coração vira porta e se escancara
pra você voltar e trazer consigo a solidão.
Os cigarros espalhados pelo quarto,
o whisky quente na escrivaninha
e as mãos doloridas de fazer poesia
é o retrato de um homem que
é visitado pela dor.
