Poema de Mario Quintana o Espelho

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É preciso saber o valor do dinheiro: os pródigos não o sabem e os avaros ainda menos.

Aquele que, de certa forma, não vive para os outros, raramente vive para si mesmo.

Uma coisa essencial à justiça que se deve aos outros é fazê-la, prontamente e sem adiamentos; demorá-la é injustiça.

É mais fácil ser amante do que ser marido, pela simples razão de que é mais difícil ter espírito diariamente do que dizer coisas bonitas de vez em quando.

Os sábios duvidam mais que os ignorantes; daqui provém a filáucia destes e a modéstia daqueles.

Os pais devem dar sempre para serem felizes. Dar sempre é o que faz que sejamos pais.

Se o vosso médico não acha bom que durmais, que useis vinho ou tal carne, não vos preocupeis: encontrar-vos-ei outro que não será da opinião dele.

A dor enobrece as pessoas mais vulgares, porque ela tem a sua grandeza, e, para receber o seu brilho, basta ser verdadeira.

A educação pública nunca resolve o difícil problema do desenvolvimento simultâneo do corpo e da inteligência.

A natureza concedeu aos grandes homens a faculdade de fazer e aos outros a de julgar.

Não há menos tormento no governo de uma família do que no de um Estado inteiro.

Todos os seres derivam de outros seres mais antigos por transformações sucessivas.

Terrível condição do homem! Não há uma das suas felicidades que não provenha de uma ignorância qualquer.

O avarento gasta mais no dia da sua morte do que gastou em dez anos de vida, e o seu herdeiro mais em dez meses do que ele na vida inteira.

A sabedoria tem os seus excessos e não é menos necessário moderá-la do que à loucura.

A dor é como uma dessas varetas de ferro que os escultores enfiam no meio do barro, ela sustém, é uma força!

Chorarmos por daqui a cem anos não estarmos vivos é loucura semelhante à de chorarmos por não termos vivido há cem anos.

O pesar e o prazer andam tão emparelhados que tanto se desnorteia o triste que desespera quanto o alegre que confia.

A ignorância, lidando muito, aproveita pouco: a inteligência, diminuindo o trabalho, aumenta o produto e o proveito.

Normalmente, são tão poucas as diferenças de homem para homem que não há motivo nenhum para sermos vaidosos.