Poema de Pablo Neruda Crepusculario
A NUDEZ
A nudez é a indiscrição poética
Do pecado na carne pervertendo
A alma na concepção dos desejos.
Iludido pelo encanto transcendental
Que desvirtua o ser e corrói a alma
Levando o indivíduo ao reles suicídio.
Mesmo que a visão enigmática turve
A consciência desequilibrada e torpe.
A nudez é a indiscrição poética
Desmemoriada abrupta e tísica
Em desavergonhada Saliência.
A nudez carnal nada mais é
Do que a descrição
Do obsceno
Poético em
Prosa
&
Versos
D`
G
Á
U
D
I
O
PROCÓPIO
[...] "Quanto vale um professor e a formação das gerações futuras em nosso quadro social?
Oxalá fossem os salários, proporcionais ao impacto e relevância social da atividade exercida.
Afinal, não apenas através da medicina é possível se salvar uma vida.
Mas, a sociedade vendida ao camarote, assiste imóvel ao cúmulo da desvalorização
Dos mestres nas salas de aula; Dos ‘valores’ a inversão.
Um verme de paletó e gravata, valendo-se dos privilégios de ser político,
Desviando rios de dinheiro e fazendo o eleitor de otário;
Enquanto um professor dedicado, Socialmente indispensável e devidamente formado,
Faz malabarismos intermináveis com as migalhas que lhe ensinaram a chamar de salário.
Elites políticas aprenderam há séculos, a fazer papel de parasita.
E o fazem muito bem, infelizmente. Sugam tudo o que podem, até de quem mais necessita.
Pensam: “Pra quê investir em Educação se o que nos mantêm é a doce alienação?”
“A essa gente, já lhes basta circo e pão!”
[...]
Pra que dos meus sentimentos correr?
Se no final é com eles que eu vou morrer
Meus amigos eu estou a perder
E eu vou acabar sozinha sem nem perceber
Eu quero muito gritar
E pra fora tudo colocar
Mas pra que fazer isso?
Se nada vai me fazer melhorar
Eu quero dos meus problemas fugir
Mas eis a questão, como fugir?
Se eu não tenho para onde ir
Eu queria muito voltar a rir e sorrir
Quero acreditar
Que eles vão mudar
Até que ponto tenho que chegar
Para que na sociedade eu possa me encaixar
Eu me perdi num corredor
Sem ela meu mundo está sem cor
Tenho que me trancar para o amor
Já que eu já conheço a dor
Da minha casa não quero sair
Mesmo com a liberdade de ir e vir
Mas porque eu iria?
Se eu fosse minha família eu magoaria
Agora, suponho que sim: tanto o filme quanto o poema ou a música falam dessa nossa louca necessidade de ilusão. Porque a imaginação do homem foi feita, acho, para imensamente mais do que aquilo que o cotidiano oferece.
Algum dia, em qualquer parte, inevitavelmente, há de encontrar-se contigo mesmo. E só depende de ti se essa será a melhor ou a mais amarga de tuas horas
Você pode cortar todas as flores, mas não pode impedir a chegada da primavera.
A poesia é sempre um ato de paz.
O poeta nasce da paz como o pão nasce da farinha.
"Você faz o que quiser, mas a consequência é obrigatória. Você é livre, mas não pode produzir a consequência diretamente dentro da sua liberdade."
De tudo isso, amigos, surge uma lição que o poeta deve aprender dos outros homens. Não há solidão inexpugnável. Todos os caminhos levam ao mesmo ponto: a comunicação daquilo que somos. E é preciso atravessar a solidão e a aspereza, a incomunicação e o silêncio para chegar ao recinto mágico no qual podemos dançar torpemente ou cantar com melancolia: mas nesta dança ou nesta canção estão consumados os mais antigos ritos da consciência, da consciência de ser homens e de crer num destino comum.
Cada um dos meus versos quis se instalar como um objeto palpável; cada um dos meus poemas pretendeu ser um instrumento útil de trabalho; cada um dos meus cantos aspirou a servir no espaço como signo de reunião onde os caminhos se cruzaram, ou como fragmento de pedra ou de madeira em que alguém, outros, os que virão, pudessem depositar os novos signos.
A poesia é uma ação passageira ou solene na qual entram em igual medida a solidão e a solidariedade, o sentimento e a ação, a intimidade de si mesmo, a intimidade do homem e a revelação secreta da natureza.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Nota: Trecho do poema 20, com tradução de Fernando Assis Pacheco.
...MaisVenho de uma obscura província, de um país separado de todos os outros pela sua talhante geografia. Fui o mais abandonado dos poetas e minha poesia foi regional, dolorosa e chuvosa. Mas sempre tive confiança no homem.
Só soube muito depois que o que eu escrevia se chamava poesia. Nunca tive interesse pelas definições, pelos rótulos. Aborrecem-me mortalmente as discussões estéticas.
Continuo acreditando na possibilidade do amor. Tenho a certeza do entendimento entre os seres humanos, logrado sobre o sofrimento, sobre o sangue e sobre os cristais quebrados.
Quero viver num mundo em que os seres sejam somente humanos, sem outros títulos a não ser estes, sem serem golpeados na cabeça com uma régua, com uma palavra, com um rótulo.
Os violentos se refletem no espelho do mundo e seu rosto não é bonito nem para eles mesmos.
Nunca pensei, quando escrevi meus primeiros livros solitários, que com o passar dos anos me encontraria em praças, ruas, fábricas, salas de aula, teatros e jardins, dizendo meus versos. Percorri praticamente todos os rincões do Chile, derramando minha poesia entre a gente de meu povo.
Se minha poesia tem algum significado, é essa tendência espacial, ilimitada, que não se satisfaz em um lugar só. Minha fronteira tinha que ultrapassar a mim mesmo, não me tinha confinado no enquadramento de uma cultura distante. Eu tinha que ser eu mesmo, esforçando-me por me estender como as próprias terras, onde me tocou nascer.
