Poema de pensamento
O amor
Se o amor dos olhos teus
Não te encante
Não te preocupes
São só instantes
Num mundo vasto
Ainda a conquistar
Solidão
Se tudo que te dissestes
De nada valerá
Caberá ao meu coração
A solidão de um esilio
Como o trem que passa no trilho
Caberá a mim a vagar
A sociedade
A sociedade exerce um poder
Como um lobo faminto
Tão rígido ao ponto de estraçalhar
Tão severo ao punir
Corpos ocos
Mentes sombrias
Infância dolorosa e fria
De quem só queria sonhar
Vento que venta
Vento que venta lá, venta cá
Dois pesos
Duas medidas
Duas almas aflitas num jogo de azar
Predestinado
Cabeça a mil
Coração angustiado
Mais uma injustiça
Um destino marcado
Será que Deus escolhe seus afilhados?
A depressão
A depressão é como um fio desencapado
Transbordando energia de um sentimento Afogado
É como uma onda que tenta te derrubar
Você sente como se tapassem a sua boca pra Ninguém te ouvir gritar
E você luta incansavelmente até se esgotar
O preconceito enraizado
O preconceito que não distingue
O morador do traficante
E o motoboy do assaltante
É o mesmo que faz vítimas a todo instante
dia qualquer
Fecha as cortinas
Pra tapar os erros
Não tão tímidos
dia de sol
Cerra a cortina
Pra impedir que o sol
Desbote o que ficou
HUMILHAÇÃO
Meu salário vale
cada vez menos,
apesar dos pequenos aumentos.
Mas como...?
…ou me divirto?
(Guilherme Mossini Mendel)
PASSAGEM II
O tempo nos passa.
Às vezes, até nos queima.
Às vezes, até nos estraga.
Quase sempre, nos endurece.
Recheamos o tempo
e ele nos enche.
Dominamos o tempo
e ele nos foge.
Observamos
a sua passagem
e, com ele,
vamos embora.
(Guilherme Mossini Mendel)
SOBRE VIVER
O trabalho traz dignidade ao homem.
A gente trabalha para sobreviver.
APENAS sobreviver!
A vida fica pra depois.
Depois, vem
o cansaço,
as dores,
as dívidas
e as dúvidas.
E a vida fica pra próxima...
(Guilherme Mossini Mendel)
PASSAGEM
maldito relógio,
maldito calendário...
o homem organiza
o tempo
e calcula
a sua penitência.
***
passatempo, passatempo...
eu passarei, tu passarás
(às vezes, cedo demais).
(Guilherme Mossini Mendel)
VERBO(A)
Qual é a diferença
entre o verbo e a verba?
Nenhuma.
Pois só quem tem verba
pode usar o verbo.
***
Conjuga-se o verbo,
almejando a verba.
E o verbo,
que no princípio era “amar”,
torna-se a mais letal arma.
(Guilherme Mossini Mendel)
TRÂNSITO
As pessoas desnudam
Sua real personalidade
No trânsito.
É por isso que ele flui mal
E há tantos esbarrões.
Dois egos não ocupam
O mesmo lugar no asfalto.
(Guilherme Mossini Mendel)
O SOL ESTÁ LÁ
O sol está lá,
Ele sempre está lá,
Mesmo que anoiteça,
Chova ou tudo nuble –
Como se fosse Deus...
(Guilherme Mossini Mendel)
LÚDICO
A cobra cobra
Pelo fim da picada
O cobre cobre
Seu símbolo despudorado
A loucura cura
Toda angústia sem volta
O vencedor vence
Toda dor de tentar
(Guilherme Mossini Mendel)
LIGAÇÃO
o meu descaso com os outros
é excesso de caso com você
com você eu caso
e não descaso mais
(Guilherme Mossini Mendel)
NÃO SE DESFAÇA DE SI MESMO!
A vida é dura
Até quando ela durar.
O fim nos espera,
Mas não espere para vê-lo!
Se a solidão o acompanha
Você não está tão só.
Se sua alegria se desfez...
Não se desfaça de si mesmo!
(Guilherme Mossini Mendel)
FLORICULTURA
A bromélia morreu.
E, junto com ela,
A minha paixão por Margarida.
Joguei a rosa fora,
Mas fiquei com os espinhos.
(Guilherme Mossini Mendel)
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