Poema Desejos de Elias Jose
Para escrever uma história não basta só raciocinar, pois enquanto o raciocínio, nos leva do ponto A ao ponto B, a imaginação, leva-nos onde quisermos, faz-nos voar sem ter asas, sem sairmos do nosso lugar mesmo que cerremos os olhos e deixemos funcionar a imaginação.
Os livros que eu escrevo é o meu passatempo preferido, além da pintura, para não sentir o tempo passar, pois não há nada pior que, esperar que o tempo passe, pensando apenas na única certeza que temos e de que não vale a pena pensar porque essa certeza não falha.
Quando vemos um filme ou lemos um livro totalmente de ficção, vivemos momentaneamente um ilusão que nos parece realidade e quando acabam, ficamos sensibilizados através dos nossos sentimentos, ou não, conforme a história nos interesse ou não. Esta vivência é um espaço de tempo em que vivemos no faz de conta, dentro de uma ilusão e é bom sentirmos os pés no chão, quando entramos na realidade.
Levar a vida a sério, segundo o meu pensamento, não deve acontecer, pois precisamos das ilusões ou dos sonhos para vivermos com mais esperança e mais alegria. Viver um sonho como a nossa imaginação quiser, quer pensando, quer vendo um filme ou lendo um livro, eles fazem-nos esquecer por momentos a realidade que às vezes é tão dura e nos faz tão mal e, ao mesmo tempo, faz-nos criar coragem para nunca desistir. Para viver a realidade temos todo o tempo do mundo que, pode acabar num instante e, por isso, devemos viver a vida o melhor que pudermos e soubermos. Portanto, não levemos a vida a sério.
Então, porquê mãe natureza esta divergência de vidas? A natureza respondeu - me que depois do nascer, pela força do poder, da inteligência e do dinheiro é que se fazem as diferenças; a mãe natureza apenas nos põe no mundo para que cada um de nós, seres humanos, representemos o que sabemos, pelas lições que aprendemos e os que não sabem representar, ficarão sempre pelo caminho, fazendo as diferenças da vida e, por isso, ficamos com a consolação que, apenas ao nascer e ao morrer somos todos iguais.
Se quisermos que o navio da nossa vida chegue ao seu destino, não nos esqueçamos de traçar primeiro o seu rumo, para que não andemos à deriva e corrermos o perigo de naufragar. Quem se esforça honestamente consegue sempre que o seu navio da vida ultrapasse todas as tempestades e, só assim, é que temos o prazer de viver e conseguir com muita luta alcançar e gozar o que se pretende com glória.
A vida humana é o maior tesouro do mundo, o maior milagre da natureza, e por ela devemos lutar sempre, porque não existe mais nenhuma; a natureza apenas dá uma vida a cada um de nós e, por isso, devemos apaixonar – nos por ela, fazer tudo para a salvar e mantê – la sempre no seu rumo certo.
Há momentos na vida que podemos sentirmo –nos perdidos no meio duma tempestade, ou até sentir que o mundo desabou sobre nós e nestas alturas é que se vê quem tem fé, esperança e uma grande determinação, para salvar a nossa amada, a nossa vida. Vale sempre a pena lutar, lutar por ela e dar – lhe sempre o melhor mas, para isso, é preciso muita luta mas, não esqueçamos que é com muita luta que no fim dá gosto de obter as grandes vitórias e a vida sorri de alegria, por chegar ao bom porto, o porto da grande vitória.
As ondas do mar dão lições de vida aos homens que apenas se preocupam com as ondas da guerra, do poder e do dinheiro, que os afogam no sangue que é seu mas, não aprendem as lições de vida dadas pelas ondas do mar que correm para a praia eternamente, para em seguida construírem a paz e a esperança que dão vida à sua vida, mas não aprendem as suas lições.
As ondas não desistem e continuam eternamente a erguer - se para o céu de alvas mãos de espuma que abraçam as nuvens brancas ou pretas que, ecoam as suas preces para as almas do amor, levando mensagens azuis que se confundem com o céu do mundo que as ignoram e os homens continuam a fazer guerra pelo poder e pelo dinheiro.
Perante a grandeza do Universo não somos nada mas, o homem julga – se o centro dele e que tudo pode gravitar à sua volta, quando na realidade, ele é como um grão de areia que deambula no Planeta que espreita através da sua ciência e tecnologia que não pára de avançar mas, pensa que vê mas não vê nada, embora tenha olhos para ver; a grandeza do Universo esconde enigmas que todos os olhos de todos os homens juntos nunca conseguirão descobrir.
Um dia gostaria de pintar o mundo como ainda o vejo nos meus sonhos e se isto acontecesse, tenho a certeza que seria o quadro mais belo que ele poderia possuir mas, sei que nem todos gostariam de o ver; a minha consciência vai – me ditando o que penso do mundo e o que quereria que ele fosse. Como o pensar, ainda não nos podem negar, nem descobrir os pensamentos, só me resta mesmo pensar e julgar o mundo onde vivo mas, ao mesmo tempo, sinto – me inútil, por não poder fazer nada, a não ser pensar só para mim sobre o mundo onde pertenço.
TENHO A IDADE QUE TENHO e até chegar aqui, passei por várias fases da vida que me deram uma visão e uma experiência de vida vivida desde o abismo até ao paraíso; com este estudo de vida vivida, posso dizer que ganhei um poder do conhecimento de como é a vida e o funcionamento da nossa sociedade: Arrisco - me a dizer que tenho uma licenciatura diferente de todas as outras, porque esta licenciatura de vida vivida, fui obrigado a tirá - la para poder sobreviver e singrar através dela; as outras licenciaturas são para ganhar o poder do dinheiro e outro estilo de sobrevivência de combate à ignorância, só que nestes estudos não se ensina tudo e além disso, é apenas de teoria que fala; a minha licenciatura, perante a sociedade de hoje não tem qualquer valor, pertenço à classe dos ignorantes, no entanto, ela foi tirada e continuo a aperfeiçoá - la, com o poder do conhecimento da vida, resultante da experiência no terreno, onde me sirvo de todas as armas menos as de matar e das desonestidades, apenas as armas do conhecimento prático como observador.
Os rios correm sempre para o mar e não há nada que os impeça de prosseguir o seu caminho; o homem poderá desviar - lhe o percurso mas, com certeza que nunca os impedirá de correr para o mar; no seu percurso encontram sempre muitos obstáculos mas, nada os impede de fazer a sua corrida impediosa em direcção ao seu destino.
Num amigo podemos ter um inimigo feroz e num inimigo, o maior e o mais fiel dos amigos; tudo depende da maneira habilidosa e psicológica com que cada um age; se ao nosso amigo damos tudo e um dia falhamos nem que seja um por cento do que lhe costumamos fazer, temos aqui um inimigo figadal para o resto da vida; se ao nosso inimigo, num acto de boa vontade, lhe reconhecemos o seu valor e lhe damos a oportunidade que ele anseia, temos aqui o maior amigo para o resto da nossa vida.
O tempo nada mais é do que a distância entre as nossas lembranças que passaram pelo futuro, pelo presente e estão no passado e de vez em quando vamos recordando o que fizemos, o que perdemos, o que ganhamos e o que sonhamos e nunca foi feito. As recordações parecem muito mais quando já somos velhos, porque na fase da juventude não pensávamos no tempo, até parecia que nunca mais passava, queríamos crescer rapidamente para passarmos à fase de adultos, mas raramente pensávamos que o tempo vai passando sempre por nós e quando a fase da velhice começava a aparecer é que começávamos a pensar que o tempo passava rápido demais. A juventude é o tempo da ilusão, da força da vida, do brilho nos olhos, da aparência que o espelho nos mostrava fazendo caretas para ele e depois é ele que nos faz caretas.
Por isso mesmo não vale a pena pensar no tempo porque ele nunca pára e todos corremos atrás dele sem nunca o agarrarmos, mas ele é que nos agarra e nos deita fora.
Todos os seres humanos, desde o mais rude selvagem ao sábio mais culto têm idêntica natureza espiritual, são essencialmente iguais e possuem as mesmas potências e faculdades e os mesmos meios ou instrumentos de manifestação e expressão. A desigualdade entre os seres humanos não é de essência, mas de grau de evolução. No sábio as potências mentais, no santo, as morais e no atleta as físicas, desenvolvem-se com bastante vigor para ultrapassar em alto grau a média comum da humanidade, ao passo que no ignorante, no malvado e no fraco estão latentes e à espera de desenvolvimento, como a semente que, no embrião, contém todas as partes da futura planta.
Como ninguém se preocupa com as nossa preferências, somos forçados a aceitar a lei, por muito que ela nos pese.
A velhice não é um lamento, é uma força de viver enquanto podemos estar em pé, andar pelo nosso caminho, sem pensar no passado, porque ela já não volta, mas sim no futuro que ainda nos pode trazer algo de novo.
Podemos ser velhos demais para censurar os mais novos, mas suficientemente jovens para agir. Quando se é velho, é preciso ser mais ativo do que quando jovem. Não se pretende enganar o tempo, porque o tempo nunca se engana, é preciso sim saber amar tanto como saber envelhecer.
Saber envelhecer é uma grande sabedoria, é nunca ficar parado a pensar que o seu futuro está no fim. Ser velho não é triste, triste é não chegar a envelhecer. A velhice até pode ser um simples preconceito aritmético, e todos nós seríamos mais jovens se não tivéssemos o péssimo hábito de contar os anos que vivemos.
Podemos envelhecer com saúde e no fim só cair de pé como as árvores. Esta é a melhor vivência que pode acontecer a um velho. A doença que o leva à cama faz sofrer mais a família do que a ele próprio.
