Poema de Pablo Neruda Crepusculario
Enquanto formos úteis à economia, teremos valor; quando deixarmos de sê-lo, nos tornaremos cadáveres indignos até mesmo de um simples caixão.
Destruir uma vida é destruir a si mesmo; é apertar o gatilho e matar não apenas o outro, mas também uma parte da própria humanidade.
O criminoso pode estar mais próximo da redenção do que qualquer outro que se julga essencialmente bom.
Somente a prisão pode libertar um homem atormentado pelo próprio crime; enquanto estiver livre, estará preso.
Eu morri para Ti, e Tu morreste para mim; matei-O no coração, enterrei-O no âmago da descrença. Os vermes, porém, não devoram a Ti; antes, a minha carne eles consomem. Sou o único verme capaz de roer a Tua alma, ó Deus.
"NADA É PARA SEMPRE. O QUE É BOM HOJE, PODE NÃO SER AMANHÃ, POR ISSO: ORAI E VIGIAI" Ademar de Borba
Existem produtos impróprios para o consumo e pessoas impróprias para o convívio. Leia os rótulos antes de consumir e os olhos antes de conviver.
Os problemas do Brasil ocorrem devido à ação eficaz de uma justiça corrupta, imprensa venal, políticos ladrões, padres e pastores estelionatários.
Senhores, eis o meu povo — silencioso, austero, marcado pelo tempo e pelo sofrimento. Diante de vós estão meus irmãos, guardiões de uma história sombria. Basta de ilusões: o que clamamos da terra e dos homens é dignidade, trabalho, pão, paz e liberdade.
Tenho a impressão de que os olhos também colecionam memórias. Cada paisagem bonita amplia o repertório da alma. Depois de contemplar certos reflexos, certas luzes e certos horizontes, voltamos diferentes, não porque o mundo mudou, mas porque carregamos dentro de nós mais maneiras de enxergá-lo.
Passamos tempo demais tentando salvar versões de nós que já cumpriram seu papel. Continuamos repetindo gestos, sustentando personagens e defendendo identidades que um dia nos protegeram, mas que hoje apenas nos apertam por dentro.
O espelho não devolve apenas feições. Devolve escolhas. Cansaços. Contradições. Devolve a distância entre quem acreditávamos ser e quem estamos nos tornando enquanto ninguém está olhando.
Existe uma beleza que só acontece quando saímos do caminho habitual. O mundo continua sendo o mesmo, mas alguma coisa em nós ganha outra janela.
Nem toda mudança começa quando a vida muda. Às vezes, ela começa quando finalmente paramos de insistir em caber onde a nossa verdade já não respira.
Existe um luto que quase ninguém nomeia: o de deixar de ser quem aprendemos a ser para abrir espaço para quem já estamos nos tornando.
O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato
A soberba nasce da necessidade de provar. A soberania nasce da capacidade de ser. Quem é soberbo fala para ser admirado. Quem é soberano escuta sem se sentir diminuído. Um precisa vencer disputas invisíveis, o outro já fez as pazes consigo mesmo. A soberba procura aplausos. A soberania procura coerência. Uma depende do olhar dos outros, a outra repousa em si mesma. Talvez por isso a soberba faça tanto barulho e a verdadeira grandeza quase sempre chegue em silêncio. Quem precisa parecer maior do que todos ainda não encontrou o próprio tamanho.
Às vezes, passamos a vida procurando um lugar para pertencer, sem perceber que o verdadeiro endereço sempre foi interno. Há casas enormes onde a alma permanece sem abrigo, e espaços pequenos capazes de acolher uma existência inteira. No fim, lar não é o lugar onde repousa o corpo, mas onde o coração não precisa se defender.
Algumas dores não pedem mais resistência. Pedem tradução. Às vezes, um processo terapêutico não muda a vida inteira. Mas pode tornar-se o lugar em que a sua dor deixa de falar sozinha.
