Poema de Mario Quintana o Espelho
Sou
Sou loira,
mas sempre quis ser morena.
Dizem que sou linda,
mas no espelho ainda aprendo a me enxergar.
Sou luz,
e mesmo com sombras, continuo acesa.
Tenho fé,
mesmo depois de ter me afastado do espiritual.
Havia um brilho em mim,
e ele não se perdeu — só descansou.
Inventam histórias sobre mim,
aumentam mentiras,
me julgam por um passado que não foi justo.
Não sou os rótulos que me deram,
sou a verdade que resiste.
Tenho um amor puro para oferecer.
Eu o amo,
e estou aprendendo a demonstrar.
Não sou uma má filha,
nem inútil na minha própria casa.
Sou insegura, às vezes medrosa,
mas já não finjo tanto quem não sou.
Tento ser confiante,
e mesmo quando falho, continuo tentando.
Quero amigos,
e talvez eu não saiba ficar ainda,
mas estou aprendendo a chegar.
E quando me pergunto qual é o meu problema,
respondo com mais calma:
talvez eu só esteja em construção.
DEUS, O SENHOR DO TEMPO
É o tempo correndo.
É o olhar no espelho.
É ir se esquecendo do que já se viu.
É a vida passando um tanto ligeiro.
É a lágrima que cai, molhando o travesseiro.
É o ontem que ficou num canto esquecido.
É a vontade de recuperar o tempo perdido.
É o saber que é só saudade do que já foi esquecido.
Só ha alguém que não muda.
Nesta vida tão breve, que é Senhor do tempo e a ele rege.
Seu nome é Divino,
É Senhor de tudo o que se pode vê.
É Senhor do passado, está forme no presente e pra sempre vai viver.
Cícero Marcos
Minha beleza não cabe no espelho,
habita nas entranhas,
no fogo que não se apaga,
no verso que não se cala.
Sonho sem ser utopia,
alço voos sem medir distância,
caio, rasgo o joelho,
e ainda assim danço na resistência.
Hoje sou rio, amanhã mar,
mudo de curso quando a vida grita,
sou menina que carrega mulher,
sou mulher que brinca de ciranda.
Me perco nos labirintos,
me acho nos becos escuros,
enlouqueço se preciso,
deixo o vento levar meu cabelo solto.
Não me divido em quase,
ou sou raiz ou sou tempestade,
não há meio amor que me satisfaça,
nem meio abraço que me aqueça.
Rio até doer a barriga,
choro até lavar a alma,
sou boba, mas não tola,
sou inteira, sempre em chama.
Estranha Dança
Eu sou estranha, e o meu espelho sabe disso,
meus passos desenham labirintos
do meu modo de ser,
enquanto o mundo corre em fila indiana.
Minha música é feita de compassos
dos meus pedaços quebrados.
Carrego constelações desalinhadas,
tempestades que brilham, silêncios que ardem.
Meu caos é morada, não ferida
um fogo que aquece quando o chão some.
Eles dizem "seja reta", eu rio e giro,
minha dança é um mapa de cicatrizes vivas.
Ser diferente é como ter asas invisíveis
que voam mesmo quando o céu pesa.
Não me moldo, me reinvento,
sou feita de recomeços e perguntas.
Minha estranheza é minha armadura,
minha língua fala em raios, marés,
e idiomas que transformo em poemas.
Num mundo de cópias, ser original dói,
mas quebrei o molde antes de nascer.
Minha verdade é um animal selvagem,
não se domestica, só se entende.
Sou estranha, sim, e abraço esse abismo,
nesse meu lugar torto onde a luz é mais viva.
Aqui, onde os espelhos me reconhecem,
minha alma dança e nunca se despede...
Sombra e Espelho
Olho no espelho e vejo o rosto do meu pai,
E neles, os olhos de quem veio antes.
É uma história que não morre, que não sai,
Narrada em traumas e gritos distantes.
A pobreza não é só o prato vazio,
É o medo constante de nunca chegar.
O abuso é um nó, um emaranhado fio,
Que as mãos da criança tentam desatar.
Somos prisioneiros de um ciclo invisível,
Moldados por sombras que não são as nossas.
Onde a alegria parece algo impossível,
E as raízes da dor são fundas e grossas.
Porém, o "Eco das Gerações" pode mudar de tom.
Se a consciência desperta e a ferida se trata,
O que era castigo torna-se um dom:
A força de quem a própria sombra resgata.
Quantas vezes você se olhou no espelho e não se reconheceu?
Os olhos marejados, a dor à flor da pele, o desânimo, o olhar distante.
Procurando respostas para perguntas que nem sempre sabemos formular.
A dor da insignificância, o desapego de si mesma, um novo eu brotando…
e o luto silencioso por aquilo que já se foi.
Eu me fui.
E agora, só me resta ser.
O espelho
O espelho revela:
mapas na pele
rastros de afetos.
Nos cabelos brancos
o inverno se demora;
os verões repousam
nos fios escuros.
Na face do espelho,
descubro:
o tempo
também tem memória.
O Avesso do Vidro
Toda vez que me olho no espelho me sinto diferente
Sinto que estou todo trocado
Como se estivesse de trás para frente
Desarmonia é pouco
O rosto é destoante simetricamente
Algo está alterado
Dentro da minha confusa mente.
Procuro a linha reta, mas só encontro o desvio
Um olho que vigia, outro que foge pelo rio
A boca entorta num riso que não planejei
Sou o rascunho de alguém que eu nunca encontrei.
Não há moldura que prenda essa minha heresia
A perfeição é um tédio, uma fria anatomia
Sou feito de sobras, de ângulos e de frestas
Um quebra-cabeça montado com o que resta.
Se o vidro me cospe essa imagem incompleta
É porque a alma é curva, e a carne nunca é reta
Aceito o erro, o vinco e o traço mal posto
Pois não existe verdade num perfeito rosto.
Autoconsumo Geral
Você deve internalizar toda a dor
E sorrir pro espelho como um vencedor
Deve queimar o estoque de afeição
E aceitar a própria autodestruição
E se for cobrado por mais energia
Entregue a alma e a última alegria
Assim, você será um exemplo raro
De quem consome o próprio ser bem caro.
Você deve ser o combustível e a chama
Mesmo que o peito arda e o corpo reclame
Pois é de bom tom, é de bom senso
Se desfazer num cansaço imenso.
E se o vazio vier te visitar
Não ouse parar para descansar
Transforme a angústia em produtividade
Ignore o grito da sua verdade
E por fim, quando não sobrar mais nada
Aplauda a si mesmo na sua jornada
Pois quem se devora com tal perfeição
Merece o troféu da exaustão.
Você deve ser o combustível e a chama
Mesmo que o peito arda e o corpo reclame
Pois é de bom tom, é de bom senso
Se desfazer num cansaço imenso.
"Nos olhamos no espelho todos os dias, esperando encontrar uma imagem diferente quando não fazemos nada pra mudá-la."
-Aline Lopes
No espelho quebrado da rotina, vejo mil rostos todos meus.
Fragmentos de promessas, vícios de urgência, gritos que ninguém ouve.
As loucuras dançam, sedutoras, me puxando para o abismo do excesso.
Mas hoje, eu ergo o punho contra elas.
Chega de correr em círculos como um animal enjaulado pela própria mente.
Chega de alimentar o caos com distrações baratas e pendências empilhadas como cadáveres esquecidos.
O foco é minha arma.
A disciplina, meu açoite.
Cada passo certo é um prego no caixão da desordem.
Não quero mais sobreviver em meio ao ruído.
Quero silêncio.
Quero o peso do agora.
Quero o corte limpo da verdade.
Fortalecer o emocional não é sorrir para o espelho
É encarar o monstro que vive atrás dele.
É alinhar o processo à dor, ao medo, à vontade de desistir
E mesmo assim, continuar.
Seguro.
Eficaz.
Frio como aço, firme como pedra.
Porque só quem atravessa a noite com os olhos abertos
conhece o valor da luz.
11.01.2026
By Evans Araújo
Amei muitas vezes,
e cada amor foi como um espelho partido,
onde vi reflexos meus que jamais reconhecera.
Não amei por acaso,
não amei por distração
amei porque no fundo do meu vazio
era a única verdade que pulsava.
O amor foi meu templo e meu refúgio,
meu remédio e também minha ferida.
Nele encontrei paz,
mas também me perdi em labirintos sem saída.
E mesmo assim, voltava a amar,
como quem procura o ar
quando já não pode respirar.
Cada mulher que cruzei
carregava um universo,
e eu, sedento de infinito,
tentava me perder em suas constelações.
Não para fugir de mim,
mas talvez para me encontrar.
Porque dentro de mim há um vazio,
um buraco onde o silêncio ecoa,
mas o amor sempre ele
foi a única chama pura
que ousou desafiar a escuridão.
E se eu amei demais,
foi porque só no amor
eu soube ser inteiro.
Espelho, espelho meu
Quero ouvir um conselho seu
Diante de ti estou eu
Só nos dois, amigo meu
Sincero
Singelo
Olho profundamente nos olhos teus
Que são reflexo dos meus
É a idade?
Ou a vaidade?
Mostre-me espelho meu
Onde posso retocar
Onde posso melhorar?
Espelho, espelho meu
Diga-me que aconteceu
Onde preciso mudar
Para paz encontrar
Há algo a me incomodar
Só você pode mostrar
Diga espelho meu
Estamos aqui só você e eu!
Cada pessoa conhece uma versão diferente de nós — porque não somos espelho fixo, somos resposta:
para os pacíficos, oferecemos calma;
para os que são meio arco-íris e meia tempestade, viramos céu nublado ou sol aberto;
e diante de trovões e sombras, revelamos uma agitação urgente, aquela pressa intensa de resolver tudo mesmo sem calma.
Reflexão sobre a Imaturidade
A imaturidade é um espelho turvo, onde o ego se contempla e se engrandece, mas não enxerga além da própria sombra.
É o grito infantil travestido de adulto, a paciência que nunca floresceu, a empatia que se dissolve como sal na água, o altruísmo congelado em um inverno sem fim.
Ser “mimado” não é apenas receber demais, é não aprender a dar, é não compreender que o mundo pulsa em outros corações, que a vida não se curva ao desejo de um só.
A falta de estrutura, a ausência de mãos que guiem, de vozes que instruam, gera um ser que caminha com pés frágeis, incapaz de sustentar o peso das próprias escolhas.
E assim, nega o outro, nega a realidade, nega a dor que não é sua, como se o universo fosse apenas um brinquedo particular.
Mas a verdade é dura: crescer não é apenas envelhecer, é aprender a suportar o silêncio, a ouvir o que não se quer, a aceitar que o mundo não gira em torno de nós.
A maturidade é o ato de abrir os olhos, de reconhecer que o ego é pequeno, que a vida é vasta, e que só quem se desfaz das correntes da infantilidade pode, enfim, tocar a liberdade de ser humano inteiro.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Há corações que pedem validação a cada instante, como se o amor fosse um espelho que precisa refletir segurança o tempo todo. Mas quando o sentimento precisa ser confirmado a cada hora, ele deixa de ser encontro e se torna cobrança.
A insegurança veste a relação com correntes invisíveis, fazendo do outro não um companheiro, mas um guardião de certezas. E o amor, que deveria ser liberdade, se transforma em prisão de expectativas.
Quem exige presença constante esquece que maturidade é saber suportar o silêncio, é confiar mesmo quando o outro não está ao alcance da mão. Sem essa maturidade, o vínculo se desgasta, porque nenhum coração pode carregar sozinho o peso da insegurança alheia.
O estranho sentimento que nasce é o reflexo da desarmonia: um lado sufocado pela cobrança, o outro perdido na própria carência. E assim, o amor se torna frágil, não por falta de afeto, mas por excesso de exigência.
Amar não é pedir validação a cada segundo, é aprender a confiar naquilo que já foi dito, naquilo que já foi mostrado, naquilo que pulsa mesmo na ausência.
Que o amor seja chama que aquece, não fogo que consome. Que a presença seja escolha, não obrigação. Que a maturidade seja o solo onde o vínculo cresce, e não a insegurança que o corrói.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Distorcer o espelho quando pensar
É deixar de sentir o brilho do luar
Contemplar as estrelas sem suspirar
Não deixar o outro falar
É o mesmo que não escutar
Desaparecer é também falhar
O tempo é arte sem controlar
Narrativas do inconsciente a cantar
Troca simultânea de energia a bailar
Manipular ao se ausentar
É dor ao se calar
Desejo inconsciente de amar
Medo do desejo a somar
Desejo pelo medo a multiplicar
Resultando em sublimar
Etapas importantes ao abandonar
São perdidas quando pular
Processos naturais como ondas do mar
Invadir o fluxo do sintonizar
É o mesmo que ironizar
Diante do espelho quando se olhar
O reflexo pode perdoar
Mas devolve e reverbera sem disfarçar
Assim como o sol ao eclipsar
Fugir sem encarar
Movimento celeste ao penetrar
Água, terra, fogo, ar
Éter sublime a dissipar
Brumas a visualizar
Campos silvestres para imaginar
Perder para encontrar
Sem nunca mais achar
Simplesmente por tentar forçar
Fiz um acordo com o espelho:
o mundo pode até me esquecer,
mas eu me levo pela mão
até o fim da estrada.
Desistir de mim nunca foi uma opção.
