Poema de Pablo Neruda Crepusculario
Saltitando,
coração aos pulos,
crianças sem preocupação
recolhendo da vida o melhor,
assim deveríamos sempre ser
em alguma parte da alma
e ali brincar livres, leves e soltos,
sem nenhum dever,
observando tudo ao redor,
para depois, novamente,
pouco a pouco...
crescer !
Em noites de lua cheia
faço de mim pedaços de luar,
esparramando-os por todas as trilhas
para enfeitar caminhos de sua alma,
nada e nem ninguém impedirá
que eu trace sonhos em arabescos de luz,
tudo loucamente desenhado,
como se lua fôsse na amplidão,
na insana espera de que por ali
você caminhe seus passos,
vindo em minha direção...
Temos os dias e as noites
horas e mais horas que lentas
nem percebemos, aos poucos se vão,
sem pena, envelhecendo a vida
Temos os risos e choros
em tremulos lábios,
orações sussurradas
com medo do outro lado
Temos promessas e ilusões
pensamentos entorpecidos
onde muitoslutam e morrem
dentro de si mesmos...
Murmuro canções em dueto
junto à brisa que passa rasante
imaginando ouvir a tua voz
chamando por mim todo instante.
No vai e vem da maré,
qual grão de areia, arrastado,
vai meu coração sem rumo,
por amor, aos poucos, despedaçado !
Há pessoas, de fato, especiais !
humanas, amigas e amadas,
não as esqueceremos jamais
enquanto a vida nos for dada !
Há tantas ondas no mar,
quanto estrelas no firmamento,
como as brisas a vagarem
como vagam por ti ...meus pensamentos !
Quantas coisas sem sentido já escrevi,
outras coisas bem sentidas escrevi,
de quantos personagens sem sentido me vesti
e depois, neles, bem sentida me percebi !
Musa nunca fui nos frios ocasos
nem nos amanheceres em dias de sol
vou passando pela vida apenas por acaso
em direção ao meu incerto arrebol
Das estrelas fulgurantes, fagulhas d'alma
que vem na amplidão de meu céu interior,
há nuances belas da ilusão nascida
puro devaneio de um estranho amor
Sonhando sob o som de cítaras de anjos
danço contigo entre nuvens e brisas,
agitando os corpos, abraços de almas,
somos miragens onde a vida desliza
Há amores que se escondem
debaixo de uma camuflagem
com receio de se declararem
e perdem o tempo, que bobagem!
Querem que o outro advinhe
quais são seus sentimentos
correm risco de que tudo definhe
porque são teimosos jumentos !
Eu te amo
porque te amo,
essa é a única explicação!
o meu amor sempre proclamo
sob as ordens do coração ...
Vida,
que te quero em mim,
almejando realizar sonhos,
sonhos que os quero sim,
devaneando louca
Louca...
que nem sou, enfim,
mas grito palavras em ecos,
que as vezes como espinhos ferem,
mesmo tendo
a voz de cetim,
sonho...
vivo...
sou assim...
assim...
assim...
Borboleta de asas um tanto quebradas,
sempre presa num mesmo lugar,
quando curar-se e tiver liberdade,
será que ainda saberá voar?
Poesia da criação
.
Na cosmovisão do tempo
há uma arvore genealógica do mundo,
a criação do vento, deu-se ao espaço,
JESUS, no monte, viu toda glória futura
a casa das dimensões e o mar da eternidade,
estava dentro dele,
todos os livros dos corações abertos estão,
a versão mais bonita é a tradução do amor
os pássaros em luzes, eram paisagens brilhantes
a passagem das eras, em idades de dia,
ele é poesia do alfa e ômega
na arca da aliança estão a história e o véu
como chama de fogo, e voz de trovão
muitas águas dizendo: aí vem! o noivo!
Desperta oh filhos de Sião!
O peregrino e o pássaro.
.
E, se fossemos tradutores do frio?
Esse arrepio teria tradução?
Dizia, o pássaro ao viajante,
-- Eu vejo eternidade nas tardes,
nas manhãs relembro as estações
-
Em viagens distantes,
conhecerás a esperança,
experiência de imensidão
cláusulas de vida,
despedidas e lágrimas,
mas também recomeços
cantos e confrontos
florestas e lagos,
é o preço que pago
e ainda pagarei
por continuar
caminhar
A minha poesia,
é sobre a realidade,
sobre a tarde,sobre o chão...
.
É verso de estrada,
história contada,
também solidão
.
Não segue uma métrica poética,
é sobre o nada cognitivo
ventos e incertezas
as vezes, belezas da religião
.
Muitos que já morreram
e outros que vivem na sombra
é sobre a luz da esperança
penumbra
.
é apelo à casa dos sábios,
sobre o condado estórias de livros
sobre o rio e sua margem,
eternidade na vida humana.
Em uma tarde eu vi
uma árvore a chorar!
conversando com as sombras,
dizia-lhe: uma frase de adeus!
Que brisa é essa?
perguntou o viajante,
com visões de por de sol,
e janelas com luar
Nao chore, sra. árvore!
veja a beleza do por do sol
-- Guarde suas palavras de sentimentalismo
o que resta é a dor
deixei-me, escurecer pelo amor
e como flor mucha e seca
hoje faço um silencio de adeus,
Adeus!
