Poema de Mario Quintana o Espelho
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Pouca ou nenhuma vez se realiza com a ambição coisa que não prejudique terceiros.
A indiferença ou apatia que em muitos é prova de estupidez pode ser em alguns o produto de profunda sapiência.
O orgulho pode parecer algumas vezes nobre e respeitável, a vaidade é sempre vulgar e desprezível.
Arrependemo-nos raramente de falar pouco, e muito frequentemente de falar demais: máxima usada e trivial, que todo o mundo sabe e que ninguém pratica.
A luxúria é como a avareza: aumenta a sua própria sede com a aquisição de tesouros.
As coisas maiores só devem ser ditas com simplicidade; a ênfase estraga-as. As menores precisam de ser ditas com solenidade; elas só se sustentam pelo modo de expressão, pela atitude e pelo tom.
Não podemos deixar de ser difusos com os ignorantes, mas devemos ser concisos com os inteligentes.
Os velhos que se mostram muito saudosos da sua mocidade não dão uma ideia favorável da maturidade e progresso da sua inteligência.
Há muita gente que, assim como o eco, repete as palavras sem lhes compreender o sentido.
Nas revoluções políticas os povos ordinariamente mudam de senhores sem mudarem de condição.
Saber viver com os homens é uma arte de tanta dificuldade que muita gente morre sem a ter compreendido.
Onde intervêm o favor e as doações abatem-se os obstáculos e desfazem-se as dificuldades.
É tal a falibilidade dos juízos humanos, que muitas vezes os caminhos por onde esperamos chegar à felicidade conduzem-nos à miséria e à desgraça.
Não construais estátuas aos vossos heróis, é melhor erguer estátuas às vossas vítimas.
Os soberbos são ordinariamente ingratos; consideram os benefícios como tributos que se lhes devem.
A utilidade da virtude é de tal modo evidente que os maus a praticam por interesse.
Muitas pessoas se prezam de firmes e constantes que não são mais que teimosas e impertinentes.
Sempre vimos boas leis, que fizeram com que uma pequena república crescesse, transformarem-se depois num peso para ela, depois de grande.
O amor-próprio dos tolos desculpa o das pessoas inteligentes, mas não o justifica.
Apenas um homem de gênio ou um intriguista se atrevem a dizer: «Fiz mal». O interesse e o talento são os únicos conselheiros conscienciosos e lúcidos.
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