Poema de um Homem Apaixonado
O tempo se tivesse vida seria um tipo de homem carrancudo, intolerante, mas muito justo. Ele não volta atrás, não perdoa facilmente e observa cada pequena mudança, creio que seria imortal e uma pessoa que tem muitas histórias para contar, difundido sua sabedoria diariamente. Olho no espelho vendo atento às minhas mudanças, rugas saltando da pele, o cabelo diminuindo aos poucos, minha cabeça mais centrada em não ter pressa, na mesma forma que não deseja perder tempo. Sim, este senhor é implacável, e se não ficar atento lhe tomará as oportunidades que lhe são concedidas, entretanto, o senhor tempo voa, mas o bom dele é que ele sempre nós deixa ser o piloto.
A veracidade da expressão: "não há um homem verdadeiramente sábio no mundo", reside no fato de que todos os homens comentem enganos, e está diretamente ligada à imperfeição humana. Uma vez que, caso realmente houvesse alguém sábio, invariavelmente agiria sempre bem, não cometeria erros, em qualquer campo da vida, onde fossem registradas as suas ações.
“Ninguém nasce com missão predefinida, o homem, aos poucos vai se arranjando em meio ao caos, e suas descobertas lhe possibilita o ser. Mas o que define verdadeiramente o que somos, são as nossas ações, portanto o conjunto da obra revela, de forma incontestável o caráter e a índole de seu autor.”
O homem não é solidário com o homem, com o seu semelhante, gene da sua gene, todos com o mesmo fim caótico irreversível. A violência, seja ela física ou verbal, tira a dignidade do ofendido e a humanidade do ofensor.
O homem cria a partir de alguma essência material, mesmo sendo parte desta mesma natureza involuntária. Uma criação artística e poética brota das emoções sensitivas, sobretudo da memoria afetiva, que produz nossa inteligência emocional. Contudo, como seres imperfeitos, nossa obra nunca se conclui.
Erra, portanto, Fernando Pessoas, quando diz que só há conclusão na morte, este pensamento é de fato materialista, não condiz com a evolução espiritual poética da humanidade. Desta forma percebe-se que estão sempre a criar a partir da criação de outrem, logo concluímos, talvez erroneamente que não temos direito à autoria daquilo que imaginamos dar a luz
Um problema indissolúvel, é o fato do homem, por ser mortal, nunca poderá constatar a inverossímil tese eclesiástica da metafísica.
A sobrevivência do homem e do planeta depende: se seremos ou não capazes de desenvolver a tolerância. Este pensamento é comum entre grandes espíritos humanistas. Cito dois pelo menos, Russell e Saramago.
O homem primeiro existe para depois se definir, ( Princípio Sartriano para existência ), eis a causa essencial da razão, para nos distinguir dos demais seres e coisas.
Então o que seremos, um espírito em movimento constante, com ideias abertas para a totalidade, ou viveremos toda uma existência apenas subindo e descendo a montanha com a mesma pedra de Sísifo na cabeça ou na mente?
A paixão pelo belo faz o homem confundir tempo e espaço, sentimentos e desejos, faz agir como tolo e ter coragem quando devia ter medo. A beleza cega e atrai suas vítimas como moscas para um suicídio na doçura!
"A leitura é a forma mais correta e ideal do homem se aproximar do impossível..." "Escrever é o ato concreto de se criar o impossível."
