Poema de um Homem Apaixonado
O homem foi criado por Deus para sofrer. Quem pensa diferente disto está errando várias vezes todos os dias.
Todo homem está predestinado a morrer. Portanto, o livre-arbítrio concedido por Deus é uma falácia da Bíblia.
Um patife não ri da mesma maneira que um homem honesto, um hipócrita não chora as mesmas lágrimas que um homem de boa-fé. Toda falsidade é uma máscara, e por mais bem-feita tal máscara, sempre conseguimos, com um pouco de atenção, diferenciá-la do semblante verdadeiro.
Assim como o homem não é o mesmo ao entrar no rio pela segunda vez, o escritor também muda junto de seus pensamentos. Ao reler opiniões de anos passados, percebo a transformação em minha visão, a evolução da minha percepção. Como as águas do rio, meu crescimento é contínuo, nunca se detém.
O homem se molda à sua realidade. Reclama de uma refeição repetida quem nunca sentiu o estômago vazio por dias. Reclama de seu amor quem nunca dormiu sozinho em um colchão duro, sem abrigo nem abraço. Reclama de acordar para o trabalho quem nunca sentiu o peso da porta fechada do desemprego e o olhar de desprezo da sociedade. Reclama da vida quem nunca enfrentou a violência, a injustiça, a miséria, a fome que corrói ossos e esperança. Reclama de existir quem nunca precisou lutar para sobreviver, quem nunca foi invisível aos olhos de um mundo cruel.
O homem que se isola por medo do erro renuncia à sua natureza e torna-se um eco em seu próprio deserto.
A criança que fui e o homem que sou trocam bilhetes na madrugada. Um pede coragem, como quem pede socorro. O outro devolve silêncio, rabiscos, mapas inúteis de resignação. Às vezes, contra a própria vontade, sobem no mesmo trem. Não sabem por quê. Descendem em estações sem nome, onde a surpresa não consola, apenas prova, cruelmente, que ainda se está vivo.
O homem se perde com mais facilidade quando tenta ser espelho para os outros e se esquece de ser casa para si.
Às vezes olho para trás e não sinto saudade de quem eu era. Sinto pena. Pena daquele homem que acreditava que a dor tinha um propósito, sem saber que algumas feridas simplesmente acontecem, permanecem e envelhecem conosco.
A diferença entre o homem comum e o pastor não está na ausência de dor, mas na fidelidade ao chamado apesar dela.
O homem que nunca questiona o que acredita vive preso às ideias dos outros; o homem que questiona tudo aprende que a verdadeira sabedoria não está em ter todas as respostas, mas em continuar procurando as perguntas certas.
O homem acredita que escolhe seus caminhos, até descobrir que passou a vida inteira obedecendo aos medos que jurava combater.
Homem que não serviu para ser seu namorado porque não foi seu amigo, jamais servirá para ser seu amigo depois de deixar de ser namorado, ainda que finja sê-lo.
O homem passa metade da vida construindo máscaras e a outra metade tentando descobrir quem ficou escondido atrás delas.
De que adianta o homem conquistar o mundo inteiro e perder a única coisa que lhe é eterna? Não há sentido.
O homem comum treme diante do caos e busca abrigo na hesitação; eu domino a tempestade e imponho a ordem. A virtude não está em evitar o perigo, mas em subjugar a circunstância com audácia e autoridade direta. Onde a multidão vacila de medo, o forte governa com atitude — pois a história não perdoa os que recuam.
