Poema de Mario Quintana o Espelho
Bocaina do Sul
Tu sempre será o meu
Rio Bonito de ensinamentos,
do teu povo amigo orgulho
não nego que tenho, louvo
e poemas eu à todos dedico.
Nos Aparados de Piurras
reabro o livro da tua vida,
das origens carijó e jê,
Bocaina do Sul, ternuras
mil devoto todas à você.
Na Cachoeira Morro das Pacas
releio todas as páginas
de crescimento que te fizeram
na vida uma cidade erguer,
Bocaina do Sul és alegria de viver.
Nas cachoeiras e no Rio
na localidade de Campinas
agradeço a sua existência linda,
Bocaina do Sul, minha querida,
filha da Bela e Santa Catarina.
Na Pedra da Boca eu marquei
um encontro escondido com
você porque és tudo que amei,
amo e sempre na vida amarei:
Bocaina do Sul em ti me amarrei.
Nas tuas grutas e no teu memorial
de devoção rezo por mim,
por ti e por tudo que és,
Bocaina do Sul, minha amada,
não há ninguém que não se renda
aos teus pés diante de tanta beleza.
Verei teu sorriso doce
como caldo de cana,
Os ventos do Oeste
me levarão para este
coração que me ama.
Serei a tua prenda
amada rodopiando
no Passo dos Tropeiros,
Bom Jesus, meu querido,
adoro o teu povo amigo!
Irei em dia de feijoada
encontrar contigo
e com os nossos amigos,
Temos orgulho da História
feita da glória do campo
que ergueu a cidade que amo.
Bom Jesus, minha cidade fiel,
foste rota de muitos fiéis
que rezavam e sonhavam
o melhor para o Brasil,
Hoje continua a luta na vida
e faz festa ao Padroeiro gentil.
Herdeiros do Contestado
não negamos o passado,
Por isso somos unidos
num só coração apaixonado,
E sob a bênção mística
do Monge João Maria.
Bom Jesus da minha alegria,
por você sempre cruzarei
mares, céus e estradas
em busca desta cidade
generosa cheia de energia.
Por ela sou
lágrimas,
desespero
e agarramento
pelas patas,
garras, cantos
terras,
correntezas
das águas
e no mais
alto dos
mil céus;
ela existe
por todo
o lugar,
e até mesmo
nas brumas
das cavernas
e profundezas.
Por ela sou
desconforto,
inquietação
e tormento
pelas peles,
faros, plumas,
asas, ossos,
barbatanas,
ruídos, sons,
escamas,
e pegadas;
ela existe,
deixa rastros,
é só observar.
Por ela sou
altiva, grito,
e assumo
que sempre
tento pelos
caules, folhas,
troncos,
sementes,
frutos,
espinhos,
pedras
fósseis
e areias,
há muito
mais Pátria
do que
te ensinaram,
e muitos
imaginam:
é nelas
que estão
a mística
do Estado
e tua vida.
Por ela sou
aquilo que
você ignora,
e mesmo
resistindo
me atormento.
Soberania
não se
negocia,
não se
flexibiliza,
não se
anistia,
não se
usa de
enfeite,
e tampouco
de amuleto,
e não se
coloca
em degredo,
e não se
desperdiça
nem em
cumprimento.
Balneário Barra do Sul, relicário
Balneário Barra do Sul,
meu precioso relicário,
Te levo no meu peito
sacrário em no segredo
pintado de azul sagrado.
Rodeio Poemário do Vale
Tu és o meu poemário
perfeito que levo
em mim o tempo todo,
Rodeio poemário do Vale
és o meu recanto de paz,
de aconchego e de liberdade.
Timbó Poética
Do Médio Vale do Itajaí
tu abriga a poesia,
o endereço da Casa do Poeta,
a minha alegria de te ver
esbanjando cada melodia
e a gentileza de sempre
que que me dá força
fazendo com que surja
um poema novo todo o dia
que tu me leva pela mão
para passear por cada rima.
No alto a serra,
o passado
não querem
que a encerra.
Temem a liberta
porque cedo ou
tarde o poder
irá escapulir
das mãos
de quem pensa
que a governa.
Na ponta da
lança ela está
sofrendo todo
o tipo de cruel
perseguição,
e suportando
muito além
da rendição;
e clamando
com canto
e poética
para evoluir
a consciência
em convivência.
Os heróis
de Palmares
me concedam
a clemência
porque se é para
ser quilombo,
e resistência,
vou até a última
consequência.
Porque eu que
vivo escapando
todos os dias
das prisões
e fazendo
revoluções,
prefiro muito
estar mais sob
a proteção
memória
e honra
de Dandara.
Brunópolis
Nomeada em honra
ao teu orientador espiritual
Padre Bruno Paris,
nasceste com forte
condão norte e celestial.
Fortuna poética do Planalto
Sul de Santa Catarina,
A tua História foi escrita
com ternura, bravura
e entusiasmo da tua gente.
Marombas, Palmares,
picada aberta e lavoura
com muito amor erguida
no profundo do Estado
erguido pela imigração.
Nos teus sabores postos
na mesa que percebe-se
a sutileza do teu coração,
a tua terra é pura paixão
e tem inigualável sedução.
Na Cachoeira do Marombas
das horas sempre perco
as contas e ganho sossego,
e tenho a nossa História
escrita com romance e apego.
Na Cachoeira do Butiazinho
sem encontro o meu
doce e dileto refugiozinho
nesta cidade que acolhe
a todos com muito carinho.
Testemunha daquilo
que eu não vi
ao mundo tenho que
fazer esse relato:
ecoou o som do
berimbau quebrado,
no chão o Moa
foi estirado por
causa das doze
facadas de um
sujeito autoritário.
Avança a violência
política programada,
só não vê a verdade
aquele que não quer:
avança o plano da
instalação de um
regime de exceção,
engulo a seco o meu
receio por ser mulher.
Implacável é a dor
pátria que sinto no
meu peito que ecoa
a indignação contra
os repressores dos
dois lados que com
ambas as retóricas
tornaram o diálogo
quase impossível
impedindo que o
povo unido encontre
o melhor caminho.
Dizem que as urnas
não funcionaram
no primeiro turno,
uns até as filmaram,
eu não sei o quê irá
daqui para frente
conosco acontecer.
O povo mesmo que
não cedeu a sedução
passou por um
caminho apertado,
e os que caíram
na tentação do papo
estão arrependidos.
É triste ver que
tem gente que
não se permite
fazer o caminho
de volta porque
reduziu a sua
crença na vida
em viver da
aprovação alheia
só por achar que
pode fazer uma
plateia para
sempre satisfeita.
Você que gosta de
zombar com os
nervos alheios só
para aparentar
fazer parte de um
plano que nunca
te pertenceu,
é bom que saiba
que a vida cobra,
e que tens a total
a responsabilidade
de responder pela
democracia que
ajudou a esconder.
Quando o segundo
turno passar não
adianta querer
fingir que a mim
não provocou
e que a honra
de ninguém atingiu,
porque o quê
deveria ser falado
por causa da
sua baderna
foi impedido de
ser esclarecido,
e levará o país a
um destino maldito.
Quando o ódio programado
é percebido muito fácil
e entender a força dele
através da comunicação
por se tratar de ser
um sentimento pesado.
Os dois lados orbitando
ao redor do poder
em função do que
estamos vivendo hoje,
eles já haviam sido
escolhidos para tais
papéis que estamos
testemunhando.
Existem sinais óbvios
de orquestração
para dominar a população
e nada têm haver
com a imaginação.
A estratégia tem haver
com a liberdade
de expressão,
e começa com o poder
vigente querendo
direcionar como você
deve falar e se comportar,
e o outro lado acordado
com ele fica te infernizando
dizendo que vai te libertar.
Quando você for
ver já é tarde,
pois estás mais preso
agora que nunca a uma
estratégia de dominação
que nunca te pertenceu,
mas na verdade és
o alvo e fizeram abraçar
ela como se fosse tua.
[Os dois lados têm
deixado pegadas no caminho... ]
Rodeio sob o Céu
A cidade de Rodeio
sob o céu armado
desta tempestade,
Um sonho apaixonado
contigo no domingo,
Te quero sempre como
meu eterno namorado.
Brusque
O teu Rio Itajaí-Mirim
e as correntes beijadas
pelo vento relembram
a trajetória das tribos
que ali te pertenceram,
E desta História delas
eu sou o arco e a flecha
contra o esquecimento.
O teu nome é reverência,
nasceste filha do Barão,
Brusque do meu coração,
Te amo antes de tudo isso:
no Santuário de Azambuja
sou a perpétua oração
e no Calvário a procissão.
O teu amor na Fenarreco
me leva e faz viajar
no tempo e na herança
européia da tua imigração,
Brusque eu amo a tua
gente de todo o coração
nesta cidade amo morar
e nunca vou te abandonar.
O teu amor é memória
nestes tempos desafiadores,
de tudo me lembro
que nem mesmo o tempo
apaga o quê ergueu a cidade
feita de doce, tecido, paixão
e de esperança por nossa Nação.
Não sei mais como
falar ao meu povo,
estou o desconhecendo,
ele luta por um projeto
de poder e ignora que
vive bem abaixo dele.
Não foi por falta de luta,
falei tanto e constatei
que ninguém me escuta,
onde foi que eu errei?
Não foi por falta de aviso,
mas quando alertei que
o sentimento pátrio havia
se esvaziado já imaginava
de que estávamos em risco,
e a democracia em perigo.
Não sei o quê fazer,
antecipo o meu desterro,
e a única coisa que fica
deste presente é o medo.
Não sei o quê fazer,
só sei que povo que
não age com civilidade
entre si colabora para
que tiranos se instalem
e se perpetuem no poder.
Não sei por onde começar:
mas sei que terei de algum
dia na minha vida recomeçar,
mistério do tempo samovar.
Inaugurada foi a Primavera
pelo clamor da volta
do mar aos povos
que foi feita pelo poeta.
O dia 1° de outubro
é um cais que fica logo
ali aonde desembarcar
de uma longa espera
é inadiável e justo.
Já não tenho dúvida
que é por mim que
você há desassossegar,
conhece os meus
poemas e prantos
de fazer apaixonar.
Entusiasmada é a canção
que guardo a sete-chaves
que está preparada
para fazer o teu
coração bater
pelo meu forte como
uma onda no mar.
Doces ondas sonoras
do meu coração
sul-americano,
e me traga o livro
do Coco Manto,
que te retribuo
com um beijo
levando você
para comigo
navegar no mar
que a Bolívia
bem nasceu,
e a história vai
levar ao seu lugar.
Catanduvas
Ajuntamento de mata dura
nela a alma brasileira pura
feita de imigração e coragem,
Catanduvas, amor bonito,
tu estava escrita nas estrelas
e para ser o meu destino.
Erva-mate em ti plantada,
chimarrão pronto e feito,
Por ti topo qualquer parada
e não durmo até voltar
para o aconchego de casa.
Querendo ir na Querência
do Chimarrão dançar,
Na Festa do Chimarrão
encontrar a tradição
para junto contigo festejar,
Catanduvas, amor lindo,
tu és a minha razão de ficar.
Chimarrão na cuia,
lembrança na prosa partilhada,
Catanduvas, amada,
tu me encantas sempre e fazes desta
alma por ti eternamente apaixonada.
Azovstal
Não há nada que dimensione
o sentimento sobrenatural
de entrega total a Pátria
vítima de uma invasão brutal.
Na batalha final ser um dos últimos
a resistir enquanto o socorro
não vem em Azovstal que cercada
da covardia da tropa inimiga
continua sem nenhuma guarida.
A Lei da Vida precede a Lei da Guerra,
resgatar uma tropa ferida
é uma máxima que sempre deveria
ser seguida em toda a Face da Terra.
Treze de Maio
O teu nome leva a data
do fim da escravidão,
És italiana de imigração
corpo alma e coração,
que veio para o Brasil
e ajudou a construir
a nossa linda Nação.
Treze de Maio, amada,
amo demais a tua
linda gente de coração.
No Rio Urussanga
o meu amor por ti
jamais se cansa,
e no Rio Correas
só cresce a esperança.
No Rio Lageado
o meu fica ainda
mais por ti apaixonado,
e Rio do Salto ou Caipora
a minh'alma se revigora.
No Rio Vargedo escondo
o meu sonho em segredo,
e no Rio Coruja velo
as estrelas com ternura.
No Rio Perdoná
revelo que encanto
maior na vida não há,
Treze de Maio, terra prometida,
amor maior que o teu nunca haverá.
O tempo está passando
e eu não estou brincando,
Muitos ali morreram,
e eu sigo clamando...
O pedido de socorro ainda
não chegou na caixa-postal
correta para salvar as vidas
dos heróis feridos de Azovstal.
O tempo está passando
e ninguém está escutando,
Muitos ali morreram,
e eu sigo gritando...
Chapecó Poética
Minha Chapecó Poética,
minha poesia caingangue
nada apaga esta herança
do teu heróico sangue.
Minha Chapecó Poética,
meu avistamento profundo
do caminho da roça
da onde me enredo
de amores por cada aurora.
Minha Chapecó Poética,
minha poesia crioula,
estância de paz concreta
e de honra duradoura.
Minha Chapecó Poética,
onde o Rio Uruguai trata
de ti com reverência,
ergueste em ti fortaleza
e cresceste com beleza.
